Renault Clio TCe 90 Dynamique S/Renault Clio 1.5 dCi 90 Dynamique S

Uma ponte para a outra margem

Renault Clio TCe 90 Dynamique S

Renault Clio TCe 90 Dynamique S

A quarta geração do Renault Clio nasceu de um… DeZir, o belo “concept” que a marca lançou para perceber a aceitação de uma nova e flamejante linguagem de “design”. Ponte para uma outra margem, onde o futuro se traduz numa saudável democratização tecnológica e naquele que é o início de uma outra vida na Renault, o Clio IV é proposto em Portugal com apenas duas motorizações, ambas inéditas e ambas com 90 cv: uma a gasolina e outra turbo-Diesel. O AutoanDRIVE ensaiou ambas. Veja as diferenças.

A comercialização da quarta geração do Renault Clio arrancou em Portugal no passado mês de Novembro. Com uma difícil missão: continuar o sucesso alcançado pelas anteriores gerações, que culminou em mais de 11,5 milhões de unidades vendidas em todo o mundo, em 23 anos de vida (o Clio foi lançado em 1990 e é vendido em 115 países). Talvez, contudo, não tão difícil assim: o argumentário que transporta consigo está bem visível, a começar pela imagem.

Corte total

O novo Clio representa um nítido corte com o passado em termos de linguagem estética

O novo Clio representa um nítido corte com o passado em termos estéticos

O novo Renault Clio funciona como um corte total com o passado. Mais: na verdade, ele é o início de uma nova linguagem de “design”, que a marca francesa quer continuar em todas as suas gamas, segundo já no Mégane, com início no Scénic e Grand Scénic. Como, aliás, tem sido hábito nos anos mais recentes.
O quarto Clio destaca-se logo pela frente, onde pontua o enorme logotipo, colocado na vertical sobre fudo negro brilhante. A parte dianteira é agora mais esguia, com contornos mais definidos e suaves, delimitada pelos grupos óticos em cromado e de aspeto felino, colmatado pelas luzes LED diurnas, expressando uma desportividade precisa e quase surpreendente. A falar para toda uma geração mais jovem e descomprometida, sem dúvida.

Na frente pontua um enorme logotipo colocado em fundo brilhante

Na frente pontua um enorme logotipo colocado em fundo brilhante

No resto, o novo Clio é mais encorpado, com uma linha de cintura elegante e, ao mesmo tempo, viril, enquanto a traseira simula um Mégane em miniatura, com a tampa da bagageira a fazer as honras da casa, em que os grupos óticos horizontais dão o toque de Midas que faltava aos ombros fortes e vigorosos do Clio. É que, na realidade, a Renault não pensou numa carroçaria de três portas para o novo Clio, estando por isso somente disponível com cinco portas. Mas a arte e o engenho dos criadores assinaram uma silhueta enganosa, que faz os mais distraídos tentarem entrar lá para trás através das portas dianteiras… já que o desenho das duas “outras” portas está perfeitamente integrado no conjunto, com os puxadores escamoteados no terceiro pilar. Não é inédito, mas funciona sempre…

A traseira replica um Mégane Berlina de menores dimensões

A traseira replica um Mégane Berlina de menores dimensões

Acresce dizer que este novo Clio acompanha as tendências que, no mercado atual, fomentam uma personalização a preceito. A Renault chama-lhe Pack Look Exterior. Está disponível em oito cores, que “pintam” as capas dos espelhos retrovisores, as proteções inferiores das portas laterais e traseira e o difusor traseiro inferior. As jantes são pintadas em cores sólidas e existem “strippings” para serem aplicados no tejadilho. O feito pode oscilar entre o quase despercebido (a versão dCi que ensaiámos exibia este Pack em cinza e quase não se notou) e o garridamente desportivo (como na versão TCe, em que as aplicações eram num jovial vermelho vivo).

Interior mais moderno e jovem

O interior foi inspirado no Zoe e está mais moderno e jovial

O interior foi inspirado no Zoe e está mais moderno e jovial

Também lá dentro o novo Clio está diferente. Inspirado no elétrico Zoe – de que herdou uma consola central praticamente idêntica e, já agora, algo inestética, em especial a parte que se prolonga para trás – o habitáculo surge moderno e desempoeirado. O conjunto é coerente com a imagem mais jovem que a Renault pretende invocar com este quarto Clio, destacando-se o “design” do painel de bordo, bem como a inclusão de cores brilhantes um pouco por todo o lado.

