Jules Bianchi (03/08/1989 – 17/07/2015)

O sonho interrompido

Jules Bianchi (03/08/1989 - 17/07/2015)

Jules Bianchi (03/08/1989 – 17/07/2015)

Jules Bianchi parecia destinado a uma longa carreira. Recheada de sucessos: esteve na F1 apenas em, 2013 e 2014 mas, nos 34 GP que disputou, deixou provado que tinha lugar, de pleno direito, no plantel dos melhores do mundo. O seu acidente no GP do Japão, há nove meses, interrompeu o sonho – que poderia muito bem ter passado pela Ferrari, a cuja academia ele pertencia. O seu coração deixou de bater em Nice, onde tinha nascido, faria dia 3 de Agosto 26 anos. Que descanse em paz.

Jules Bianchi era piloto da Ferrari e estava emprestado à Marussia

Jules Bianchi era piloto da Ferrari e estava emprestado à Marussia

Aos 25 anos, Jules Bianchi parecia destinado a uma longa e bem sucedida carreira na F1. Com muitas vitórias, é claro – a exemplo do que, desde 2007, ele vinha fazendo, todos os anos, com exceção dos que passou, com a medíocre equipa Marussia, na F1 (entre Fórmula Renault 2.0, Euro F3, Fórmula Renault 3.5 V6 e GP2/GP2 Asia, Bianchi conquistou um total de 21 vitórias). Mas esta, era tudo o indicava, apenas uma passagem efémera, uma maneira de garantir experiência. Antes de, eventualmente, ser chamado à Ferrari, a equipa de cuja Academia de jovens talentos ele fazia parte e era, então, indiscutivelmente, o mais talentoso. Mas o destino assim o não quis.

O acidente de 5 de Outubro de 2014 acabou com todas as esperanças

O acidente de 5 de Outubro de 2014 acabou com todas as esperanças

E, repetimo-lo, aos 25 anos, nove meses após o seu terrível (e inenarrável, no seu horror) acidente durante o GP do Japão – que teve lugar numa Suzuka encharcada pelo dilúvio, sob indesmentíveis condições de insegurança para os pilotos – Jules Bianchi viu o seu jovem coração ceder. E tornou-se, nesse momento de final de tarde de 17 de Julho de 2015, no 25º piloto de F1 a perder a vida numa pista, ao volante de um monolugar de F1 . E o primeiro desde Ayrton Senna, já lá vão 21 anos. Para a família Bianchi, este foi um ‘déjá vu’: em 1969, o seu tio-avô, Lucien, perdeu a vida durante os treinos preliminares para as 24 Horas de Le Mans, quando se despistou com um Alfa Romeo T33, que embateu num poste telegráfico, incendeando-se de seguida. No ano anterior, tinha ganho a prova, com Ford GT 40 e fazendo equipa com Pedro Rodríguez.

Sério e determinado

Bianchi será sempre recordado pelo que fez no Mónaco em 2014

Bianchi será sempre recordado pelo que fez no Mónaco em 2014

Jules Bianchi era um piloto corajoso e determinado. Aquilo que ele fez, aos comandos de um Marussia medíocre e longe do que deveria ser idealmente um monolugar de F1, não estava ao alcance de qualquer piloto. E foi essa determinação que lhe dava a garantia de, em breve, passar a fazer parte da família Ferrari, na F1.

Em Spa-Francorchamps 2013 (???? lugar)

Em Spa-Francorchamps 2013 (18º lugar)

Para a História da F1, será sempre recordado pela sensacional performance que realizou no GP do Mónaco de 2014, em que conquistou os seus (e ada equipa) primeiros (e últimos) pontos na F1. Cruzou a linha de chegada em oitavo lugar, mas caiu uma posição por causa de uma penalização aplicada após a corrida, por não ter cumprido corretamente uma penalização na grelha de partida. A sua musculada ultrapassagem ao Caterham de Kamui Kobayashi, em Rascasse, é uma imagem da sua tenacidade, depois de ambos se terem tocado antes, na Chicane do Porto. “Não foi uma corrida fácil.” – reconheceu no final “Aconteceram alguns momentos muito divertidos durante a prova, mas também alguns mais complicados. Mas isos não importa: o que interessa agora é saborear os bons momentos por muito tempo.”

Infelizmente, não foi por tanto tempo assim: Jules Bianchi teve somente mais nove corridas para se divertir a fazer o que mais gostavam, antes do acidente fatal, no Japão.

Sextas-feiras impressionantes

Com a Force India em Jerez (2012)

Com a Force India em Jerez (2012)

O seu primeiro papel na F1 foi como piloto de reserva da Force India, encarregue de participar em alguns dos treinos livres de sexta-feira. Isso sucedeu por nove vezes, entre os GP da China e do Abu Dhabi. E, logo aí, começou a dar nas vistas, impressionando pela sua constância, rapidez e capacidade para evitar erros, rodando nos limites.

