Renault Captur Energy 1.5 dCi 90 Exclusive

Múltipla personalidade

Renault Captur Energy 1.5 dCi 90 Exclusive (Foto. Serra de Montejunto)

Renault Captur Energy 1.5 dCi 90 Exclusive (Foto. Serra de Montejunto)

Com a base mecânica do Clio, o Renautl Captur vem substituir o Modus, mas num registo diferente. Misto de monovolume, uma espécie em vistas de extinção enquanto proposta simplista, de “crossover” e de berlina, o Captur adota uma personalidade muito forte, mas ao mesmo tempo múltipla. Irreverente no aspeto, surpreende pelas suas qualidades e pela sua agilidade e diversão dinâmica. Ou não fosse ele “primo” do Nissan Juke, cuja personalidade forte replica até à exaustão. Com algumas diferenças, para simplesmente ser mesmo diferente.

Pronto, já dissemos: o Renault Captur traz do Clio a base mecânica, que é o mesmo que dizer a plataforma, o motor e caixa de velocidades e as ligações ao solo. Sendo aqui de referir que, no eixo traseiro, estas são as mesmas do Clio ST, por razões de firmeza e de dinâmica em curva (evitam, por serem mais duras, o adornar excessivo da carroçaria, cujo centro de gravidade é mais elevado que na berlina). No resto, do Clio apenas tem o mesmo losango, símbolo natural da marca criadora, a Renault.

Uma cara estranha que se entranha

Oa automóveis querem-se agora cada vez mais polivalentes

Oa automóveis querem-se agora cada vez mais polivalentes

O tempo dos monovolumes puros e duros, espécie também ela inventada pela Renault, com o Espace, está a acabar. Ninguém mais quer um carro que, apesar da versatilidade de uma carroçaria aumentada, pouco mais pode oferecer – pelo menos, no que diz respeito à imagem, já estafada, façam-se os exercícios estéticos que se quiserem fazer. Ciente disso, a Renault decidiu dar (mais) um passo em frente na História, ao propor o Captur, uma mescla de tudo aquilo que um cliente urbano, mas aventureiro e exigente, deseja: monovolume, pelo espaço e versatilidade interior; “crossover”, pela necessidade de aventura e de horizontes distintos; berlina, pela eficácia da dinâmica. É que o Captur consegue reunir, num corpo diferente e ousado, todas as sensações particularizadas por estas três tendências.

No Captur nada é igual ao que já existe em termos de "design" e magem

No Captur nada é igual ao que já existe em termos de “design” e magem

Causa uma sensação estranha olhar para o Renault Captur. Nele, nada é igual ao que já existe. Mas, depois, rapidamente se entranha – como era com a CocaCola, lembra-se? Passemos a explicar melhor. Mas, antes de mais, que fiquem bem esclarecidos os pontos de rutura: no Captur, a posição de condução é 10 cm mais alta que no Clio, podendo ainda subir e descer 7 cm; a altura ao solo é de 200 mm e o centro de gravidade mais elevado (a altura do Captur é de 1,560 m) compensado por vias mais largas, melhorando com isso a sua dinâmica. E o seu espírito de aventura, é claro!

O Captur rompe com o passado mas mantém a tradição da... 4L

O Captur rompe com o passado mas mantém a tradição da… 4L

Esta é, assim, uma rutura com o passado, mas mantendo a tradição: de novo e sempre a icónica 4 L, pioneira nos automóveis sem limites de ação, capazes de ir aqui e mais além, no Captur vestidos com uma nobreza de pormenores que nela não existia, pois era imbatível em simplicidade e eficácia mecânica, um tração à frente com motor inesgotável e caixa manual de 4 velocidades, comandada por uma alavanca situada a meio da “consola” central. Mas também rutura com o presente, o atual Clio, propondo horizontes mais alargados – e não apenas da estrada, em viagem, mas igualmente fora dela.

Visto de cima tem uma frente que faz lembrar o Avantime

Visto de cima tem uma frente que faz lembrar o Avantime

Olhemos, então e enfim, o rosto do Captur. Visto de cima, tem muito a ver com o mal-amado Avantime, o controverso projeto de “design” que a Renault lançou, como o nome indica, muito à frente do seu tempo e que, talvez por isso, resultou num enorme fiasco. Mas de onde retirou ensinamentos preciosos, que foi colocando em prática ao longo dos anos em várias outras criações. Por exemplo, no Captur, com o seu “capot” achatado, visto de cima, mais largo no início e estreitando a de forma progressiva caminho da traseira, tal como outro ícone, mas este da concorrência, o DS – ou “Boca de Sapo”, imagem que nos surge ao vermos o Captur desde uma superfície mais elevada.

