Extensão das lesões de Bianchi ainda desconhecidas

Pode demorar cerca de um mês a saber quais serão

Extensão das lesões de Bianchi só será conhecida dentro de um mês

Extensão das lesões de Bianchi só será conhecida dentro de um mês

Jules Bianchi, sobre cuja situação clínica não existirá hoje qualquer comunicado médico, mantém-se na UCI do hospital em que foi internado depois do seu acidente em Suzuka. Está em coma, em estado crítico e a sua situação continua a ser muito grave, embora estável. A família, os médicos e a equipa Marussia divulgaram ontem que o francês, de 25 anos, teria sofrido uma lesão axonal difusa no cérebro, cujas consequências são “devastadoras” na maior parte dos casos. Ou seja, de acordo com clínicos especialistas no assunto, ”este é o quadro clínico que qualquer médico mais detesta encontrar” num paciente atingido por uma lesão cerebral que “é frequente nos casos de acidente de moto ou de automóvel a alta velocidade.” Porém, vai demorar ainda cerca de três semanas a um mês, ou mesmo mais, para se ficarem a conhecer quais os danos precisos no cérebro de Bianchi e quais as suas reais hipóteses de recuperação. Para já, a sua família (os pais, Philippe e Christine, que voaram para o Japão acompanhados por Nicolas Todt, filho do presidente da FIA e “manager” do piloto) está regularmente a seu lado.

 Os mesmos especialistas adiantam que “as hipóteses de recuperação [de Bianchi] são diminutas.” Uma lesão como aquela que sofreu não é localizada como um  hematoma (no género, por exemplo, da que sofreu Michael Schumacher), mas antes está espalhada por todo o cérebro (daí, a sua designação de difusa), tendo sido causada por uma espécie de “chocalhar” de todo o cérebro, em consequência das enormes forças de desaceleração a que esteve sujeito o francês. Este “chocalhar” quebra muitas das radículas que predem o cérebro, bem como destrói muita da sua massa branca, “provocando hematomas e matando as células”. A defesa do corpo a isso é o inchaço – que agrava ainda mais o problema, porque restringe os fluxos de sangue para o cérebro, causando ainda mais danos.

A recuperação deste tipo de lesões é considerada “pouco encorajadora”. Ichiro Miyao, que lidera um grupo de apoio que existe no Japão a este tipo de pacientes, diz que aqueles que conseguem recuperar “frequentemente sofrem de imparidade permanente de várias funções no cérebro“ e “efeitos severos”, que podem incluir perda de memória e de consciência espacial – em suma, coma ou estado vegetativo.

Shiji Nagahiro, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Tokushima, explica que “se um paciente ganhar consciência, o recuperar na totalidade ou em parte, depende do grau da lesão e de que parte do cérebro foi afetada. Muitos ficam de cama durante anos, com os seus corpos paralisados, enquanto outros respondem à reabilitação.”

E adianta: “De uma forma geral, os médicos precisam de esperar algumas semanas, no mínimo um mês, até perceberem e poderem dar um prognóstico sobre a lesão e os seus efeitos imediatos.”

Para já, Jules Bianchi continua no mesmo hospital para onde foi levado no domingo, de ambulância por causa da gravidade e instabilidade do seu estado e não porque as condições meteorológicas impedissem a utilização do helicóptero, conforme foi então explicado. Os médicos renunciaram a colocar restrições às visitas, por forma a que os seus pais possam estar a seu lado sempre que quiserem e isso for possível.

Cientistas de renome internacional e com anos de acompanhamento da F1, com os professores Gerard Saillant e Alessandro Frati, voaram para o Japão e têm-se reunido com a equipa que assiste o piloto da Marussia, que terá mesmo sofrido uma segunda operação na noite de segunda-feira, algo que nunca foi confirmado.

O hospital, a quem os pais de Bianchi já agradeceram publicamente “tudo o que os seus médicos fizeram pelo Jules desde o seu internamento”, irá continuar a monitorizá-lo e a tratá-lo continuamente, reservando “para quando for apropriado” a publicação de novos boletins clínicos.

HR

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