BMW 216d Active Tourer

“O que é isto?”

BMW 216d Active Tourer (Fotos: Estrada do Campo, Azambuja)

BMW 216d Active Tourer (Fotos: Estrada do Campo e Praia Fluvial da Azambuja)

Pode não parecer, mas este é o melhor título que encontramos para o BMW 216d Active Tourer, depois de termos andado alguns dias com ele pelas estradas e ruas de Portugal. Na verdade, foi essas a pergunta que mais ouvimos, quando as pessoas olhavam para ele e ficavam sem saber o que era. “Será um X4? Não, não parece…” E não é – e as dúvidas ficavam desfeitas quando explicávamos o que era “este BMW”. Até porque a unidade ensaiada não tinha anda que a identificasse…

Mas, afinal o que é isto? “Isto” é o primeiro monovolume assinado pela BMW. E é, também, o primeiro automóvel com tração dianteira produzido pela marca bávara com o duplo rim na grelha e a hélice no “capot” – outrora, foram pensados alguns “esboços” de um primeiro Série 3 com tração dianteira, mas não passaram à produção; hoje, é a marca bávara quem faz os MINI, que têm tração dianteira.

Polivalência…

O Serie 2 Active Tourer inaugura a linha BMW de monovolumes

O Serie 2 Active Tourer inaugura a linha BMW de monovolumes

Disto assim e assim explicado, até parece fácil. E é – mesmo que, na traseira (ou em qualquer otiro lado…) não exista qualquer letrinha a definir que tipo de BMW é este… Uma opção, está claro, embora não custe nada, nem um “eurito” sequer… Também, melhor seria, não é?

Se quiser, não terá nada na traseira que identifique o modelo

Se quiser, não terá nada na traseira que identifique o modelo

Mas, para que fique tudo bem percebido, há algumas coisas que precisa de saber. Por exemplo: a plataforma do Série 2 Active Tourer é a nova UKL 1, concebida a pensar precisamente na tração dianteira e que foi estreada na terceira geração do MINI. Ou: nunca antes a BMW tinha feito uma carroçaria com esta forma, com uma frente curta e mergulhante, uma linha de cintura elevada e uma linha traseira truncada a cair quase na vertical – enfim, o típico monovolume.

As linhas do Active Tourer são elegantes e agradáveis à vista

As linhas do Active Tourer são elegantes e agradáveis à vista

Na verdade, há que dizer que as suas linhas são elegantes, agradáveis à vista, de proporções corretas e que, seja em que situação for, nunca renega a sua origem BMW; dito de outra forma, o Série 2 Active Tourer É um BMW. Muito semelhante ao novo Mercedes-Benz Classe B, que na prática deverá ser o seu rival principal – por exemplo e na verdade, a diferença de preço entre as versões equivalentes 216d e B180 CDI é basicamente “peanuts” – tem boas cotas de habitabilidade, apesar das suas formas compactas. É que, com 4.342 mm de comprimento, uma altura de 1.800 mm e uma largura de 1.555 mm, o seu interior foi bem aproveitado, nele cabendo sem problemas de maior cinco passageiros adultos – embora, como em tantos outros exemplos de automóveis (até de outros segmentos e mesmo de monovolumes maiores…) o passageiro do meio tenha que viajar com um conforto mais reduzido. Mesmo assim, o espaço entre os joelhos e as costas dos bancos dianteiros é mais que suficiente, não gerando conflitos físicos. E a altura ao teto é sempre positiva, mesmo atrás e para pessoas com estatura acima da média.

O interior é bem concebido e tem muita qualidade percetível

O interior é bem concebido e tem muita qualidade percetível

Prático e versátil, o Série 2 Active Tourer apresenta um interior bem concebido, agradável e com uma qualidade percetível ao nível de um veículo premium. A montagem não merece reparos, a qualidade dos materiais escolhidos muito menos. E nem sequer há aqueles plásticos de tato duvidoso, para dizer mal…

No habitáculo luminoso existe bastante espaço disponível

No habitáculo luminoso existe bastante espaço disponível

Num habitáculo luminoso e com uma surpreendente sensação de amplitude, a posição de condução é boa e os bancos merecem também elogios, graças ao apoio que permitem, tanto para as costas, como para as pernas. A regulação em altura e profundidade do volante e as várias hipóteses de regulação do banco do condutor possibilitam encontrar a posição mais relaxante possível para conduzir em longas distâncias, sem “stress” físico ou cansaço suplementar.

