Renault Mégane R.S. 275 Trophy

Ainda mais refinado

Renault Mégane R.S. 275 Trophy (Fotos: Serra de Montejunto)

Renault Mégane R.S. 275 Trophy (Fotos: Serra de Montejunto)

Esta é a ‘enésima’ versão do Renault Mégane R.S. Coupé que o AutoanDRIVE ensaiou. É, também, a mais potente. A mais exigente. A mais divertida. A mais assustadora, quando queremos perceber onde estão os seus limites. Mas também a mais apurada e a mais certeira. Enfim, a mais refinada. Senhoras e senhores, bem-vindos ao mundo de extremos onde vive o Renault Mégane R.S. 275 Trophy.

Com o soprar do motor nos ouvidos, a sua força a colar-me à ‘bacquet’ e as mãos a tentarem obrigar a frente a entrar nas curvas, brevemente imaginei-me a fazer aquele histórico troço em Montejunto, com a estrada fechada ao trânsito.

Este é o mais potente Mégane R.S. com os seus 275 cv

Este é o mais potente Mégane R.S. com os seus 275 cv

Imaginei-me a levantar a roda de trás, naquela porção em subida, gancho à direita e curva cega à esquerda, lá em cima, mesmo a sair no topo. Ou em veloz ‘pif-paf’, a mais de 170 km/h, com a serra à vista, em frente, e as primeiras acácias amarelas. Mas afinal não: os 170 dei, naquela zona, em que a visibilidade era boa. O resto, isso não! Tudo foi feito com a maior das seguranças, mais depressa do que habitualmente, é certo, mas sempre com a consciência de que poderia aparece em sentido contrário outro ‘pilotaço’ de fim-de-semana, mais afoito e rápido que eu. Ou os ciclistas, escudados na estúpida lei mais recente, a ocupar a estreita faixa de asfalto, não lado a lado, como diz a lei, mas em magotes, como é normal agora.

Para viver nos limites

Fazia um nevoeiro frio lá no alto do Montejunto

Fazia um nevoeiro frio lá no alto do Montejunto

Fazia um nevoeiro frio e espesso, quando passei o cruzamento para a Pragança e terminei de subir a serra, até às antenas, a 666 metros acima do nível do mar. O vento era tão gelado como o ar e o termómetro do carro depressa desceu desde os 15º na Abrigada para os 8º no cume de Montejunto. Fiquei por lá pouco tempo – apenas o necessário para fazer meia volta e iniciar a descida. Mas este é somente um pormenor de reportagem.

O Mégane R.S. 275 Trophy foi pensado para viver nos limites

O Mégane R.S. 275 Trophy foi pensado para viver nos limites

O resto conta-se mais em termos de valores de tensão arterial e de batimento cardíaco – ambos, certamente, mais elevados que o desejável. Mas, ‘noblesse oblige’, era preciso! De outra forma, ficava impossível de perceber o que era “isto” em que estávamos (confortavelmente e em absoluta segurança, bem presos pelo cinto vermelho à “bacquet” de couro perfurado negro, com pespontos vermelhos) sentados, “voando” rentinho ao chão. Até porque o recorde – para carros de tração dianteira – da melhor volta ao temível Nürburgring, versão Nordschleife, tem precisamente a assinatura do Mégane R.S. 275 Trophy…e foi conseguido no Verão de 2013: 7m54’36”. Afinal, queira-se ou não, saiba-se ou não, o Renault Mégane R.S. 275 Trophy foi pensado para viver – e ser vivido – nos limites.

Detalhes de exclusividade

São vários os pormenores que fazem a diferença neste R.S. 275 Trophy

São vários os pormenores que fazem a diferença neste R.S. 275 Trophy

Bom, mas deixemo-nos de solilóquios. O que interessa agora é a forma como a própria Renault define o seu novo R.S. e explicar os porquês. “Aprimorar a perfeição!” – exclama a marca do losango, acrescentando a seguir, como definição única: “Potência e exclusividade”.

