Renault Clio GT TCe 120 EDC 5 p.

Um ar da sua graça

Renault Clio GT TCe 120 EDC 5 p.

Renault Clio GT TCe 120 EDC 5 p. (Fotos: Praia d’El Rey)

Para quem não consegue chegar ao Clio R.S., mas tem uma paixão pela adrenalina, nem que seja só pela imagem e pouco mais, a Renault tem uma proposta que até é mais que isso: o Clio GT TCe 120 EDC. Tem um aspeto desportivo, com raça e imagem agressiva; tem uma postura divertida; tem coisas que até fazem lembrar o R.S., com a caixa automática EDC com as suas patilhas no volante e o RS Monitor 2.0. E, acima de tudo, tem um preço muito mais, digamos, simpático. Claro, faltam-lhe outras coisas, com uma verdadeira suspensão desportiva e quase uma centena de cavalos. Mas, no mais, até dá um belo ar da sua graça.

Desde logo, começando por fora. O Renault Clio GT destaca-se dos seus irmãos ditos normais” por vestir roupas novas. A começar pelos para-choques específicos, redesenhados e mais musculados e com o de trás a integrar um difusor cinza e as duas saídas dos escapes, cromadas. Os espelhos retrovisores são em prateado e tem um deflector sobre a porta da bagageira, na mesma cor da carroçaria. As jantes são em liga leve, de 17” e com um “design” muito bonito, diga-se de passagem. Depois, há detalhes que reafirmam a sua veia mais desportiva, com a assinatura GT na grelha e atrás, complementada aqui pela “badge” Renault Sport.

Na frente é bem visível a sigla GT indentificativa do modelo

Na frente é bem visível a sigla GT indentificativa do modelo

No interior, esta veia mais ousada é transportada através dos bancos dianteiros desportivos, com excelente apoio lateral e para as pernas, onde nos encaixamos deliciosamente. Até parece que acabámos de entrar noutro mundo Clio… E, de certa forma, sim: lá está à nossa frente o volante desportivo, forrado a couro e com pespontos brancos (ou vermelhos…) e com a assinatura GT, cromada, bem ao cair do olhar. Além disso, as grandes patilhas por trás dele, prateadas, despertam sentidos pouco convenientes para a pacatez mental.

O interior é desportivo e os bancos têm bom apoio

O interior é desportivo e os bancos têm bom apoio

Mas não é tudo. A pedaleira (dois enormes pedais para acelerar e para travar) é em alumínio e perfurada. O apoio para o pé esquerdo é igualmente metálico. A manete da caixa de velocidades é metálica e em pele que, tal como no fole, é em preto e também tem pespontos. No painel de instrumentos, brilham os manómetros em fundo desportivo, branco. O cinto de segurança é da Renault Sport. O tejadilho é forrado a tecido negro, infelizmente com algumas folgas na montagem. Bem a meio do painel de bordo, revestido em plásticos de boa qualidade, incluindo inserções a imitar alumínio escovado, está bem visível a inserção “Renault Sport”.

As enormes patilhas por trás do volante não passam despecerbidas

As enormes patilhas por trás do volante não passam despecerbidas

E, “the last but not the least”, a Renault até propõe o RS Monitor 2.0, a partir do sistema de conetividade R-Link: e nele se podem encontrar dados instantâneos, como o binário, potência, temperatura da água e do ar de admissão, pressão do turbo, temperatura da caixa e das embraiagens, bem como desempenhos como a aceleração dos 0 aos 50 km/h e aos 100 km/h, tempo de travagem dos 100 aos 0 km/h, acelerações laterais e longitudinais (as forças G, no diagrama GG). Até parece, repetimos nós, que estamos noutro Clio – enfim, este é o poder da imagem.

