Nissan Qashqai 1.5 dCi 110 4×2 N-Tec

Afinal havia outro!

Nissan Qashqai 1.5 dCi 110 4x2 N-Tec (Fotos: Mértola)

Nissan Qashqai 1.5 dCi 110 4×2 N-Tec (Fotos: Mértola)

…Outro, ainda melhor que aquele que, de repente, já lá vão cinco anos, se tornou um inesperado “best-seller” para a Nissan. Estamos a falar do Qashqai, a reinvenção do SUV compacto – há quem lhe chame “crossover” mas isso são “peanuts”… – com que a marca japonesa decidiu homenagear a ribo nómada iraniana do mesmo nome. Portanto, cinco anos mais tarde e algumas (poucas) atualizações de estilo depois, a Nissan apresentou a segunda geração. No imediato, percebeu-se que é ainda melhor e que os argumentos da anterior foram burilados quase até á exaustão. Para que nada falhe – mesmo nada, desde o conforto, a dinâmica, a tecnologia, o equipamento e, pasme-se, os consumos. Que podem ficar abaixo dos 4,5 l/100 kms – conforme o AutoanDRIVE verificou, no ensaio à versão equipada com o motor 1.5 dCi de 110 cv e apenas tração às rodas dianteiras.

Voltando à mesma tecla: foram, portanto, precisos uns dois milhões de unidades vendidas para a Nissan se decidir a alterar o Qashqai. Alterou-o, sim, mas sem alterar a receita – e os preceitos nela implícitos e que o tornaram naquele sucesso de vendas que, de repente, foi copiado em quase tudo o que era marca e se tornou uma espécie de “case study”. Afinal, em casa que ganha não se mexe, lá diz o ditado e muto bem – e foi isso precisamente que a Nissan fez com esta segunda geração do Qashqai.

O Qashqai fica bem nas ruas mais estreitas de Mértola

O Qashqai fica bem nas ruas mais estreitas de Mértola

Na verdade, a principal alteração de fundo é que perdeu a versão “+2”, com os seus sete lugares – mas ganhou em tudo o resto. O novo Qashqai é, agora, maior, mais baixo, mais desportivo, mais espaçoso lá dentro, mais confortável e tem muito mais qualidade. Quer ver? Venha daí connosco até Mértola, no Alentejo profundo.

Caras…

O Qashqai sempre teve um identidade muito própria

O Qashqai sempre teve um identidade muito própria

Comecemos pela cara – é que quem as vê, as caras, não os vê, os corações. Mas, neste caso do Qashqai, acaba por ver muito mais que isso. É que, na verdade, este Qashqai é totalmente novo. A começar pela nova plataforma em que está montado, sendo por isso 7,7 cm mais comprido, 2,6 cm mais largo e 2,5 cm mais baixo que o Qashqai de 2010. O que lhe dá este aspeto de maior desportividade, com a carroçaria mais próxima de uma berlina topo de gama e mais afastada da de um SUV.

O novo Qashqai é mais comprido, mais largo e mais baixo

O novo Qashqai é mais comprido, mais largo e mais baixo

Além disso, o Qashqai, que sempre teve uma identidade muito própria, viu-a agora fortalecida por laços mais sólidos e modernos. Desde logo, a nova filosofia de “design” da Nissan, com a frente marcadamente possante, onde se destacam a enorme grelha em rede negra, cortada pelo “V” central cromado e que se prolonga, lateralmente, para os novos e mais rasgados grupos óticos, de máscara negra e incorporando a assinatura luminosa desenhada pelos LED diurnos. Na parte inferior, o para-choques, mais volumoso também e envolvente, integra não apenas os farolins de nevoeiro mas também uma segunda grelha, formando um todo aerodinâmico e rematado por um fino “lábio” de proteção inferior.

O perfil mais baixo e quase "coupé" tornam-no mais desportivo

O perfil mais baixo e quase “coupé” tornam-no mais desportivo

O perfil lateral é mais baixo, mais “corrido”, marcado pela linha de cintura que, se bem que pouco vincada, é limitada pelo “design” das superfícies vidradas, que se reúnem na parte final, antes do delinear da traseira, num tom mais baixo, perpetuando a sensação de que o novo Qashqai é um falso “coupé”. E isso fornece-lhe uma imagem mais jovial, menos pesada e cansativa, mais ativa, aberta e vibrante. Bem pensado!

