Justin Wilson (31/07/1978 – 24/08/2015)

O bom gigante

Justin Wilson (31/07/1978 - 24/08/2015)

Justin Wilson (31/07/1978 – 24/08/2015)

Justin Wilson não resistiu aos graves ferimentos sofridos, na véspera, num bizarro acidente, durante a prova de IndyCar, em Pocono e faleceu no hospital de Allentown, Pennsylvania. Tinha 37 anos, era casado com Julia e deixou duas filhas, Jane e Jessica. Em 2003 passou pela F1, correndo na Minardi e na jaguar, mas a sua elevada estatura – 1,93m, o piloto mais alto que já passou pela F1 – impediu que fizesse carreira na competição, decidindo então atravessar o Atlântico, para correr na Champ Car e, depois, na IndyCar. Era um dos pilotos mais populares no “paddock”, pela sua simpatia e sorriso fácil.

Justin Wilson estava a atravessar um bom momento na sua carreira nos “States”: em, Pocono, liderou a corrida durante algumas voltas e, quando sofreu o embate da peça destacada dos destroços do carro de Sage Karam (https://autoandrive.com/2015/08/24/justin-wilson-em-coma-apos-acidente-em-pocono/), estava a rodar perto dos homens da frente. Duas semanas antes, tinha secundado o seu bom amigo Graham Rahal, em Mid-Ohio. Finalmente, após uma fase menos boa, em que não conseguiu encontrar um poiso certo e, muito menos, uma equipa que lhe permitisse regressar aos bons resultados, o britânico tinha conseguido um bom porto na Andretti Autosport, embora, quando assinou, já a meio do ano, não o tivesse feito para a época inteira – mas sim corrida a corrida, com base nos resultados. E estes até tinham sido promissores. Estava, pela primeira vez, a correr numa das “três grandes” – mas isso nunca ofuscou a natural humildade deste bom gigante.

Começar… nos “karts”

Justin Wilson estreou-se na F1 com a Minardi

Justin Wilson estreou-se na F1 com a Minardi

Justin Wilson, como todo (quase todo…) o piloto que quer chegar à F1, começou pelo “karting”. Nascido em Sheffield, cresceu na pequena aldeia de Woodall, perto de Harthill, Yorkshire, numa família que não era rica. Aos nove anos, teve a sua oportunidade, mas depois demorou muito tempo a dar nas vistas, penando na Formula Vauxhall muito tempo, quase sempre na equipa de Paul Stewart, filho de Jackie. Mesmo assim, a sua determinação e resiliência deram qua falar, quando, depois de partir as pernas num acidente num teste em Brands Hatch, antes da temporada de 1995, correu com um carro equipado com embraiagem no volante… e ganhou com ele uma corrida! Mas os holofotes somente para ele apontaram quando, quase sem dinheiro, venceu o campeonato de Formula Palmer, com nove vitórias, na primeira temporada desta competição, em 1998, batendo Darren Turner. Calmo, reservado, chamou a atenção do criador da série, o ex-piloto de F1 Jonathan Palmer, que o levou para a F3000, em 1999.

Em 2001 foi campeão na F3000 com a Nordic

Em 2001 foi campeão na F3000 com a Nordic

Esteve três temporadas nesta competição, que venceu em 2001, com a Nordic Racing e vitórias em Interlagos, A1 Ring e Hungaroring, segundos lugares no Mónaco, Magny-.Cours, Silverstone, Hockenheim, Spa e Monza e um terceiro na Catalunya. Mesmo assim, não conseguiu um lugar na F1 para 2002, encontrando refúgio na Telefonica World Series by Nissan, onde ganhou as provas de Interlagos e Valéncia. Por duas vezes, esteve para substituir Alex Yoong na Minardi, mas a sua elevada estatura impediu-o de caber no “cockpit”.

F1 à medida

GP da Alemanha 2003 (Jaguar)

GP da Alemanha 2003 (Jaguar)

Até que, em 2003, a sua oportunidade chegou. Nesse ano, a Minardi desenhou o carro à volta do seu 1,93m e, por diversas vezes, bateu o seu mais experiente colega de equipa, Jos Verstappen. Para as cinco últimas provas do ano, substituiu Antônio Pizzonia na Jaguar e, na penúltima corrida que fez, em Indianapolis, chegou a rodar em 3º lugar, no meio da chuva, terminando-a eventualmente em 8º – e, dessa forma, conquistando o seu único ponto na F1. Em Novembro, ainda testou o Jaguar, na tentativa de se manter na F1 mas, sem fundos, teve que ceder o lugar a Christian Klien e decidiu-se por outros horizontes, literalmente; atravessou o oceano, rumo à Terra das Oportunidades, os USA. No total, disputou 16 GP de F1.

