Andrea de Cesaris (31/05/1959 – 05/10/2014)

Ex-piloto de F1 morreu num acidente de moto

Andrea de Cesaris (31/05/1959 - 05/10/2014)

Andrea de Cesaris (31/05/1959 – 05/10/2014)

Morreu Andrea de Cesaris! Aos 55 anos, o piloto que ficou conhecido pelos inúmeros acidentes que protagonizou na F1, tendo mesmo sido despedido da Ligier depois de um espetacular despiste em Zeltweg, que destruiu o “enésimo” chassis da equipa, em 1985, não resistiu a um acidente de moto, na sua Roma natal. De Cesaris, que se estreou no GP do Canadá de 1980, com 21 anos, deixou a F1 depois de 214 GP, nunca tendo ganho nenhum, em 1994. Pilotou para equipas como a Alfa Romeo, McLaren, Minardi, Brabha, RIAL, Jordan, Tyrrell, Dallara  Sauber, onde encerrou a sua carreira na F1.

Andrea de Cesaris faz, inegavelmente, parte do folclore da F1. Estreou-se em 1980, graças ao dinheiro que o seu pai, que era diretor da Philip Morris (Marlboro) em Itália e se mexia consideravelmente bem nos meandros dos patrocínios, conseguiu da tabaqueira. Aliás, foi durante muitos anos um verdadeiro “paitrocinador” para o filho, que tinha antes feito uma notável carreira nos “karts” e outra muito breve nas fórmulas de promoção onde conseguiu como melhor resultado o “vice” na F3 britânica, em 1989, o ano em que Chico Serra foi Campeão. Depois, subiu à F2 com o Project 4 de Ron Dennis, sendo chamado para substituir Vittoria Brambilla na Alfa Romeo, estreando-se na F1 no final da temporada de 1980.

Porém, para lá do seu palmarés, onde até constam diversos resultados lisonjeiros, espelho da sua grande rapidez e coragem, Andrea ficou cedo conhecido por…  “De Crasheris”. E porquê?

De Cesaris tinha um problema nervoso que lhe provocava tiques faciais impressionantes. Era frequente, nas grelhas de partida, com todos prontos a arrancar e, de repente, ver-se apenas o branco dos seus olhos dentro do capacete, pois uma das coisas que esses tiques lhe faziam era permitir “rebolar” os olhos dentro das órbitas, de forma incontrolável. Nelson Piquet, por exemplo, tinha um pavor tremendo em largar a seu lado. E, quando se estreou, houve alguns pilotos que ameaçaram mesmo não alinhar nos GP em que ele estivesse presente!

De Cesaris fez 208 GP e desistiu em 148 tendo uma das maiores médias neste tipo de resultado. Curiosamente, apesar daquilo que se pensava – ele transportava para dentro das corridas essa propensão para os tiques – de que um dia haveria uma tragédia provocada por um desses ataques de tiques, ele garantia que isso nunca iria suceder: “Não há problema nenhum! Mal entro no carro e acelero, isso passa!”

Seja como for, no anedotário da F1 há algumas imagens inesquecíveis. Como aquele acidente, em Zeltweg, durante o GP da Áustria de 1985, quando o seu Ligier saiu para a barreira relvada e deu dois saltinhos e depois três capotamento perfeitos, um deles quase de bico, aterrando de rodas para baixo. Ileso mas algo esbaforido, o pobre do Andrea saiu dos destroços, olhou para eles e afastou-se um bocado, sentando-se na terra, com a cabeça entre as mãos. Mal entrou nas boxes, Guy Ligier despediu-o!

Ou quando se despistou nos treinos para o GP da Holanda de 1981, na curva Tarzan, em Zandvoort, mesmo junto ao “placard” de publicidade da Michelin e o Bibendum apanhou um tal cagaço, que desatou a fugir do anúncio! Existem “fotos” disso  – na época, incluindo no site da Michelin – e quem lá esteve e viu, garante não são (foram) nenhuma montagem! Até porque nessa altura ainda não existia Photoshop…

Dizem também as más línguas que, na McLaren, em 1981, ano em que destruiu 16 chassis em 15 GP, entre treinos e provas, Teddy Mayer o obrigou a pagar do seu bolso 200 mil dólares por chassis destruído, depois do dia em que desfez o seu 5º!

Seja como for, o problema dos tiques, que de fato aconteciam mesmo com o carro em andamento, foi solucionado com uma cirurgia em 1990 e, partir daí, De Cesaris ficou outro piloto.

Depois de pendurar o fato de competição, De Cesaris tornou-se num calmo e bem sucedido corretor da bolsa no Mónaco e a única adrenalina que se permitia eram pacatas incursões de “wind surf” na baía de Cannes.

B.I.

Nome: Andrea de Cesaris

Nascimento: 31 de Maio de 1959, em Roma

Falecimento: 5 de Outubro de 2014, em Roma

Causa da morte: Acidente de moto

Atividade na F1: 28/09/1980-16/10/1994

Primeiro GP F1: GP Canadá 1980

Último GP F1: GP Europa 1994

GP disputados: 214 (208 largadas)

Vitórias:

“Pole positions”: 1

Melhores voltas em corrida: 1

Pódios: 5

Pontos: 59

Melhor resultado CM F1: 8º, em 1983 (15 pontos)

Voltas/Kms. percorridos: 7.702/35.591

GP/Kms. na liderança: 2/175

Marcas/Equipas: Alfa Romeo (1980 1982-83); McLaren (1981); Ligier (1984-85); Minardi (1986); Brabham (1987); RIAL (1988); BMS Scuderia Italia/Dallara (1989-90); Jordan (1991/1994); Tyrrell (1992-93); Sauber-Mercedes (1994)

PALMARÉS (F1)

1980 – Alfa Romeo:2 GP. Não pontuou

1981 – McLaren: 15 GP; 1 NA; 18º CM, 1 ponto

1982 – Alfa Romeo: 16 GP; 17º CM, 5 pontos

1983 – Alfa Romeo: 15 GP; 8º CM, 15 pontos

1984 – Ligier: 16 GP; 18º CM, 3 pontos

1985 – Ligier: 11 GP; 17º CM, 3 pontos

1986 – Minardi: 16 GP; 1 NQ. Não pontuou

1987 – Brabham: 16 GP; 14º CM, 4 pontos

1988 – RIAL: 16 GP; 15º CM, 3 pontos

1989 – BMS Scuderia Italia/Dallara: 16 GFP; 1 NQ; 16º CM, 4 pontos

1990 – BMS Scuderia Italia/Dallara: 16 GP; 1 NQ 1 DQ. Não pontuou

1991 – Jordan: 16 GP; 1 NPQ; 9º CM, 9 pontos

1992 – Tyrrell: 16 GP; 9º CM, 8 pontos

1993 – Tyrrell: 16 GP; 1 DQ. Não pontuou

1994 – Jordan: 2 GP. Sauber-Mercedes: 9 GP; 19º CM, 4 pontos

Hélio Rodrigues

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