Nissan GT-R MY’12 Black Edition

O melhor do Mundo

Nissan GT-R MY'12 Black Edition (Foto: Campera Karting)

Nissan GT-R MY’12 Black Edition (Foto: Campera Karting)

Não, não se assuste. Nem se indigne. Passamos a explicar este título que, no mínimo, pode parecer arrogante, ignorante ou manipulador. Aliás, há mesmo quem diga, afirme redondamente e sem medo de se enganar, que o Nissan GT-R é o melhor deste mundo e os outros, aqueles em que está pensar, do outro mundo. Mas adiante… Que outro automóvel conhece, capaz de levar apenas 2,8 s dos 0 aos 100 km/h? Ou capaz de performances explosivas, que se assumem nos 315 km/h de velocidade máxima, nos 550 cv de potência ou nos 632 Nm de binário, traduzindo-se num conjunto dinâmico excecional, em que os limites estão nas nossas, ou suas, mãos – ou no coração? E, ainda por cima, por um valor máximo pouco superior aos 144 mil euros, na versão preparada para correr em pista, com o Track Pack? É que, no outro mundo, aquele em que as semelhanças com estas performances custam mais do dobro, ou mesmo o triplo, talvez existam. Mas, neste, não. Seguramente! Já percebeu o título?

Apesar de ter matrícula poder andar na estrada GT-R é um animal de pista

Apesar de ter matrícula poder andar na estrada GT-R é um animal de pista

Então, depois desta “entrada” anormalmente longa, vamos agora esmiuçá-lo – como os Gatos Fedorentos fizeram com as eleições, aqui há uns anos. Só que, agora, o fedor é outro – adrenalina em estado puro. E elevada ao máximo pico nas batidas do coração.

A versão de 2012 é quase igual às anteiores mas nesta cor as linhas são mais agressivas

A versão de 2012 é quase igual às outras mas nesta cor as linhas são mais agressivas

Antes de mais, convém dizer que esta não foi a primeira vez que tivemos o supremo prazer de “pilotar” um Nissan GT-R – fizémo-lo, já lá vão uns anos, em estreia, no Circuito do Estoril. Mais tarde, já como AutoanDRIVE, ensaiámos a versão de 2009, com uns “meros” 485 cv (https://autoandrive.com/2010/11/10/nissan-gt-r-black-edition/). E é por uma simples comparação com este que vamos dar início a esta prosa.

A frente recebeu luzes LED e cromados em redor da grelha

A frente recebeu luzes LED e cromados em redor da grelha

Convém também dizer que a versão que o AutoanDRIVE ensaiou agora é a de 2012, com a mesma capacidade dinâmica da de 2013, embora a mais recente possua um reequilíbrio do chassis e das ligações ao solo, bem como ligeiras mexidas na eletrónica do motor, que lhe permitem ganhar, por exemplo, 0,1s dos 0 aos 100 km/h – situando esta marca, seja como fora sempre impressionante, nos 2,7s e não nos 2,8s da “nossa” unidade.

 baixo centro de gravidade e as jantes de 20" tornam o seu perfil muto agressivo

O baixo centro de gravidade e as jantes de 20″ destacam-se no seu perfil

E ser ainda mais assertivo e mais terrivelmente eficaz e equilibrado a alta velocidade e em secções sinuosas – mas isso apenas se percebe em condições extremas e, verdade seja dita, por “especialistas”. No resto, em termos estéticos, é rigorosamente a mesma coisa, existindo também alguns pormenores no equipamento e, principalmente, nos materiais decorativos do interior, na versão deste ano.

Um sopro que lhe deu…

O GT-R é um verdadeiro animal selvagem à espera do domador

O GT-R é um verdadeiro animal selvagem à espera do domador

Como em tudo na vida, comecemos esta história pelo princípio. A História do GT-R começou quando, em 2007, depois de mais de três décadas a divertir os fanáticos da borracha queimada com o Skyline e suas derivações, a Nissan decidiu criar a primeira versão do GT-R lançado no mercado dois anos mais tarde, tinha 485 cv e já então um equilíbrio incrível, bem como um devorador apetite pelo asfalto.