Cordeirinho atrevido

O Clio GT parece mais desportivo do que na realdiade é

O Clio GT parece mais desportivo do que na realidade é

Pois é, mas não estamos. Este não passa do Clio GT – a forma encontrada para impressionar quem não se consegue chegar à frente… Ou seja, até ao Clio R.S. “verdadeiro”, o tal de 200 cv. É que, no lugar do motor turbo 1.6, está um 1.2, também com turbo, é certo, mas mais pequeno. Uma espécie de “downsizing” – até das emoções. Os seus 120 cv são vivos, é verdade, mas não demasiado, acusando alguma complacência com uma postura bonacheirona, sem não insistirmos com ele.

Existem dois modos de condução, um Normal e outro Sport, mais assertivo e dinâmico

Existem dois modos de condução, Normal e Sport, este mais assertivo e dinâmico

E, para isso, temos duas opções de condução. Uma, a natural, chamada “Normal”, vai mais ao encontro do conforto e de uma certa suavidade de rolamento. A outra é mais bicuda e ativa-se carregando no botão RS Drive situado na consola central. No “tablier”, acende-se então um aviso, a verde, que diz Renault Sport. E estamos lançados: as passagens da caixa (EDC de seis velocidades e dupla embraiagem. sequencial, com modo manual e ativada pelas ditas patilhas por trás do volante) ficam mais rápidas (às vezes, “baralham-se” um pouco… e entra uma relação mais baixa, em vez da seguinte…), o ESP fica menos reativo e dá para “brincar” um bocadinho de curva para curva, a direção torna-se mais informativa e precisa e a resposta do pedal do acelerador é mais assertiva.

Na traseira destaca-se o difusor com as ponteiras de escape triangulares

Na traseira destaca-se o difusor com as ponteiras de escape cromadas

Mas atenção: este Clio está longe de ser o Clio R.S. É, na verdade, aquilo que chamamos de falso desportivo: apesar de tudo, a carroçaria adorna um “niquinho” em curva e sente-se uma certa falta de rigidez nas ligações ao solo. Mesmo assim, com o uivar rouco do 1.2 TCe, o controlo das passagens de caixa feitas pelas patilhas e todo o ambiente a bordo, dá bem para – por um fugaz momento… – nos imaginarmos no seu irmão mais “pesado”. E até os consumos são a preceito – nunca conseguimos baixar dos 7,8 l/100 km, tendo a certeza de eles disparam para lá dos 10 litros em ritmo, digamos, mais acelerado.

Mesmo sem ser um desportivo puro e duro o Clio GT já dá um certo gozo

Mesmo sem ser um desportivo puro e duro o Clio GT já dá um certo gozo

Porém, o Clio GT de 120 cv já dá para um certo gozo. E, por menos cerca de 9.000 euros que o Clio R.S. (a partir dos 20.580, contra 29.690 do mais potente), percebe-se bem a razão da sua existência. Além disso, o equipamento inclui coisas mais “normais”, como o ar condicionado automático, limitador de velocidade e “cruise control”, sensores de chuva e de luz e o R-Link. A câmara de marcha-atrás é um opcional.

CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS

Além disso custa menos 9.000 euros que o Clio R.S. 200 EDC

Além disso custa menos 9.000 euros que o Clio R.S. 200 EDC

Motor: Diant., transversal, 4 cil. em linha, 1.197cc, distribuição variável, duas árvores de cames, 16 v, inj.directa, turbo c./”intercooler”; Potência (cv/rpm): 120/4.900; Binário Máx. (Nm/rpm): 190/2.000; Vel. Máx. (km/h): 199; Acel. 0-100 km/h (s): 9,4; Consumos (l/100 km): 5,2; Consumo AutoanDRIVE (l/100 km): 7,8; Emissões CO2 (g/km): 120; Preço (euros): 20.580

O Renault Clio GT TCe 120 EDC de 5 portas custa 21.230 euros

O Renault Clio GT TCe 120 EDC de 5 portas custa 20.580 euros

Texto: Hélio Rodrigues; Fotos: C.Santos e Divulgação (Interiores)

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