A parte menos carismática do Qashqai é a traseira

A parte menos carismática do Qashqai é a traseira

Talvez que a parte menos carismática e mais taciturna, seja a traseira. Elevada e volumosa, menos elegante no remate final e talvez pouco ligada ao resto do conjunto, que resulta mais airoso e descomprometido com a inclusão no segmento dos SUV (ou “crossover”…), esta sensação de “peso” surge um pouco atenuada com os longos grupos óticos, que se prolongam e forma elegante e subtil sobre as cavas das rodas traseiras e pelo óculo inclinado, escuro, encimado por um desportivo “aileron”, na mesma cor da carroçaria. Em baixo, o para-choques envolvente integra um difusor inferior, a imitar carbono e que pode revelar-se útil na proteção da base da carroçaria, em caso de “fuga” no TT de lazer.

O interior é também novo e tem uma maior qualidade percetível

O interior é também novo e tem uma maior qualidade percetível

No interior, as novas dimensões da plataforma refletem-se em mais espaço disponível, tanto para os passageiros da frente, como para os de trás e, apesar das novas cotas de habitabilidade não serem muito superiores em números às da anterior geração, o fato é que a disposição de todos os comandos, uma mis racional gestão do espaço e as formas dos bancos mais ergonómicas e simples, dão a impressão de estarmos dentro de um Qashqai muito mais amplo. O único “senão” está na altura dos passageiros que viajarem atrás, pois poderão tocar com a cabeça no teto, embora não encontrem quaisquer dificuldades em entrar ou sair do Qashqai e em sentar-se sem os joelhos baterem nas costas dos bancos dianteiros. Os bancos traseiros são mais finos que os da frente, não podem mover-se no sentido longitudinal e tão pouco se pode variar o ângulo de inclinação das costas.

O espaço interior aumentou um pouco em especial atrás

O espaço interior aumentou um pouco em especial atrás

Por outro lado, é notória uma maior qualidade percetível, com plásticos suaves e bem montados, cobrindo desde o painel central às portas. Os remates dos forros do tejadilho são corretos, não existem folgas visíveis nas junções e a posição de condução é bastante boa e fácil de encontrar, em especial graças à regulação do volante (forrado a couro e de boa ”pega”) em altura e profundidade. Os instrumentos têm fácil leitura e o “software” do gere a informação disponível através de menus simples e intuitivos, sejam na navegação, sejam no sistema de entretenimento e áudio.

O porta-bagagens é mais versátil que volumoso

O porta-bagagens é mais versátil que volumoso

Existem diversos locais de conveniência espalhados um pouco por todo o habitáculo, sempre muito úteis. O porta-luvas é forrado, espaçoso, mas não tem luz nem é ventilado. Por seu lado, o porta-bagagens tem apenas 430 litros de volume e é menor que nos principais rivais; tem, porém, um sistema que permite configurar esse espaço de diversas formas, além de que se pode aumentar rebatendo os bancos, função que é executada de forma assimétrica em duas secções, de 1/3 ou 2/3.

… E corações

O AutoanDRIVE ensaiou a versão 4x2 com motor 1.5 dCi de 110 cv

O AutoanDRIVE ensaiou a versão 4×2 com motor 1.5 dCi de 110 cv

O AutoanDRIVE ensaiou a versão equipada com o reconhecido bloco 1.5 dCi, com 110 cv e que na verdade, é assumido pela Nissan como podendo congregar a maioria das vendas do Qshqai em Portugal. Mas, embora sendo o mesmo motor existente nas anteriores gerações, a Nissan procedeu a uma atualização na gestão eletrónica, permitindo-lhe ser agora não apenas ainda mais económico, como mais amigo do ambiente, sem penalizar s suas capacidades dinâmicas. A marca reclama consumos na ordem dos 3,8 l/100 kms e 99 g/km de emissão de CO2. E se, nestas, não conseguimos dizer se é ou não verdade, já nos consumos sempre podemos afirmar que, na estada entre Beja e Mértola, eles desceram para os ditos 3,8 l/100 kms – embora, no geral, tenhamos efetuados um consumo médio de 4,8 l/100 kms, utilizando de tudo um pouco – desde AE (onde os valores se aproximavam dos 6 l/100 km) a estradas amplas e mais sinuosas, sempre sem bagagem e com duas pessoas a bordo.