Bianchi foi 15º na sua estreia na F1 em Melbourne 2013

Bianchi foi 15º na sua estreia na F1 em Melbourne 2013

Gastou depois dois anos na F1 com a Marussia, terminando em 15º na sua prova de estreia, o GP da Austrália, em 2013. Depressa demonstrou ser possuidor de um enorme talento, também na F1 e o seu excelente recorde de provas terminadas (16 vezes em 19 GP, com o 13º lugar na Malásia como o melhor resultado) guindaram-no à liderança da equipa, após a partida de Timo Glock, no final da época.

Bianchi fez 10 dias de etstes com a Ferrari (Na foto, em Silverstone)

Bianchi fez 10 dias de etstes com a Ferrari (Na foto, em Silverstone)

Jules Bianchi tinha fortes laços com a Ferrari, tendo feitos os primeiros testes em Jerez, em 2009. Membro da Academia de Pilotos (Driver Academy), em Julho de 2014 foi o responsável pelos testes de verão da ‘scuderia’, tendo, no total, completado dez dias de trabalho com a equipa de Maranello.

Credenciais de luxo

Jules Bianchi começou no 'karting'

Jules Bianchi começou no ‘karting’

Depois de uma bem-sucedida carreira no ‘karting’, Jules Bianchi subiu aos automóveis em 2007 e conquistado logo o título de Campeão francês na Fórmula Renault 2-0, com a SG Formula.

Seguiu-se então uma longa associação com a ART Grand Prix e a sua carreira começou a ser gerida pelo seu compatriota Nicolas Prost. No primeiro ano, foi 3º nas F3 Euro Series, com duas vitórias e ganhou o prestigioso Masters F3 em Zolder.

Jules Bianchi dominou a Euro F3 em 2009

Jules Bianchi dominou a Euro F3 em 2009

Em 2009, Bianchi continuou na F3, dominando as Euro Series, com nove vitórias e fez, como convidado quatro provas do campeonato britânico, ganhando por duas vezes no Algarve. No final do ano, subiu à GP2 Asia e, em Dezembro, fez os seus primeiros testes na F1 com a Ferrari, em Jerez. Em Macau, foi 10º na corrida principal, depois de ter feito o 7º melhor tempo nos treinos.

No pódio do Abu Dhabi (GP2 Asia)

No 3º lugar do pódio do Abu Dhabi (GP2 Asia 2009)

Repetiu a GP2 Asia em 2011, terminando como vice-Campeão, atrás de Romain Grosjean e, ao mesmo tempo, repetia o 3º lugar no campeonato principal, a GP2, com um triunfo em Silverstone. Em 2010, o seu ano de estreia nesta competição, as suas performances foram marcadas pelo seu violento acidente no Hungaroring, em que fraturou uma vértebra, necessitando de cirurgia mas, mesmo assim, não falhando nenhuma corrida, o que diz bem da sua tenacidade…

Na grelha para a vitória em Silverstone na GP2 (2011)

Na grelha para a vitória em Silverstone na GP2 (2011)

No ano a seguir, 2012, Bianchi disputou a Fórmula Renault 3.5 V6, pela primeira vez com outra equipa sem ser a ART – no caso, a Tech 1 Racing. Venceu três provas – Nürburgring, Silverstone e Paul Ricard – e foi vice-Campeão, atrás de Robin Frijns, no mesmo ano em que António Félix da Costa foi 4º. Mas o título poderia ter sido seu, não tivesse sido atorado para fora da pista na última corrida, em Barcelona, pelo seu rival holandês: foram apenas quatro os pontos que os separararm!

Em 2012 perdeu o título na FR 3.5 V6 porque foi atirado para fora da pista pelo... Campeão

Em 2012 perdeu o título na FR 3.5 V6 porque foi abalroado pelo… Campeão

Mas Deus escreve direito por linhas tortas e, em 2013, quem acabou na F1 foi Bianchi e não Frijns (que, aliás, nunca lá chegou e  até desistiu depressa desse objetivo…), com o seu compromisso com a Marussia a ser confirmado em Março, como contrapartida pela equipa usar as unidades motrizes da Ferrari.  E, na F1, o resto é História – no final, triste história.

Jules Bianchi com Camille Marchetti

Jules Bianchi com Camille Marchetti

Fora das pistas, Bianchi – que namorava há vários anos com a estudante de osteopatia corsa, Camille Marchetti – será recordado como um jovem gentil, educado, com um refinado sentido de humor e uma determinação férrea, que previa um excelente futuro na F1.

PALMARÉS

Estreou-se nos automóveis em 2007 na FR 2.0 francesa

Estreou-se nos automóveis em 2007 na FR 2.0 francesa

– 5 v. FR 2.0 França (2007) – Campeão 2007

– 11 v F3 (2008/2009) – Campeão Euro F3 2009 (9 v.)

– 3 v. FR 3.5 V6 (2012) – vice-Campeão 2012

– 1 v. GP2 (2010/2011) – 3º Campeonato 2010 e 2011

– 1 v. GP2 Asia (2011) – vice-Campeão 2011

– 34 GP F1 (2013/2014) – 17º CM (2 pontos)

Jules Bianchi com a Marussia em 2014

Jules Bianchi com a Marussia em 2014

Hélio Rodrigues

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