Atrás o espaço é somente perfeito para dois dos ocupantes

Atrás o espaço é somente perfeito para dois dos ocupantes

A versatilidade completa-se com os vários espaços, de formas e tamanhos diferentes, espalhados pelo habitáculo: o maior está por baixo do descanso para o braço, na consola central, onde está uma tomada de 12 v e uma entrada USB. Mas há também espaços nas portas da frente e de trás, onde cabem garrafas de água. O porta-luvas é iluminado e ventilado, mas não tem fecho. Nas costas dos bancos traseiros há redes para sustentar objetos e sob o apoio para braços central, dois locais para copos.

A bagageira tem 468 litros de volume divididos por dois pisos

A bagageira tem 468 litros de volume divididos por dois pisos

A bagageira tem um fundo duplo e um volume de 468 litros (incluindo o espaço inferior, de 70 litros) e pode-se jogar com o facto de os bancos traseiros deslizarem longitudinalmente 13 cm. Além disso, rebatem-se na proporção de 40/20/40, ou também de forma individual e o banco do passageiro da frente também se rebate, permitindo um plano mais comprido de carga, muito útil para transportar pranchas de “surf” ou volumes até 2,4 metros de comprimento. O fundo da bagageira é plano e sem obstáculos.

… Economia

A versão ensaiada tinha o novo motor de 3 cilindros 1.5 turbo-Diesel

A versão ensaiada tinha o novo motor de 3 cilindros 1.5 turbo-Diesel

A versão ensaiada pelo AutoanDRIVE foi a equipada com o novo motor tricilíndrico 1.5 turbo-Diesel de 116 cv, também já existente no MINI Cooper D. Na verdade, não se trata da entrada de gama – esta faz-se com o 214d de 95 cv – mas é uma excelente opção face aos 218d, com o conhecido motor 2.0 de 150 cv. Quanto mais não seja, porque gasta menos e custa, de base, menos 5.700 euros, gasta menos 0,3 l/100 km e tem as emissões de CO2 abaixo da linha psicológica das 100 g/km (99, exatamente). O que, realmente, é de fazer pensar bem antes de fazer a escolha… certa.

Dinamicamente não acusa em demasia o facto de ser um tração à frente

Dinamicamente não acusa em demasia o facto de ser um tração à frente

Dinamicamente, o 216d Active Tourer não acusa em demasia o facto de ser um tração à frente. A BMW, consciente da sua tradição de automóveis com tração traseira, procurou minimizar eventuais efeitos nocivos deste novo conceito, fazendo algumas alterações na direção, colocando num único componente a assistência elétrica e mecânica, tornando-a mais sensível. E, efetivamente, conseguiu que o binário não se refletisse na direção, que é um pouco física mas bastante informativa: o binário passou, isso sim, a aparecer no pedal de embraiagem, que “vibra” durante as passagens de caixa, que são rápidas e exatas q.b., mas sem deslumbrarem.

Mesmo assim, não é tão entusiasmente como outros BMW

Mesmo assim, não é tão entusiasmante como outros BMW

O comportamento do Active Tourer não enferma de grandes vícios, mas não resulta tão entusiasmante como noutros BMW. Parece menos desportivo, com a suspensão (que, na frente, é bastante sofisticada e mais rígida), algo mole no modo de condução Comfort – coisa que se atenua no modo Sport, parecendo mais rija e composta. É preciso antecipar levemente as trajetórias, à boa maneira de um monovolume, mas o conforto de rolamento não sai beliscado, muito pela qualidade que se respira a bordo, bem como pelo silêncio do motor – não existem aquelas vibrações típicas de um “velho” três cilindros, nem o ruído algo “asmático” que tantas vezes os caracteriza. Pena que existam alguns ruídos oriundos das barras no tejadilho e dos espelhos, quando se rola mais depressa, em auto-estrada.