Irão ser feitos apenas 250 exemplares e deles poucos virão para Portugal

Irão ser feitos apenas 250 exemplares e deles poucos virão para Portugal

Mas qual perfeição? E onde fica a exclusividade? Muito simples: para explicar esta, basta dizer que a placa metálica colocada na soleira da porta do “nosso” Mégane R.S. 275 Trophy tinha o nº 0007. Isto é, trata-se de uma série única, numerada, totalizando apenas 250 exemplares, que serão vendidos “apenas” em 20 países, incluindo Portugal – e cá somente por encomenda e sujeito a disponibilidade. Mas, se tal não basta para perceber onde se encontra a exclusividade do modelo, que sucede a outras séries limitadas do Mégane, como o Trophy (2011), Red Bull Racing RB7 (2012) e Red Bull Racing RB8 (2013), atente bem nos pormenores que exibe.

A assinatura Trophy na lâmina dianteira tipo F1 é um pormenor exclusivo

A assinatura Trophy na lâmina dianteira tipo F1 é um pormenor exclusivo

Começando por fora, aquilo que define este Mégane R.S. 275 Trophy começa por diversos detalhes estilísticos, a saber: assinatura “Trophy”, negra, na lâmina prateada, tipo F1, situada em baixo, na frente. Mas também nas portas e em grande evidência nos painéis traseiros, em ambos os lados da carroçaria. A saída de escape única, negra e em posição central, está rodeada por um difusor inferior, em carbono, com a assinatura Akrapovic bem evidente. Enfim, embora opcionais, as jantes “Speedline Turini” de 19” são novas, em preto, derivam dos Mégane de competição e deixam ver as enormes pinças dos travões, em vermelho.

O interior é desportivamente acolhedor

O interior é desportivamente acolhedor

No interior, as emoções começam logo naquilo que os olhos veem e onde o corpo se senta. Em primeiro lugar, as soleiras das portas estão embelezadas com motivos em prata e ostentam o nº do chassis (o tal 0007, no nosso caso). Depois, os bancos são da Recaro e em couro e alcântara, com pespontos em vermelho, assumindo-se com autênticas “bacquet” de competição, que prendem o corpo como num torno e não deixam nada a “flutuar” nas transferências de massas mais exigentes e rápidas. Os apoios de cabeça têm assinatura “Renault Sport”. O volante e o travão de mão são igualmente em alcântara e a pega da caixa de velocidades é da marca Zamac. À nossa frente, estão dois grandes mostradores com fundo mutante, neutro, deixando uma leitura fácil e imediata.

O espaço é igual mas as 'bacquet' prendem bem o corpo quando se anda depressa

O espaço é igual mas as ‘bacquet’ prendem bem o corpo quando se anda depressa

O espaço é o mesmo que nos outros exemplares do Mégane R.S. – seja na frente, seja nos bancos de trás, ou até na bagageira, onde em opção existe um pneu suplente… de dimensões reduzidas.

As “coisas” desportivas

Na frente sobressaem a lâmina tipo F1 e as novas assinaturas em LED

Na frente sobressaem a lâmina tipo F1 e as novas assinaturas em LED

São várias e, também elas (se calhar, principalmente elas…) contribuem para o caráter brutalmente exclusividade do Mégane R.S. 275 Trophy.

Os dez cavalos a mais não causam qualquer problema de tração às rodas da frente

Os dez cavalos a mais não causam qualquer problema de tração às rodas da frente

Os mais dez cavalos que na edição anterior (com 265 cv) transmitem-se ao solo não apenas pela tração dianteira (que é bem eficaz, até porque existe um controlo de tração -desconectável de forma parcial – algo intrusivo, mas muito útil), mas também através dos novos amortecedores Öhlins Road&Track. Especialmente desenhados para este R.S. pela Öhlins, derivam do Mégane R.S. N4 e dos ralis, têm uma via, são reguláveis e têm molas de aço. As ligações ao solo completam-se com os Michelin Pilot Sport Cup 2, pneus de elevada performance e vocacionados para a condução desportiva e em pista.

