Ford EcoSport 1.0 EcoBoost 125 cv Titanium

Uma estranha surpresa

Ford EcoSport 1.0 EcoBoost 125 cv Titanium

Ford EcoSport 1.0 EcoBoost 125 cv Titanium

O EcoSport é a sua mais recente tentativa da Ford em voltar a ter, na Europa, um SUV (ou “crossover”?) dentro do segmento B. Com a base mecânica – plataforma e motores – do Fiesta, herda deste as mesmas qualidades, mas acrescenta alguns defeitos, que são mais de forma que de feitio. O seu aspeto pode parecer algo antiquado e desfasado dos atuais e exigentes, em questões de linguagem de estilo, cânones europeus. Mas o resultado não deixa de ser uma surpresa. Estranha, é certo – mas uma surpresa.

Mas comecemos por explicar porque esta surpresa é estranha. Muito simples: tem tudo a ver com o conceito. Não é que seja inédita a presença de um SUV, ou monovolume, ou “crossover”, no segmento B. Nem sequer na Ford: já lá vão 12 anos (em 2002), a Ford lançou o Fusion, uma tentativa, falhada, de ter um pequeno monovolume neste segmento: durou uma dezena de anos e acabou em 2012, sem nunca ter convencido ninguém.

O EcoSport é mais uma tentativa da Ford em ter um SUV no segmento B

O EcoSport é mais uma tentativa da Ford em ter um SUV no segmento B

Quase logo de seguida, no Verão desse ano, surgiu o Ford B-MAX, um (verdadeiro) monovolume compacto, na senda dos C-MAX e S-MAX, já então e desde há alguns anos, presentes, com algum sucesso, nos segmentos superiores. Esta do B-MAX foi uma ideia que recebeu (tem recebido…) uma aceitação bem melhor, embora não se assumindo como um “best-seller”.

O EcoSport já tem 11 anos mas só agora chega à Europa

O EcoSport já tem 11 anos mas só agora chega à Europa

Agora, chega o EcoSport. E é nele que reside a estranheza da surpresa. Primeiro, porque não é um conceito original, pioneiro ou, sequer, novo. Não: o EcoSport apareceu em 2003, nos mercados sul-americanos, em especial mo Brasil, onde vem conhecendo um enorme sucesso. Chega, no entanto, apenas agora aos mercados europeus – e é aqui que está a segunda parte da surpresa.

O EcoSport mantém a mais recente linguagem de estilo da Ford

O EcoSport mantém a mais recente linguagem de estilo da Ford

O EcoSport mantém a mesma linguagem de estilo que ostenta do outro lado do Atlântico e que, na Europa resulta pouco – ou melhor, provoca um franzir de sobrancelhas, muito embora tenha sido atualizada de acordo com a mais recente linguagem e estilo da Ford. E é aqui que está a principal estranheza do modelo. A sua frente inspira-se claramente na do renovado Fiesta, mas é quase brutal, demasiado poderosa e ainda por cima espalhafatosa e curiosamente recortada pelo cromatismo de imensos frisos brilhantes, colocados a toda a volta da grelha trapezoidal, hoje a imagem da Ford, e dos grupos óticos. Um exagero!

A quinta roda "pendurada" no portão traseiro é um elemento algo estranho

A quinta roda “pendurada” no portão traseiro é um elemento algo estranho

Porém, o que se torna mais estranho é a presença da quinta roda, de tamanho natural, no portão traseiro – e, pior ainda, com uma cobertura, é certo que da mesma cor da carroçaria, mas funcionando como uma espécie de abcesso visual. É que, de perfil, o EcoSport até tem um aspeto moderno e ousado… que fica estragado com a dita cuja roda. Mas, seja qual for a subjetividade da apreciação, a verdade é que esta é uma solução “século XX” e hoje cada vez menos usada…

Os bons genes herdados

O EcoSport possui um comportamento muito são e eficaz

O EcoSport possui um comportamento muito são e eficaz

Bom, seja lá como for, bonito ou feio, estranho ou consensual, o certo é que o Ford EcoSport herdou muitos dos genes do Fiesta. E, de uma forma geral, herdou (quase) todos os bons genes. A começar pelo comportamento, pois a sua base rolante (plataforma, suspensões) é a mesma exatamente daquele modelo, bem como do B-MAX. Assim, porta-se bem em qualquer circunstância, exibindo somente alguma tendência em fugir de frente nas curvas mais apertadas, coisa que se corrige sem dificuldade com o acelerador. E a suspensão, embora rija q.b., absorve bem as irregularidades do terreno, sem ruído e sem se tornar agressiva para o conforto interior.