A recuperação do bloco tricilíndrico é boa seja em que condições for

A recuperação do bloco tricilíndrico é boa seja em que condições for

A capacidade de recuperação do bloco de três cilindros é boa, não exigindo em desmaia o recurso à caixa manual de seis velocidades que parecem bem escalonadas, eficientes em estrada e no trânsito mais intenso, mesmo na cidade – onde os arranques nos semáforos se fazem sem hesitações e depressa – e permitindo consumos muito perto dos 6 l/100 km, viajando sem o recurso ao modo mais económico, o ECO Plus e quase sempre em modo Comfort  – claro que longe dos 3,8 anunciados pela marca, mas todos sabemos como estes cálculos são feitos. E mesmo tendo, de série, o sistema Start& Stop…

O consumo médio é frugal mas mesmo assim um poujco acima do anunciado

O consumo médio é frugal mas mesmo assim um pouco acima do anunciado

O preço de base do 216d Active Tourer é ligeiramente inferior aos 31 mil euros (que é precisamente quanto custa o equivalente B180 CDI da Mercedes-Benz…), mas já traz de série coisas como bancos em tecido Race antracite/cinza/preto, espelho interior anti-encandeamento, Active Guard e TeleServices.

A unidade ensaiada tinha cerca de 6.000 euros de equipamento opcional

A unidade ensaiada tinha cerca de 6.000 euros de equipamento opcional

Que, ao serem acrescentadas em pormenores como a pintura branco mineral metalizada (554,47 euros); a direção desportiva variável (209,76); sistema de acesso Comfort (327,64); vidros com proteção solar (294,31); barras do tejadilho em preto (193,50); pack Visão (inclui luzes LED com conteúdos expandidos, sistema Media e de Navegação, 1.563,41 euros) e o Pack Line Sport (inclui volante desportivo em pele; jantes em liga leve de 17” com pneus 225/45 R17; bancos dianteiros desportivos; faróis de nevoeiro; sensores de estacionamento traseiros; ar condicionado automático; frisos em preto brilhante com acabamento em Pérola cromado, 1.739,84euros), como era o caso desta unidade – elevam a fatura final para perto dos 40 mil.

CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS

O Active Tourer tem tudo para ser mais um sucesso da BMW

O Active Tourer tem tudo para ser mais um sucesso da BMW

Motor: Diant. transv., 3 cil. em linha, 1.496 cc, turbo-Diesel, 12 v., turbo de geometria variável c./”intercooler”, inj.dir. “common rail”; Potência (cv/rpm): 116/4.000; Binário Máx. (Nm/rpm); 270/1.750 – 2.250; Vel. Máx. (km/h): 195; Acel. 0-100 km/h (s): 10,6; Consumos (l/100 km): 3,8; Consumos AutoanDRIVE (l/100 km); 6,3 (Comfort Mode); Emissões CO2 (g/km): 99; Preço (euros): 30.970 (unidade ensaiada, 38.393)

A unidade ensaiada tinha opcionais que elevaram o preço para quase 40 mil euros

A unidade ensaiada tinha opcionais que elevaram o preço para quase 40 mil euros

Texto: Hélio Rodrigues; Fotos: C.Santos e Divulgação (Interiores)

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One response to “BMW 216d Active Tourer

  1. Adquiri um BMW 216 ACTIVE TOURER(novo 0 Km) em Dezembro e gostando muito deste modelo, notei um grande desconforto na condução do mesmo em virtude de o banco do condutor não estar centrado centrado com o volante.(Nota-se um desvio de cerca 3cm)
    Sou obrigado a conduzir de lado e ter uma posição incorreta para conduzir sendo obrigado a sentar-me mais para o lado esquerdo e um pouco fora do assento.
    Já reclamei para a BMW Portugal e disseram-me que isto era uma característica deste modelo e não um defeito, mas quando da aquisição mo mesmo não fui informado desta característica pois é um grande incómodo na condução magoando-me o assento.
    Agradecia ajuda para este assunto.

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