Citroën C4 Cactus 1.6 e-HDi 90 ETG6 Feel Edition

A CocaCola francesa

Citroën C4 Cactus 1.6 e-HDi 90 ETG6 Feel Edition (Fotos: Serra dos Candeeiros e Algés)

Citroën C4 Cactus 1.6 e-HDi 90 ETG6 Feel Edition (Fotos: Serra dos Candeeiros e Algés)

Podia ser outro o título. Tipo: O irreverente. O ovo de Colombo, porque tudo nele parece natural. Um ORNI na estrada. Mas não: escolhemos este – a CocaCola francesa. Porquê? Porque, tal como a famosa bebida, primeiro estranha-se e depois entranha-se. Perceba porquê, já a seguir.

Antes de mais, um esclarecimento: se está á espera de um relambório mais ou menos técnico, a explicar as decisões e os porquês do C4 Cactus ser “assim”, então não continue a ler. Antes clique no link que se segue e, lá, tem aquilo de que está à procura: https://autoandrive.com/2013/09/17/citroen-cactus-aponta-o-futuro/

O C4 Cactus destaca-se de imediato pela estética arrojada

O C4 Cactus destaca-se de imediato pela estética arrojada

Mas, se aquilo que quer ler é o que se ode sentir ao olhar as suas formas, no mínimo, ousadas ou o seu interior quase nu, mas ressumando uma surpreendente qualidade, então continue ligado a nós. E continue a ler.

Cortar com todos os cânones

O C4 Cactus corta com todos os cânones até agora instituídos

O C4 Cactus corta com todos os cânones até agora instituídos

Pois é: o Citroën C4 Cactus é um automóvel que corta com todos os cânones até agora instituídos. Pegando na linguagem jurídica é como fazer jurisprudência naquilo que se exige e se deseja de um automóvel. E não é só no aspeto “físico” do Cactus – lembramo-nos, uns para o bem, outros para o mal, de exemplos de exercícios estilísticos que, há mais ou menos tempo, deixaram muita gente estupefata. Mas que, nem por isso, deixou de os preferir.

A frente tipo OVNI tem três partes distintas e identifica de imediato o modelo

A frente tipo OVNI tem três partes distintas e identifica de imediato o modelo

Estamos a lembrar-nos, para apenas citar uma meia-dúzia mais recente, do KIA Soul, do FIAT Doblò, da segunda geração do SEAT Toledo, dos Renault VelSatis, Twingo e Mègane (primeiras gerações), do Chrysler PT Cruiser, dos SsangYong Korando e Actyon, do smart ou do Hyundai Veloster, com as suas duas portas de um lado e apenas uma do outro. Ou, enfim, naquele exercício de puro charme que dá pelo nome de Peugeot RCZ. Mas o C4 Cactus vai mais longe do que ser um mero devaneio formal.

Também de lado o C4 Cactus não deixa ninguém com dúvidas sobre o que é

Também de lado o C4 Cactus não deixa ninguém com dúvidas sobre o que é

Aquilo que presidiu à ideia do Cactus, no já longínquo ano de 2007, foi conceber um automóvel limpo, leve e simples no “design”, mas onde as tecnologias úteis fossem maioria. E isso está bem evidente quando se olha para ele. Se bem que baseado na plataforma do C3, em vez da múltipla e moderna EMP2 dos novos C4 Picasso ou Peugeot 308, o Cactus tem dimensões muito aproximadas às do C4 “de Lineu – 4.157mm de comprimento, menos que o C4 (4,33 m), mas acima do C3 (3,91 m). Mais estreito 6 cm que o C4, tem no entanto a mesma distância entre eixos: 2,60 m. Além disso, é mais leve cerca de 200 quilos que o C4 – e isso ouve-se bem no bater das portas.