A sua maior altura ao solo permite algumas aventuras longe do asfalto

A sua maior altura ao solo permite algumas aventuras longe do asfalto

Além disso, a sua carroçaria não adorna em demasia, apesar do centro de gravidade mais elevado – e não apenas pelas suas formas de SUV, mas porque é mais alto que o normal em relação ao solo (20 cm), já que (a ao contrário da Europa, onde apenas estão previstas versões com tração dianteira), nos seus mercados naturais está disponível com tração 4×4. O que, já agora, também justifica os excelentes ângulos de ataque, ventral e de fuga (25º, 25º e 35º), permitindo-lhe algumas veleidades fora do asfalto.

O interior do EcoSport replica os do Fiesta e do B-MAX

O interior do EcoSport replica os do Fiesta e do B-MAX

O interior, que replica o do Fiesta, no que diz respeito à instrumentação, ergonomia e, em parte, qualidade dos materiais (embora aqui e ali se notem algumas tendências “terceiro mundistas – afinal, o EcoSport é construído no Brasil… – na montagem, como junto aos pilares A e na bagageira) surge com espaço mais amplo, em especial atrás, onde os passageiros conseguem viajar com mais espaço para os joelhos e a cabeça e mesmo lateral, graças à estruturação plana dos bancos. Tudo porque, apesar de “igual” ao Fiesta, as suas dimensões são maiores, no comprimento (4,235 m contra 3,969 m), na largura (1,765 m contra 1,709 m) e na altura (1,665 m contra 1,495 m). Pena, no entanto, que os bancos (quer na frente, quer atrás) tenham pouco apoio para as pernas e sejam algo duros e desconfortáveis, em especial nas viagens mais longas, apesar de, nas versões Titanium, serem forrados em couro.

Apesar disso há mais espaço nos bancos traseiros

Apesar disso há mais espaço nos bancos traseiros

E já que falamos na bagageira, a retirada do pneu suplente para o exterior aumentou o seu volume, que é agora de 310 litros. Só que eles existem em altura, tornando-a pouco prática, até porque nela se destacam as cavas das rodas e, com os bancos rebatidos (60/40), o fundo não fica totalmente plano, já que o piso assim descoberto fica mais baixo que o da bagageira original, embora o volume mais que duplique. Além disso, a pala superior é algo frágil e propensa a ruídos parasitas.

A bagageira tem um bom volume mas é muito profunda

A bagageira tem um bom volume mas é muito vertical

Por outro lado, a colocação da roda no portão obriga à sua abertura para o lado (esquerdo) e não para cima, diminuindo assim o espaço útil de estacionamento, em especial quando se tem carros atrás…

A bondade de um bom motor

O AutoanDRIVE ensaiou a versão 1.0 EcoBoost de 125 cv

O AutoanDRIVE ensaiou a versão 1.0 EcoBoost de 125 cv

O AutoanDRIVE ensaiou a versão equipada com o já bem conhecido (quase um “case study”…) e elogiado bloco 1.0 EcoBoost a gasolina, de três cilindros, menos de um litro de capacidade, um pequeno turbo e com a potência estendida aos 125 cv. Na realidade, a nossa curiosidade em experimentar um motor que já conhecíamos do Fiesta e B-MAX, na sua versão de 100 cv e do Fous SW, com 125 cv, levou-nos a “pedir” o EcoSport 1.0 EcoBoost também com 125 cv, em detrimento da versão com o novíssimo motor 1.5 TDCI, de 90 cv. E não ficámos defraudados, relegando para próxima oportunidade a experiência com o bloco turbo-Diesel.

