Gérard Ducarouge (Paray-le-Monial, 23-10-1941 – Neuilly-sur-Seine, 19/02/2015)

O mago que ajudou outro mago

Senna conversa com Ducarouge - uma ligação muito especial entre dois magos

Senna conversa com Ducarouge – uma ligação muito especial entre dois magos

Gérard Ducarouge, o lendário engenheiro francês de F1 quer produziu os carros com que Jackie Stewart e Ayrton Senna brilharam, morreu aos 73 anos. Começou na Matra, mas foi com o brasileiro que se tornou lenda – e ajudou a criar outra.

Tal como muitos outros engenheiros de automóveis, Gérard Ducarouge criou as suas bases na indústria aeronáutica. Depois de se ter licenciado na École Nationale Technique d’Aéronautique, juntou-se à Nord Aviation, em 1964, ajudando a criar vários mísseis. Mas por pouco tempo: em Dezembro de 1965 arranjou emprego como técnico na Matra, trabalhando primeiro nos F3 e em 1966 na F2. Então, já na Matra-Sports, desenhou o MS10 e o MS80, com que Jackie Stewart conquistou o seu primeiro título de Campeão do Mundo de F1, em 1969. Nos anos seguintes, esteve no projeto da marca em Le Mans, estando por trás dos três triunfos na prova, entre 1972 e 1974.

Neste ano, quando a Matra deixou o automobilismo, Ducarouge juntou-se ao seu amigo Guy Ligier, na nova equipa de F1 , que ficava mesmo junto à sua casa, em Paray-le-Monial – e, em 1976, quando a Ligier chegou à F1, ele estava lá. O seu génio veio de novo ao de cima, ao desenhar o JS7 que, equipado com um motor V12, venceu o GP da Suécia em 1977, com Jacques Laffite ao volante. Mas a meio da temporada de 1979 foi dispensado pela Ligier e, após um curto perídio com a Alfa Romeo, foi para a Lotus, a meio de 1983.

E foi na Lotus, já sem Colin Chapman, que passou o melhor período da sua carreira de “designer” de carros de F1. Na Lotus, encontrou o equivalente em pilotagem ao seu talento: Ayrton Senna. Com o piloto brasileiro, estabeleceu uma relação de amizade – foi ele que proferiu a célebre frase “mas este tipo é mágico!”, que se colou que nem uma luva ao enorme talento de Senna (e, já agora, de ambos). Foi ele quem ajudou Senna a atingir o estrelato com a Lotus, a ser líder de equipa. E foi ele quem mais efusivamente festejou o primeiro triunfo do brasileiro na F1, em 1985, encharcado pela chuva do Estoril.

Na Lotus, mal chegou e desenhou logo o 94T, em cinco semanas – o seu primeiro, que ajudou a salvar a temporada da equipa. Em 1984, fez o 95T, fácil de pilotar e que Elio de Angelis levou ao 3º lugar no Mundial, apesar de não ter ganho qualquer corrida. Ao mesmo tempo, trabalho para a equipa na IndyCar e criou o 96T, que tinha um inovador chassis tipo ninho de abelha em alumínio.

O carro que fez para Senna foi o 97T e com ele ganhou ainda na Bélgica, antes de aparecer, sucessivamente, o 98T (1986) e o 99T, (1987), o primeiro a ter suspensão ativa e motor Honda V6 Turbo. Senna venceu seis corridas e, no final e 1987, foi para a McLaren. Desamparado, Ducarouge ainda fez o 100T (1988) e o T101 (1989), mas nunca se entendeu com Nelson Piquet, que odiava e, coma  Liotus em queda livre de competividade, abandonou a equipa e regerssou a França, onde aceitou uma oferta da Larrousse, em 1990, onde ajudou a desenvolver um Lola que se tornou inguiável com o motor Lamborghini V12. Assim, em 1992 regressou à Ligier, onde ficou até 1994. Então, como o maior amor é sempre o primeiro, Ducarouge voltou à Matra. Como diretor de projetos internacionais e onde ajudou a desenvolver, entre outros, o Renault Espace F1.

HR

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