A carroçaria do C4 Cactus é do mais simples que ode existir

A carroçaria do C4 Cactus é do mais simples que pode existir

A carroçaria do C4 Cactus é do mais simples que pode existir, em termos estéticos: muito linear, de ângulos s atirar para o quadrado, mas suavemente limados, nela se destacam três elementos. Na frente, os grupos óticos estreitos, tipo OVNI – por isso, um dos títulos poder ser ORNI-Objeto rolante Não identificado. O que seria mentira, pois, para lá do tejadilho flutuante (o segundo elemento) típico na Citroën em modelos como o C4 Picasso (de onde vem também a frente tipo OVNI), em tudo o resto o C4 Cactus é perfeitamente identificável – na verdade, como ele (ainda) não há nenhum. Estamos a falar dos “airbump”, aquela “almofada” de plástico mais escuro, com “bolhas”, que se vê nas portas do Cactus – o terceiro elemento.

Os inéditos "airbump" protegem de agressões exteriores

Os inéditos “airbump” protegem de agressões exteriores

Mas o que é um “airbump”? Além de ser uma ideia genial, é uma coisa muito simples – são películas de plástico macio, com bolsas de ar incorporadas e que, além das portas, também existem sob os faróis dianteiros maiores e nos para-choques, Protegem de choques a baixa velocidade, bem como de agressões como ligeiros toques ou do bater das portas de outros automóveis, nos estacionamentos.

À sua frente existe o volante, um mostrador digital e um "tablet"

À sua frente existe o volante, um mostrador digital e um “tablet”

E, para que conste, além do cinzento-escuro visível nas fotos que acompanham neste ensaio, chamado Grey, também estão disponíveis noutras cores – Black, Dune e Chocolate. Esta solução foi inspirada nas proteções laterais das embarcações e nas solas de ar dos sapatos desportivos. Seja como for, o conjunto é, no mínimo, irreverente. E faz com que as cabeças se voltem e pontos de interrogação surjam no olhar de quem o vê aparecer. Ou passar…

O interior é também muito simples e algo "despido"

O interior é também muito simples e algo “despido”

Porém, não é só por fora que o C4 Cactus é do mais simples. O interior parece algo despido, também. Sentado ao volante, que não tem regulação em profundidade, mas apenas vertical, em bancos algo duros mas apesar de tudo confortáveis e com bom apoio lateral e lombar, bem como para as pernas, olhando em frente e para os lados não existem botões. Bem na nossa frente, vê-se um visor digital, em que apenas existem quatro informações: da velocidade instantânea; da quilometragem total; do “cruise control”; e do nível de combustível.

O Cactus com caixa pilotada não tem alavanca mas sim três botões enormes

O Cactus com caixa pilotada não tem alavanca mas sim três botões enormes

Também não há consola central. No seu lugar, por cima dos três enormes botões (D, R e N), que formam a “alavanca” da caixa de velocidades pilotada (ou seja, não há alavanca das mudanças!), está em evidência um “tablet”, formado por um ecrã tátil de 7” multi-funções, ativado por “touch” e onde há acesso fácil a todas as informações que estão naturalmente disponíveis noutros automóveis, mas através de um conjunto, muitas vezes até exagerado, de botões, mostradores e afins… No Cactus, tudo, desde o sistema áudio, à climatização, sem esquecer a navegação, informações úteis sobre a viagem, as configurações do Cactus, cabe dentro do tal “tablet”.

O Cactus tem espaço para cinco adultos viajarem com conforto

O Cactus tem espaço para cinco adultos viajarem com conforto

Com isto, apesar de ter as mesmas dimensões práticas do C4, o Cactus permite que cinco pessoas nele viajem com maior à-vontade, mesmo atrás e que a bagageira possua um volume de 358 litros, e em configuração normal do banco traseiro que, por uma questão de poupança de peso, apenas se rebate por inteiro (monobloco). Além disso, em novidade absoluta, a colocação do “airbag” para o passageiro no tejadilho, permitiu que o porta-luvas tenha uma maior capacidade e abra para cima. Aliás, os locais para objetos existentes no habitáculo são, de uma forma geral, grandes ou fundos – ou as duas coisas ao mesmo tempo.