Não há que ter dúvidas de que o GT-R está sempre a postos para as curvas

Não há que ter dúvidas de que o GT-R está sempre a postos para as curvas

O que seria de admirar, caso não tivesse sido desenvolvido no “Inferno Verde” do Nordschleife, a versão mais demolidora do Nürburgring, com os seus 23 quilómetros de curvas diabólicas. Onde, aliás, continua a ser desenvolvido – detendo mesmo o recorde absoluto para viaturas de produção em série, batendo ícones como Porsche ou Ferrari, com a melhor volta, feita pelo MY’13 (Model Year 2013), em 7m18,6s, no ano passado. O MY’12, este que surge nas fotos, de Grey brilhante pintado e é objeto desta análise, demorou quase mais 3s a fazer o mesmo caminho…

A aerdinâmica e o chassis estão estudados para manter sempre o carro colado à estrada

A aerodinâmica e o chassis foram estudados para manter sempre o carro colado à estrada

Hoje em dia, o GT-R já vai na sua quarta evolução (mais que geração…) e, acima de tudo, é já uma marca dentro da própria Nissan. Ou, por outras palavras, uma verdadeira lenda. Por isso, surge amplamente justificado que o nome da Nissan apareça apenas, e de forma discreta, no portão traseiro. No resto, começando pela grelha dianteira e acabando nos tapetes específicos, onde está bem patente, tal como lá fora em letras vermelhas, em relevo, o “leit motiv” chama-se GT-R. que quer dizer que, mais que um Nissan, este é “O” GT-R – “THE GT-R”. Outro “Special One” – mas das estradas e, principalmente. das pistas.

Qualquer semelhança com os outros carros é pura coincidência

Qualquer semelhança com os outros carros é pura coincidência

Muito bem: feito o introito, fechemos a porta, com o seu baque seco e robusto. Claro! Os pés repousam no tapete grosso, que não deixa os tacões deslizar e onde as letrinhas mágicas GT-R, em vermelho e em relevo, como já dissemos, nos deram as boas vindas. Depositemos a chave num dos espaços que existem na consola central, volumosa pois é o túnel onde passa a transmissão para as rodas traseiras. Esta é a parte menos nobre existente no interior do GT-R, coberta de um plástico liso mas sonoro, que se prolongam para trás, entre os dois bancos minimalistas e integrado mais espaços de conveniência.

Com as "ajudas" desligadas o GT-R é um devorador de pneus

Com as “ajudas” desligadas o GT-R é um devorador de pneus

Felizmente, a curta alavanca das mudanças, forrada a pele e com aplicações em vermelho e pespontos salientes e o botão, também vermelho, que, pressionado apenas cm a ponta de um dedo, acorda o “monstro” que dormita debaixo do “capot”, estão situados na parte do túnel que se encontra forrado também em pele pespontada, sem folgas e, “noblesse oblige”, envolvente Este e a posição dos botões de comado do “display” informativo do painel de bordo, escondidos por trás do volante – grosso e, claro, em pele cm s ditos e reditos pespontos, fácil de colocar na posição ideal, através de uma dupla alavanca que existe sob a coluna da direção – são os únicos reparos sobre ergonomia e qualidade percetível possíveis de fazer ao GT-R!

Sólido e brutal ninguém fica indiferente à sua presença física

Sólido e brutal ninguém fica indiferente à sua presença física

Ajuste o corpo à “bacquet” Recaro, em pele, apertada que nem uma luva e coloque o cinto de segurança. Olhe em volta, certifique-se que tudo está em condições e a seu contento – é que nunca se esqueça de que está a bordo de um animal vivo e não de um automóvel feito pelo senhor Carlos Lineu.

O GT-R MY'13 é igual a esta versão mas com mais requinte dinâmico

O GT-R MY’13 é igual a esta versão mas com mais requinte dinâmico

A posição da alavanca que comanda as seis relações da caixa automática RG6 de dupla embraiagem deve estar na posição P, toda chegada á frente, quase a tocar os acabamentos em carbono do painel que aloja o rádio e o climatizador automático bi-zonal. Deixe-a estar quieta – e toque no botãozinho vermelho, mesmo ao lado do seu cotovelo. Vai sentir de imediato o estremecer da “besta”, o roncar tonitruante, que faz tremer o chão e lhe põe logo os cabelos em pé. O motor 3.8 V6 nunca ronrona – não é um gato, é um tigre selvagem.