A dupla grelha dá um ar robusto e possantel ao Captur

A dupla grelha dá um ar robusto e possantel ao Captur

A frente é, no entanto, viril e possante, dividida bem a meio pela grelha negra de barras horizontais cada vez mais pequenas e “aberta” pelo losango de dimensões generosas. Nas “asas” da grelha, situam-se os grupos óticos, debruados por um filete prateado. Mas é na parte inferior, onde pontuam um defletor aerodinâmico em plástico negro e uma segunda grelha, maior e de quatro finas barras também horizontais e também negra e alojando os farolins antinevoeiro e as luzes LED diurnas, que começa a faceta mais lúdica do Captur.

A linha de cintura elevada aumenta o centro de gravidade do Captur

A linha de cintura elevada aumenta o centro de gravidade do Captur

Que, depois, é continuada na linha de cintura elevada, nas abas laterais definidas por um bojo cromado e com proteções inferiores em plástico negro, nas jantes de grandes dimensões, 17″, prateadas e cor de laranja (um opcional) e nas cavas das rodas traseiras alargadas. O fato de cada Captur ser bi-color, com o tejadilho ordinariamente em branco ou creme, começando essa mutação nos pilares A, não é de ignorar – na realidade, é também isso que faz a diferença e o torna imediatamente identificável, esteja em que ambiente estiver.

A traseira é o lado mais vulgar do Captur

A traseira é o lado mais vulgar do Captur

A traseira é, talvez, a secção da carroçaria mais vulgar, até porque, ao ser mais alta e ter um “spoiler”, da cor do tejadilho, a esconder o óculo escurecido, se torna algo “dejà vu”, talvez lembrando um certo parentesco com um tal de Juke, o seu bem sucedido primo de olhos em bico. Seja lá como for, nem por isso se podem confundir os dois: o Captur tem a sua identidade muito própria e, para que não restem dúvidas, o nome lá está, a meio do portão tarseiro, em relevo sobre uma barra cromada, encimando o nicho da matrícula e por baixo do prateado e grande símbolo da Renault. O resto são “peanuts” – o gostar, o ser assim, o ser assado.

Dinâmica muito especial

O Captur tem comportamento de berlina no asfalto

O Captur tem comportamento de berlina no asfalto

Mas “peanuts” é que a dinâmica não é. O Renault Captur, ao receber a mesma plataforma rolante, ligações ao solo incluídas, que a berlina Clio, adotou muito da sua postura na estrada. A diferença principal está no olhar superior, fruto da já referida posição de condução mais elevada, mas onde a ergonomia não saiu beliscada, antes pelo contrário: atrás, o Captur foi buscar ao Modus (que aliás vem substituir) os bancos deslizáveis, que permitem aumentar o espaço disponível, longitudinalmente, para os passageiros, pois é possível avançar ou recuar os bancos em 160 mm. Isso permite ainda jogar com o volume da bagageira, que pode ir dos 377 aos 455 litros.

As jantes de 17" cor de laranja são um opcional curioso

As jantes de 17″ cor de laranja são um opcional curioso

A qualidade geral dos acabamentos é boa, bem como o critério de escolha dos materiais, que se encontram bem montados e sem produzirem folgas ou ruídos parasitas. Curiosamente, o porta-luvas é diferente do tradicional, pois no Captur trata-se de uma gaveta com abertura peculiar, deslizante e uma capacidade de 11 litros.

O porta-luvas é uma gaveta deslizante com fundo... laranja nesta unidade

O porta-luvas é uma gaveta deslizante com fundo… laranja nesta unidade

Pelo habitáculo, aliás, estão dispersos vários locais de conveniência, bem à imagem daquilo que a Renault pretende que o Captur reflita: um automóvel inconformista, versátil e para (quase) todas as necessidades, dentro e fora do “habitat” natural do asfalto. E isso está anda em evidência no fato de se poderem retirar, através de fecho “éclair”, as capas dos bancos, decoradas à cor da carroçaria, para serem lavadas à-parte, ou não fiquem mais expostas à sujidade numa utilização mais radical do Captur.