Apsra de simples e barato o Cactus tem muita qualidade percetível

Apesar de simples e barato o Cactus tem muita qualidade percetível

Olhando para o C4 Cactus e depois de se ler isto, pode pensar-se que este é mais um automóvel “low cost”. Talvez seja, é certo – até porque, nas suas versões de entrada de gama, está disponível a partir dos 16 mil euros. Já agora, com um nível de equipamento especial de lançamento (Feel Edition), a unidade ensaiada atingia os 23.800 euros, valor mais que aceitável e muito interessante.

Os 358 litros da bagageira permitem transportar volumes grandes sem roblemas

Os 358 litros da bagageira permitem transportar volumes grandes sem roblemas

Mas isso não quer dizer que não se veja uma grande preocupação com a qualidade percetível, apesar da maior parte dos plásticos usados sejam algo duros, embora sem folgas e bastante bem montados. É que, em conjunto com estes plásticos, existe uma profusão de tecido de padrão misto, formando um fundo tipo “mala de viagem”, com pegas a imitar correias ou fechos das ditas e pespontos e ferragens, a condizer com a ideia, um pouco por todo o lado, desde o “tablier” ao porta-luvas e aos forros das portas.

Comportamento são mas…

O C4 Cactus tem um bom comportamento e até consegue ser ágil

O C4 Cactus tem um bom comportamento e até consegue ser ágil

Mais leve que um C4 normal – por culpa do alumínio usado em locais como, por exemplo, o “capot” e o bloco do motor, mas também de pormenores como os vidros traseiros abrirem em compasso (poupando-se os 11 quilos do motor elétrico), difusores dos lava-vidros incorporados nas hastes do limpa-vidros (poupando-se metade do líquido necessário e, portanto, os correspondentes quilos) ou do teto panorâmico, quando existe, ter tratamento térmico natural, dispensando a cortina elétrica – o C4 Cactus, apesar de ter motores de baixa cilindrada, é um automóvel ágil e com um bom pisar na estrada.

O único problema é a caixa pilotada ser muito lenta

O único problema é a caixa pilotada ser muito lenta

Sem adornar em demasia a carroçaria, acusa alguma tendência em fugir de frente nas curvas mais empenhativas, mas nada por aí além. O habitáculo está bem insonorizado e acusa somente algumas turbulências aerodinâmicas causadas pelas barras negras no tejadilho. No final, o nosso consumo ficou-se pelos 4,8 l/100 km, o que é muito bom, embora acima dos 3,5 litros anunciados pela marca. Há, no entanto, que avisar que esta unidade estava equipada com o bloco 1.6 e-HDi, com 92 cv e sistema “start & stop.

Os consumos ficam facilmente abaixo dos 5 l/100 kms

Os consumos ficam facilmente abaixo dos 5 l/100 kms

E ainda que a opção pela caixa pilotada TGP de seis velocidades pode deixar um certo desânimo na hora de arrancar para a estrada. Esta caixa é ainda demasiado lenta no engreno das relações, formando um “poço” constante, seja a subir, seja a descer. E nem com a ajuda das patilhas colocadas por trás do volante, ela fica muito mais rápida… Este é, no entanto, o único óbice, que desaparece sem dúvida com a utilização da caixa manual de cinco ou seis velocidades, também existentes na gama.

CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS

Diferente e ousado só por isto é uma opção sempre interessante

Diferente e ousado só por isto é uma opção sempre interessante

Motor: Diant. transv., 4 cil. em linha, 1560 cc, turbo-Diesel, turbo-compressor c./”intercooler”, inj.dir. múltipla “common rail”, 8 válvulas; Potência (cv/rpm): 92/3.750; Binário Máx. (Nm/rpm): 230/1.750; Vel. Máx. (km/h): 176; Acel. 0-100 km/h (s): 11,4; Consumos (l/100 km): 3,5; Emissões CO2 (g/km): 92; Preço (euros): 23.838,26 euros

A unidade ensaiada custava 23.826 euros

A unidade ensaiada custava 23.838 euros

Texto: Hélio Rodrigues; Fotos: C.Santos e Divulgação (Interiores)

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