Associado a uma caixa de 5 velocidades o bloco de 3 cilindros nunca se faz rogado

Associado a uma caixa de 5 velocidades o bloco de 3 cilindros nunca se faz rogado

Associado a uma caixa manual de (apenas) cinco velocidades, o bloco tricilíndrico nunca se faz rogado, em nenhuma situação, graças não apenas ao seu binário de 170 Nm a “saltar” logo a partir das 1.400 rpm, como também a bom escalonamento da caixa, que é de fácil engreno embora o cursor seja um pouco duro e ruidoso – o que, na realidade, não é nenhum defeito, mas somente feitio…

O EcoBoost não é muito ágil e tem consumos na ordem dos 6,5 l/100 kms

O EcoBoost não é muito ágil e tem consumos na ordem dos 6,5 l/100 kms

Claro que o EcoSport não é nenhum “dragster” em recuperações, nem atinge uma velocidade máxima estratosférica (os números são aliás algo cinzentos: 12,7 s dos 0 aos 100 km/h e 180 km/h, respetivamente), mas nunca deixa ficar mal e, no final, permite consumos vagamente interessantes, na casa dos 6,5 l/100 kms. Uma surpresa que (ao contrário da aparência) nada tem de estranha e, além do mais, é até boa.

O nível Titanium oferece-lhe muito equipamento de série

O nível Titanium oferece-lhe muito equipamento de série

Esta qualidade (boa surpresa) expande-se no equipamento disponível. Nivelado como Titanium, acarreta de série itens como o ar condicionado automático; banco do condutor regulável em altura; rádio com leitor de CD e MP3 e entradas AUX e USB e comandos no volante; computador de bordo; fecho central de portas com comando e chave inteligente (acesso sem chave e botão de arranque Ford Power); vidros elétricos nas quatro portas; faróis de nevoeiro; “cruise control”; sensores de luz e de chuva; espelhos de regulação elétrica; barras no tejadilho; ABS e ESP; airbags frontais (condutor, passageiros e de proteção dos joelhos do condutor), laterais para tórax e pélvis e cortinas laterais a todo o comprimento; e sistema de imobilizador eletrónico PATS.

As jantes de 17" fazem parte do equipamento proposto na fase de lançamento

As jantes de 17″ fazem parte do equipamento proposto na fase de lançamento

Na fase de lançamento, as jantes em liga leve de 17”, o Ford SYNC com Applink, o retrovisor interior eletrocromático, o “cruise control”, os sensores de estacionamento atrás e os faróis e limpa-vidros automáticos (Pack Further) são uma oferta da Ford na fase de lançamento. Os bancos em couro com costuras em vermelho fazem parte do opcional Pack Couro (850 euros). Tudo isto por menos de 21 mil euros, um valor bastante competitivo, em comparação com rivais como o Opel Mokka/Chevrolet Trax, o Renault Captur ou o Peugeot 2008.

O EcoSport paga Classe 1 nas portagens

O EcoSport paga Classe 1 nas portagens

Ah! Um pormenor: no início, o EcoSport era Classe 2 nas portagens, algo absolutamente anedótico, tendo em conta, por exemplo, que o bem maior Kuga pagava Classe 1. Porém, a Ford negociou com as Estradas de Portugal e, mediante alterações na suspensão dianteira, voltou a homologar o EcoSport, garantindo assim o bem mais justificado pagamento em Classe 1.

CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS

O FoOé uma boa rposta no segmnto B

O EcoSport é uma boa proposta no segmento B

Motor: Dianteiro transversal, 3 cil., 999 cc, duas árvores de cames à cabeça, 12v, turbo , inj.direta a gasolina; Potência (cv/rpm): 125/6.000; Binário Máx. (Nm/rpm): 170/1.400 – 4.500; Vel. Máx. (km/h): 180; Acel. 0-100 km/h (s): 12,7; Consumos (l/100 km): 5,3; Consumos AutoanDRIVE (l/100 km): 6,6; Emissões CO2 (g/km): 125; Preço (euros): 20.850

O EcoSport 1.0 EcoBoost 125 cv Titanium custa 20.850 euros

O EcoSport 1.0 EcoBoost 125 cv Titanium custa 20.850 euros

Texto: Hélio Rodrigues; Fotos: Divulgação

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