As luzes LD e estas enormes jantes de 20" são traços que surgiram a partir do GT-R MY'12

As luzes LD e estas enormes jantes de 20″ são traços que surgiram a partir deste GT-R

Escolha o modo R-Start Mode– além disso, a caixa tem três modos de condução e o R é o mais radical. Não tenha medo! Calque o travão e o acelerador, a mesmo tempo. Ouça o uivo contido dos 550 cv e 632 Nm a pedirem que os solte. Calcule se tem distância longa e livre no horizonte.

A traseira possui uma personalidade talvez mais forte que a frente

A traseira possui uma personalidade talvez mais forte que a frente

Tem? Então, solte os cavalos todos. Já está! Você sente o corpo a colar-se todo à “bacquet” – acabou de receber mais de 1G de força de aceleração e o GT-R, se tudo tiver sido feito com convicção e coragem, demorou menos de 3s a chegar aos 100 km/h. Na verdade, esta versão de 2012 demora apenas 2,8s – menos que qualquer outro nome com muito mais história e pergaminhos de nobreza automóvel. Na verdade, foi um sopro que lhe deu!

Feito para a brincadeira

O Nissan GT-R foi todo feito muto a sério para a brincadeira

O Nissan GT-R foi todo feito muto a sério para a brincadeira

Trave à bruta, sem receio de o fazer – os enormes discos Brembo de 390mm na frente e 380 mm atrás, flutuantes e com perfurações em forma de diamante para melhor arrefecimento e um total de dez pistões, seis à frente e quatro atrás, permitem o que quiser fazer, sem se casarem e sempre em segurança – pare e vamos ao resto. E o resto é diversão pura. Porque foi para isso, a brincadeira, que o Nissan GT-R foi (todo) feito.

Força da natureza onde se sente bem é mesmo nas pistas

Força da natureza onde se sente bem é mesmo nas pistas

O Nissan GT-R é uma força da natureza… humana. Feito pelo engenho dos homens, é desafiador – constantemente e de forma quase arrogante. Os seus limites estão muito para lá dos nossos – a não ser que sejamos pilotos, pois também só assim conseguiremos assistir ao dançar dos gráficos e dos números no ecrã, mostrando-nos em tempo real temperaturas dos líquidos todos, as forças G de aceleração e laterais, o índice dos pedais do acelerador e do travão. Ou, como os pilotos a sério, conseguimos ver tudo em câmara lenta (como se diz que eles veem.) ou, então, é despiste pela certa, pois tantas formações ali mesmo à mão de semear são, para qualquer “simples” condutor, motivo de (fatal) distração.

 motor V6 3.8 Twn turbo debita 550 cv bem sadios e atrevidos

motor V6 3.8 Twn turbo debita 550 cv bem sadios e atrevidos

É que, n GT-R, tudo se conjuga para extrair o máximo. Da mecânica, da dinâmica, da segurança ativa, com performances de secar a boa e deixar o coração quase os limites do suportável. E, na verdade, aquela curva que está lá longe… ainda agora passámos por ela, quase sem saber como. Ou melhor, sabendo que o GT-R é um portento, devorador sem regras e de um equilíbrio que nem o melhor acrobata do Cirque du Soleil consegue prever e, quiçá, dominar.

Tudo a bordo está preparado para a... pilotagem

Tudo a bordo está preparado para a… pilotagem

A extraordinária aerodinâmica, extraída com sucesso total de um “design” requintado e elegante, em que o mais complexo é afinal simples, pensado e desenhado para uma ótima condução e total aproveitamento de todos os fluxos do ar, “colando” o GT-R à estrada. O chassis concebido para um total equilíbrio de massas entre a frente e a traseira, onde os pneus de alta “performance” mantém o GT-R sempre agarrado á estrada, seja em que condições atmosféricas for.