A decoração interior é personalizável com a cor da carroçaria

A decoração interior é personalizável com a cor da carroçaria

A decoração interior (na unidade ensaiada era em laranja vivo) é à vontade do freguês, com a Renault a sugeri-la de acordo com a cor exterior, como uma opção. E pode juntar-se ao Striping Captur, ou sejam, as listas (alaranjadas) no tejadilho e variados pormenores decorativos (nesta unidade, todos em laranja…) um pouco por todo o lado, desde o volante, negro e com “arabescos” à esquerda, aos tapetes, sem esquecer as molduras das saídas dos ventiladores e os puxadores interiores das portas.

A maior altura em relação ao solo permite aventuras em estradas de terra

A maior altura em relação ao solo permite aventuras em estradas de terra

Único senão neste ramalhete colorido é a dificuldade em regular a inclinação das costas dos bancos dianteiros, pois a roda que o permite está colocada muito atrás e é de difícil acesso, pois fica “entalada” pelo apoio de braços central. Este é, de uma forma pouco de acordo com o resto, de má qualidade, de plástico muito duro, abrindo-se com irritante facilidade, mesmo quando na posição vertical. Por dentro, estranhamente, está alcatifado…

a maior altura torna o Captur sensível aos ventos laterais

a maior altura torna o Captur sensível aos ventos laterais

O comportamento é bom, apesar de sensível aos ventos laterais, por causa da sua maior altura. A suspensão traseira foi afinada tal como a da Sport Tourer, gerando esse bom comportamento. Em estrada e a velocidades mais altas, ouvem-se muitos ruídos aerodinâmicos, oriundos dos pilares A e dos espelhos. A direção é exata, idêntica à do novo Clio.

Os travões são de dsico apenas na frente mas nem por isso são frágeis

Os travões são de dsico apenas na frente mas nem por isso são frágeis

Os travões são de disco à frente e de tambor atrás, mas não se “cansam” facilmente e são competentes. A caixa de velocidades é manual e tem cinco relações; tipicamente Renault, é fácil de usar e exata q.b., mas sem ser muito rápida. No Captur 1.5 dCi de 90 cv, o seu escalonamento parece correto, sem exigir demasiado recurso às relações mais baixas em ultrapassagens e sem penalizar os consumos, que se situam à volta dos 5 l/100 kms.

Em estrada existe um bom conforto de rolamento

Em estrada existe um bom conforto de rolamento

Em estrada, existe um bom conforto de rolamento, apesar da suspensão ser algo mole, fazendo adornar um pouco a carroçaria, cujo centro de gravidade é tipo SUV, ou pequeno Crossover e, por isso, fica mais sensível às mudanças de direção. Fora de estrada, absorve bem as irregularidades do terreno e o fato de ser mais alto, permite ao Captur algumas aventuras interessantes em terrenos que não são habituais aos citadinos. Tal e qual a 4 L, já lá vão quatro décadas…

A pintura metalizada é um dos opcionais disponíveis

A pintura metalizada é um dos opcionais disponíveis

O nível de equipamento Exclusive é bastante completo e os opcionais, nesta unidade, cingiam-se à pintura metalizada, à decoração interior laranja, ao Striping Captur, às já referidas jantes de 17” cor de laranja e ao sistema R-Link, que liga o condutor ao inesgotável mundo virtual – com Net, navegação, multimédia, jogos, envio e receção de emails, informações de trânsito e meteorologia, tudo através de um ecrã tátil de 7”. O pneu suplente é também um opcional. O resto, desde ajudas à condução (arranque em subida e assistência à travagem), segurança ativa e passiva, ar condicionado, está lá tudo. Neste Captur, por pouco mais de 21.500 euros. Que é o preço de (uma certa) diferença…

CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS

O motor 1.5 dCi de 90 cv permite consumos na ordem dos 5 l/100 kms

O motor 1.5 dCi de 90 cv permite consumos na ordem dos 5 l/100 kms

Motor: Diant. transv., 4 cil., 1 árvore de cames à cabeça, 8 v., 1461 cc, turbo-Diesel de geometria variável, inj.directa c./ “common rail” e “intercooler”; Potência (cv/rpm): 90/4.000; Bin.Máx. (Nm); 220/1.750; Vel. Máx. (km/h): 171; Acel. 0-100 km/h (s): 13,1; Consumos (l/100 km): 3,6; Emissões CO2 (g/km): 96; Preço (euros): 21.560

Esta é a versão melhor equipada do Captur e custa pouco mais de 21.500 euros

Esta é a versão melhor equipada do Captur e custa pouco mais de 21.500 euros

Texto: Hélio Rodrigues; Fotos: C.Santos e Divulgação (Interiores)

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2 responses to “Renault Captur Energy 1.5 dCi 90 Exclusive

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