Em 2004 estreou-se na Champ Car com a Mi-Jack Conquest Racing

Em 2004 estreou-se na Champ Car com a Mi-Jack Conquest Racing

Em 2004, assinou com a Mi-Jacdk Conquest Racing para a Champ Car, terminando o ano como segundo melhor “rookie” e em 11º lugar no campeonato, com 188 pontos. O seu melhor resultado foi um 4º lugar na última corrida, no Autódromo Hermanos Rodríguez, México. Até 2007, Justin Wilson correu nesta competição, lutando sempre pelo título: foi 3º em 2005, com triunfos em Toronto e no México e, nos dois anos seguintes foi vice-campeão, conquistando mais duas vitórias – em Edmonton em 2006 e em Assen, na Holanda, em 2007. No total, fez 54 corridas de Champ Car e ganhou quatro.

Wilson festeja a sua única vitória numa oval, no Texas, em 2012

Wilson festeja a sua única vitória numa oval, no Texas, em 2012

No início de 2008, depois de três anos com a RuSPORT (mais tarde, RSPORTS), Wilson assinou com a Newman/Haas/Lanigan Racing, a equipa que tinha sido campeã, substituindo o… campeão (nos quatro anos anteriores!), Sébastien Bourdais. Foi o início de um novo amor – com a IndyCar, o novo nome do campeonato, que deixou de ser Champ Car nesse ano precisamente. Foi, também, o princípio de uma grande amizade com Graham Rahal, que foi então o seu colega de equipa. Venceu a sua primeira prova ainda em 2008, em Detroit, acabando o ano em 11º lugar. E demonstrando a sua grande apetência pelas pistas convencionais, onde sabia aproveitar toda a sua experiência na Europa para conseguir bons resultados.

Indy 500 de 2015, com as cores da Rolling Stones

Indy 500 de 2015, com as cores da Rolling Stones

Na IndyCar ganhou mais duas provas – uma em Watkins Glen (2009) e a última na oval do Texas (2012), na que foi a sua única vitória neste tipo de pistas, que assumidamente detestava. Apesar deste antagonismo de estimação, Wilson fez por oito vezes as Indy 500, tendo conseguido como melhor resultado o 5º lugar na edição de 2013, com a Dale Coyne Racing – e no ano em que, também, ficou melhor classificado no final do campeonato, em 6º lugar.

Long Beach 2014: bateu no muro com o pódio garantido

Long Beach 2014: bateu no muro com o pódio garantido

O seu percurso pela IndyCar – onde fez 120 corridas – não foi tão bem sucedido como no Champ Car. A crónica falta de dinheiro levou-o a conseguir contratos apenas com equipas medianas, como a Dale Coyne Racing (2009, 2012 a 2014) ou a Deyer & Reinbold Racing (2010 e 2011) e nem sempre pela temporada toda. Além disso, algum azar foi-o perseguindo – como, por exemplo, quando partiu alguns ossos na bacia, num acidente em Mid-Ohio, em 2011, na semana a seguir a ter com seguido o seu melhor resultado do ano, o 5º lugar em Edmonton e encerrando aí a sua temporada.

Indy 500 de 2010 com a D&R Reinbold

Indy 500 de 2010 com a D&R Reinbold

Este ano, finalmente, tudo parecia bem encaminhado, perspetivando-se mesmo uma segunda temporada com a Andretti Autosport, apesar de ter apenas feito seis corridas e apenas numa delas ter ficado bem classificado. O destino assim não quis.

Pikes Peak 2015 (HPD LMP2)

Este ano levou a Pikes Peak este HPD da categoria LMP2

Para lá dos monolugares, Justin Wilson foi também um excelente piloto de carros de Sport, chegando a correr nas 24 Horas de Daytona e de Le Mans e, ocasionalmente, também na ALMS. Além disso, provando a sua polivalência, aceitou correr na Gold Cost 600, em Surfers Paradise, uma das principais corridas do V8 Supercars australianos, em 2012 e, este ano, foi 19º na corrida de Moscovo de Fórmula E, com a Andretti Autosport.

Com a esposa Julia e as duas filhas nas Indy 500 de 2014

Com a esposa Julia e as duas filhas nas Indy 500 de 2014

Casado há nove anos com Julia, sua conterrânea de Sheffield, vivia em Longmont, no Colorado, onde levava uma vida pacata e longe das luzes da ribalta, dedicando-se às duas filhas – Jane Louise, de sete anos e Jessica Lynne, de cinco – que eram o “sol da (sua) vida”, como gostava de dizer e a apoiar obras de caridade. A sua morte salvou seis vidas – tantas quanto aquelas que a quem a família doou os seus órgãos – o que mostra a sua humanidade e a nobreza do seu caráter.

Justin Wilson (Indy 500, 2015)

Justin Wilson (Andretti Autosport, 2015)

Hélio Rodrigues

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