Associado  uma caixa manual de seis velocidades o motor é muito económico

Associado uma caixa manual de seis velocidades o motor é muito económico

No resto, o Qashqai não desilude. O motor está associado a uma caixa manual de seis velocidades, suave e exata, sem ser muito rápida no engreno, mas sem falhas comprometedoras. O seu binário de 260 Nm está presente desde regimes relativamente baixos (pouco acima dos 1.700 rpm) e tem uma boa faixa útil e as recuperações são competentes, mas sem serem deslumbrantes, pelando a uma condução suave, dócil e calma.

Apesar da sua volumetria o Qashqai é bstante manejável

Apesar da sua volumetria o Qashqai é bstante manejável

Desta forma, a suspensão cumpre bem a missão para a qual foi calibrada – conforto de rolamento, bem como uma sã absorção das irregularidades do terreno. Porém, quando se apela a um ritmo mais ousado, o centro de gravidade mais elevado vem ao de cima e a carroçaria apresenta uma certa tendência para adornar nas curvas mais fechadas, enquanto o eixo dianteiro se afasta da trajetória correta na saída, procurando o eixo da via com mais insistência. Nada de preocupante ou alarmante, porém… até porque, sempre vigilante, lá está o controlo ativo de trajetória, uma novidade no Qashqai e que lhe permite estar sempre bem agarrado à estrada.

O Qashqai pode andar fora do asfalto mas com algum cuidado

O Qashqai pode andar fora do asfalto mas com algum cuidado

Fora dos limites do asfalto, a maior altura em relação ao solo possibilita ao Qashqai algumas veleidades mas, apenas com tração às rodas dianteiras, aconselha-se a que não se procurem exageros até porque, em velocidades maiores ou em piso mais degradado, não só a frente perde tração, como exatidão nas trajetórias, exigindo que se doseie com parcimónia a pressão no pedal do acelerador. Sentimos isso mesmo na nossa vista à beleza selvagem do Pulo do Lobo, onde o Guadiana se refugia, rugindo, sob as rochas, em nuvens de espuma e de cheiro salobro a arco-íris rasteiro.

A versão N-Tec não é a mais equipada mas está bem "servida"

A versão N-Tec não é a mais equipada mas está bem “servida”

A versão N-Tec – aquela que usamos nesta nossa viagem – não é a ais equipada da gama, deixando essa missão para a Tekna. Mas cumpre nas exigências quanto a equipamento de série. E que inclui, entre outros, um écrã tátil central de 7” (que se junta ao que está na consola central, um TFT de 5”e cuja leitura fica difícil, quando existe muita luz solar ou ambiente…), com sistema de navegação 3D e gráficos simples e de leitura intuitiva; Safety Pack (ou Escudo de Proteção Inteligente), com quatro funcionalidades: aviso de mudança involuntária de faixa, identificador de sinais de trânsito, sistema anti-colisão frontal através da deteção de veículos que circulem à frente ou no mesmo sentido e regulador automático de luzes de máximos; retrovisor interior electrocromático; travão de mão elétrico; ou ar condicionado automático bi-zona.

Este Qashqai tinha jantes de 17" e teto panorâmico em vidro

Este Qashqai tinha jantes de 17″ e teto panorâmico em vidro

Além disso, este “nosso” Qashqai tinha jantes de 17” com “design” de dez raios e teto panorâmico em vidro, que não se pode abrir e é protegido do calor e do sol através de uma cortina, que desliza eletricamente.
O preço final é de 29.300 euros o que, sendo sempre justificado pelo dito cujo equipamento sempre tem a bondade de ficar aquém da barreira psicológica dos 30 mil euros.

CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS

A segunda geração do Qashqai tem tudo para continuar o sucesso da anterior

A segunda geração do Qashqai tem tudo para continuar o sucesso da anterior

Motor: Diant. transv., 4 cil. em linha, 1461 cc, turbo-Diesel de geometria variável, c./”intercooler”, inj.dir. múltipla “common rail”, 16 válvulas; Potência (cv/rpm): 110/4000; Binário Máx. (Nm/rpm): 260/1.750 – 2.500; Vel. Máx. (km/h): 182; Acel. 0-100 km/h (s): 11,9; Consumos (l/100 km): 3,8; Emissões CO2 (g/km): 99; Preço (euros): 29.300

Esta versão N-Tec do Qashqai custa 29.300 euros

Esta versão N-Tec do Qashqai custa 29.300 euros

Texto: Hélio Rodrigues; Fotos: C.Santos e Divulgação (Interiores)

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