A telemetria a bordo e em tempo real é tão completa que até... distrai

A telemetria a bordo e em tempo real é tão completa que até… distrai

Eis duas boas razões para a eficácia plena, em velocidades elevadas – rodar a 250 km/h de ponteiro resulta num exercício tão simples como, noutros carros, fazê-lo a 150 km/h. O equilíbrio e a segurança dinâmica são constantes e quase impenetráveis, à prova de erros e de medos – por alguma coisa, da sua plataforma fazem parte a tração total 4WD, com a refinada “nuance” de, com as ajudas à condução em “Off”, desligadas, transferir para as rodas de trás mais potência, potenciando dessa forma uma diversão absoluta. Por alguma coisa o GT-R é o rei dos “drifters”.

O GT-R é tão exigente e veloz que qualquer distração paga-se cara

O GT-R é tão exigente e veloz que qualquer distração paga-se cara

Mas atenção: sob o pé direito está o comando de um motor diabólico, cujos 550 cv parecem que nada são, quando isolados. Contudo, em conjunto com os 632 Nm de binário, constantes a partir das 3.200 rpm, transforma o GT-R num verdadeiro demónio, voando baixinho pela estrada.

Não ligue o sistema audio BOSE e disfrute do som "louco" do V6 de 550 cv

Não ligue o sistema audio BOSE e disfrute do som “louco” do V6 de 550 cv

Ah! Já agora, apesar da sua qualidade, não ligue o sistema de som BOSE que traz de série, para ouvir o roncar do V6, que ora rouqueja trepidante, ora uiva de curva em curva, com suspiros de impaciência e ruídos metálicos, oriundos do mais profundo das suas entranhas. Tal qual um verdadeiro carro de corrida – que, sem qualquer dúvida, o Nissan GT-R é. Desde o berço!

Os consumos são muito próximos dos 20 litros mas isso pouco importa

Os consumos são muito próximos dos 20 litros mas isso pouco importa

E, enfim, não queira saber dos 20 litros aos 100 – ou que, de vez em quando, o “display” diga que o consumo instantâneo esteja acima dos 50 litros! São “peanuts”, comparados com o gozo extremo que estamos a retirar nesse momento preciso…

CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS

O motor V6 do GT-R tem agora 550 cv e um binário de 632 Nm

O motor V6 do GT-R tem agora 550 cv e um binário de 632 Nm

Motor: Diant.longitudinal, Transeixo independente 4WD, V6 “Twin” turbo, 3799cc, DOHC com controlo contínuo do tempo de abertura de válvulas, 4 válvulas por cil., ignição direta com velas de elétrodo de irídio, inj.multiponto, dois turbos c/”intercooler”; Potência (cv/rpm): 550/6.400; Binário Máx. (Nm/rpm): 632/3.200 – 5.800; Vel. Máx. (km/h): 315; Acel. 0-100 km/h (s): 2,8 (2,7s, MY’13); Consumos (l/100 km): 11,8; Emissões CO2 (g/km): 275; Transmissão: Embraiagem dupla, caixa de velocidades GR6, comandos por patilha no volante; Diferencial de deslizamento limitado, 1,5 way (LSD); Direção: Pinhão e cremalheira, com assistência elétrica variável em função da velocidade; Suspensão: Dianteira – Forquilha dupla com braços superiores e inferiores em alumínio; Traseira – Multi-link com braços superiores em alumínio; Travões: Frente – Brembo 390 mm, discos ventilados com calibradores opostos em alumínio fundido (6 pistons); Atrás – Brembo 380 mm, discos ventilados cm calibradores postos em alumínio fundido (4 pistons); Jantes: 20”, em liga leve, com pneus 255/40ZRF20 97Y (Frente) e 285/35ZRF20 100Y (Atrás); Preço (euros): 131.950 (MY’13)

O Nissan GT-R apenas está disponível novo na versão MY'13 e custa menos de 132 mil euros

O GT-R apenas está disponível novo na versão MY’13 e custa menos de 132 mil euros

Texto: Hélio Rodrigues; Fotos: Américo Rodrigues e C.Santos; Agradecimentos: Campera Karting – Kartódromo do Carregado (www.camperakarting.com)

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