O escape tem saída única e surge num difusor em carbono

O escape tem saída única e surge num difusor em carbono

O escape, de saída única, foi feito pela Akrapovic, mestres neste tipo de sistema, para motos ou carros desportivos e que, no caso do Mégane R.S. 275 Trophy, é mais leve e possui uma sonoridade especialmente trabalhada para deleite de quem gosta de uma música forte e inebriante a acompanhar o trabalho rigoroso das mãos e dos pés…

O Mégane R.S. 275 Trophy tem pormenores feitos a pensar na mais pura competição

O R.S. 275 Trophy tem pormenores feitos a pensar na mais pura competição

Porém, “the state of the art” situa-se por dentro do sistema R-Link, que é de série e dá pelo nome de R.S. Monitor 2.0. Trata-se de um sistema de telemetria, que já vimos noutros carros (Clio R.S. 200 EDC e outros Mégane R.S., para só falarmos de Renault) e nele é possível encontrar de tudo um pouco relacionado com a pilotagem desportiva: forças G, aceleração, travagem, temperaturas de óleo e outros líquidos, gráficos disto e daquilo, bla, bla, bla.

O R.S. Monitor 2.0 é interessante mas em estrada aberta o que conta é a condução

O R.S. Monitor 2.0 é interessante mas em estrada aberta o que conta é a condução

Tudo muito bonito e que até pode ser muito útil em circuito, ou para a pessoa que vai ao lado do condutor e não tem mais anda que fazer a não se gozar das sensações e ver as “asneiras” que o piloto de ocasião vai a fazer. Mas, em estrada aberta e com quem vai ao volante mais preocupado em ver se há trânsito no caminho e se não “falha” a estrada ou as trajetórias, o R.S. Monitor 2.0 para pouco ou nada serve… a não ser uma distração que pode sair muito cara. Se estiver a gravar os dados, então poderá ver mais tarde as “marretadas” que fez e acreditar que, se não fossem elas, teria sido mais rápido que o Alain Prost ou o Jean Ragnotti…

As curvas de Montejunto caem que nem ginjas nas capacidades do R.S.

As curvas de Montejunto caem que nem ginjas nas capacidades do R.S.

Bom, explicada a exclusividade e apresentadas as incríveis capacidades dinâmicas do Renautl Mégane R.S. 275 Trophy, agora o melhor é voltar para trás e subir outra vez ao alto da serra do Montejunto. Pode ser que os ciclistas já lá não estejam, a ocupar arrogantemente o caminho; e que naquela curva se consiga, mesmo que um milimetrozinho apenas, fazer descolar a roda traseira do alcatrão… Se não o conseguirmos, também não vem nenhum mal ao mundo: bebemos litros de adrenalina, o coração disparou para cima dos 150 e o carro chegou inteiro ao final. E, por este preço, que outras opções encontra na concorrência?

CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS

Esta é a quarta edição especial limitada do Mégane R.S.

Esta é a quarta edição especial limitada do Mégane R.S.

Motor: Diant., transv., 1.998 cc, 4 cil. em linha, 4 válvulas por cilindro, duas árvores de cames à cabeça, distribuição variável, injeção indireta, turbo compressor com “intercooler”; Potência (cv/rpm): 275/5.500; Binário Máx. (Nm/rpm): 360/3.000 – 5.000; Vel. Máx. (km/h): 255; Acel. 0-100 km/h (s): 5,8; Consumos (l/100 km): 7,5; Consumos AutoanDRIVE (l/100 km): 8,9 [13,3 em ritmo ‘de corrida’]; Emissões CO2 (g/km): 174; Preço (euros): 44.150

O Mégane R.S. 275 Trophy tem um preço base de ?????? euros

O Mégane R.S. 275 Trophy tem um preço base de 44.150 euros

Texto: Hélio Rodrigues; Fotos: C.Santos e Divulgação (Interiores)

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