Mazda2 1.5 SKYACTIV-G 90 Evolve Navi

O problema da Mazda

Mazda2

Mazda2 1.5 SKYACTIV-G 90 Evolve Navi (Fotos: Praia d’El-Rey, Óbidos)

A Mazda hoje tem um problema: cada carro novo que faz é melhor que o anterior e eleva a expetativa em relação ao próximo. Claro que, aqui, este problema tem que ser lido e visto devidamente protegido com enormes aspas. Porque, olhando para o novo “2”, um dos seus últimos modelos, as diferenças para o anterior mundo “velho” em que vivia o outro “2” são tantas e tão boas, que apetece dizer, como o outro: venham mais cinco. Ou os que a Mazda quiser: qualquer um deverá ser melhor que o anterior. O AutoanDRIVE provou isso mesmo, ao ensaiar a versão equipada com a declinação de 90 cv do excelente motor 1.5 SKYACTIV-G, no seu máximo nível de equipamento, o Evolve .

A Mazda tem uma capacidade que poucas outras marcas de automóveis possuem: fazer modelos “à escala” uns dos outros. Ou seja, quando estamos a olhar para um modelo, este faz-nos lembrar outro… E isso não é um defeito, mas sim uma qualidade. Porque, muito simplesmente, desde que se separou da Ford e se assumiu com marca independente, a Mazda tem criado automóveis de bastante qualidade. Foi assim com o “6”, depois com o “3” e, agora, está a ser com o “2”.

Um “3” mais pequeno

O Mazda2 é um "3" mais pequeno e com a mesma qualidade

O Mazda2 é um “3” mais pequeno e com a mesma qualidade

Mas onde cabe a tal capacidade de fazer modelos “à escala”? Bom, é simples: o “3” era nitidamente um “6” mais pequeno. E, agora, o novo “2” é um “3” mais pequeno. Simples, fácil e… vencedor. Porque, já se sabe, em equipa que vence (vende?) não se mexe… E, tal como teve no “3”, quando ele saiu, fazendo lembrar um “6” a quem tivessem encolhido o porta-bagagens, também agora o facto do “2” ser quase “decalcado” do “3”, isso trouxe as suas vantagens.

O "2" é robusto e bem construído mas algo estreito

O “2” é robusto e bem construído mas algo estreito

Desde logo, porque se manteve a robustez de construção já evidenciada no “3” – e, curiosamente, dentro do “2” essa qualidade está agora bem mais real, embora existam, aqui e ali, resquícios de alguma brandura na escolha dos materiais, felizmente em locais pouco acessíveis ao olhar geral e, de certa forma, escondidos. E fazer uso da plataforma do “3” trouxe outras vantagens ao novo “2” – maior espaço interior, é claro, em especial nos lugares traseiros (embora no que respeito diz à largura, esta não seja um das melhores do segmento, o que se reflete no conforto a bordo de três passageiros atrás, para o qual também contribui o túnel central mais elevado do que noutros modelos “adversários”), mas também um comportamento dinâmico muito mais são e ágil. Além disso, a bagageira cresceu também, em relação ao anterior “2”, que partilhava a plataforma com o Fiesta.

A frente ostenta a filosofia de design KODO - Alma em Movimento

A frente ostenta a filosofia de design KODO – Alma em Movimento

Curiosamente, o Mazda2 não é um carro muito divertido de conduzir e ritmos mais elevados. As oscilações da carroçaria, nas transferências de massa, não comprometem, a firmeza da suspensão não belisca o conforto de rolamento, mas falta ali “qualquer coisa”, talvez um maior “feeling” oriundo da direção que, pese embora seja correta na inserção da frente nas curvas e, em especial, na sua saída, não passa disso mesmo: uma direção vulgar e sem ser muito informativa, em especial a velocidades mais elevadas. Enfim, uma direção perfeita para o condutor de família, sem pressas, mas algo limitada se se quiser rodar de uma forma mais viva.

O "2" 1.5 com 90 cv não foi pensado para grandes correrias

O “2” 1.5 com 90 cv não foi pensado para grandes correrias

Na realidade, isso acaba por não ser nenhum defeito. O Mazda2 não foi pensado para grandes correrias, mas sim para viagens descansadas, com alguma qualidade e outro tanto de conforto. E isso, sem dúvida, foi bem conseguido.

Apesar de tudo o seu chassis é firme e até ágil

Apesar de tudo o seu chassis é firme e até ágil mas não divertido

Em, Portugal, o Mazda2 é proposto com o mesmo motor 1.5 SKYACTIV-G (feito com materiais leves, conceito que também se estende ao chassis e à carroçaria, dentro da mais recente filosofia de construção da marca nipónica) a gasolina, em três declinações de potência – 75, 90 e 115 cv. O AutoanDRIVE ensaiou a versão do meio – porque é no meio que se encontra a virtude. Ou talvez não…

A carroçaria tem a mesma plataforma do "3" e muito espaço por dentro

A carroçaria tem a mesma plataforma do “3” e muito espaço por dentro

Com estes 90 cv, o motor não deslustra, mas também não deslumbra. A caixa manual tem cinco velocidades, escalonadas a pensar nos consumos, embora consigam manter os regimes em altura convenientes para que o “2” se torne um carro despachado e sem hesitações em situações mais de limite. Com duas pessoas a bordo, fazendo uso de percurso de auto-estrada e em estradas abertas e, também, um pouco de montanha, conseguimos consumos na ordem dos 5,6 l/100 km – nada mau, mas um pouco acima do anunciado pela Mazda (4,5 litros), o que é natural.

O interior é espaçoso e tem bastante qualidade

O interior é espaçoso e tem bastante qualidade

Bem sentados (os bancos têm bom apoio lombar e para as costas, embora falte um pouco para as pernas… mais compridas e são confortáveis; a ergonomia dos comandos não merece, de uma forma geral, reparos, sendo a leitura dos principais mostradores e avisadores intuitiva e fácil, tal como a gestão das ajudas à condução, feitas num ecrã tátil de 7”, bem centrado na consola), rodeados de um equipamento bastante completo, neste nível Evolve, o topo de gama, viajar no novo Mazda2 é um bom exercício. O novo “2” não desilude, é uma boa opção em termos de qualidade e eficácia dinâmica e, ao exibir a filosofia Kodo – Alma em Movimento, em especial na frente, dá a certeza de termos entre mãos um exercício diferente e ousado. Pelo menos, no estilo… e por pouco mais de 17 mil euros.

CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS

A versão nivelada Evolve tem de série muito equipamento

A versão nivelada Evolve tem de série muito equipamento

Motor: Diant. transv., em alumínio, duas árvores de cames à cabeça. quatro cilindros em linha, 16 v., 1.496 cc, inj.directa de gasolina, start & stop; Potência (cv/rpm): 90/6.000; Binário Máx. (Nm/rpm): 148/4.000; Vel. Máx. (km/h): 183; Acel. 0-100 km/h (s): 9,4; Consumos (l/100 km): 4,5; Consumos AutoanDRIVE (l/100 km): 5,6; Emissões CO2 (g/km): 105; Preço (euros): 17.025,33

A versão ensaiada tem o preço de

A versão ensaiada tem o preço de 17.025 euros

Texto: Hélio Rodrigues; Fotos: C.Santos e Divulgação (Interiores)

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