A versão dCi era muito discreta na personalização exterior

A versão dCi era muito discreta na personalização exterior

Aliás, a personalização exterior é replicada no interior, desde o tecido e o padrão dos estofos que forram os bancos, aos painéis de bordo e das portas, que ostentam inserções da mesma cor brilhante do exterior. Além de que o volante, as pegas de fecho das portas, os aros dos climatizadores e a base da alavanca da caxa de velocidades se encontram igualmente decorados com aplicações metálicas coloridas…

A qualidade geral dos materiais, bem como a sua montagem, são melhores que na anterior geração. O quadro de instrumentos é formado por um conta-rotações, do lado esquerdo e, do outro lado, um indicador do nível de combustível; ao centro, o velocímetro digital e, por cima deste, um indicador ode se podem visualizar os dados da viagem, em que as informações surgem com rapidez e e, tal como o resto dos dados, são de leitura fácil. O manómetro da temperatura do óleo do motor foi substituído por um indicador gráfico, azul quando está frio, alaranjado quando fica quente.

A posição de condução é correta e fácil de encontrar, até porque o volante pode ser ajustado em altura e profundidade e o banco do condutor pode deslizar até cinco centímetros para trás. E por falar em bancos, em relação ao anterior Clio estes são maiores mas mais duros, embora cómodos e com bom apoio lateral. Um condutor mais alto não bate com a cabeça no tejadilho, coisa que o “seu” passageiro não pode evitar, pois o banco do lado direito não tem regulação em altura. Uma referência para o facto de a pala do lado direito não incluir espelho de cortesia e para a única “ilha” de luzes no tejadilho ser a frente, mergulhando os lugares traseiros na penumbra e dificultando aí a leitura de documentos ou a procura de objetos perdidos no solo do veículo.

A bagageira tem um volume de 300 litros, mais 12 que na anterior geração

A bagageira tem um volume de 300 litros, mais 12 que na anterior geração

A bagageira tem um volume de 300 litros, mais 12 que na anterior geração, estando entre as maiores no segmento, embora esteja muto alta, a cerca de 70 cm do chão. O pneu suplnte é um opcional  custa 70 euros. Os bancos podem rebater-se de forma assmétrica (60/40), mas o plano assim conseguido fica mais alto que o piso da mala quase 20 cm.

No habitáculo existem diversos locais de conveniência, para colocar objetos vários, seja na parte inferior do “tablier”, seja nas portas ou na consola central. O porta-luvas é grande, pode levar mesmo duas garrafas de meio litro de água, mas não tem luz e a sua abertura é rija e o fecho tem que ser feito de forma decidida para ser eficaz. Na sua parte superior, há uma plataforma para colocar objetos mais estreitos em maior segurança, como telemóveis ou carteiras com documentos.

Motor a gasolina ou Diesel?

O Clio TCe a gasolina é mais barato cerca de 3.500 euros

O Clio TCe a gasolina é mais barato cerca de 3.500 euros

Em Portugal, o novo Renault Clio é proposto em duas motorizações, ambas com 90 cv: o inédito bloco a gasolina, de menos de um litro de cilindrada e com turbo e uma derivação do bem conhecido motor 1.5 dCi, até agora não utilizada pela marca francesa. Muito semelhantes em termos dinâmicos, “performances” e consumos, há no entanto algumas “nuances” que os toram diferentes e que poderão ser significativas no momento da escolha.

Desde logo, o preço: a versão a gasolina é cerca de 3.500 euros mais barata, sendo o valor base pouco superior aos 15.500 euros. Mas esta é a vantagem mais percetível deste motor. No resto, o TCe nem sempre fica em vantagem em relação ao dCi.

O Clio dCi é mais silencioso na fase de arranque

O Clio dCi é mais silencioso na fase de arranque

Por exemplo, a fase de arranque, o motor dCi é mais silencioso e harmonioso que o TCe. Este invoca a sua condição de três cilindros com vibrações bem percetíveis, ao “ralenti” ou quando se começa a acelerar, vibrações estas que passam então para o pedal da embraiagem. Porém, em estrada é menos audível que o dCi, tornando-se mais agradável.

Os consumos são outra razão que poderá fazer com que a balança penda para o dCi. Apesar de a Renault anunciar consumos baixos em ambas as versões (4,5 litros no TCe, 3,6 litros no dCi), a realidade eles são mesmo “baixos” somente no dCi. O AutoanDRIVE conseguiu 4,9 l/100 kms.no dCi (um depósito, apesar de mais pequeno que na versão anterior – 45 contra 55 litros – chega parta quase 1.200 quilómetros) mas, no TCe, não conseguiu baixar dos 6,9 l/100 kms.

O Clio TCe é muito mais guloso do que o anunciado pela marca

O Clio TCe é muito mais guloso do que o anunciado pela marca

Isto, apesar de ambos estarem equipados com o sistema de Start&Stop (bastante rápido na sua atuação) e de terem uma possibilidade “ECO” de condução, que a Renault garante ser capaz de baixar em 10% os consumos, mediante a existência de varetas móveis na grelha para diminuir o atrito aerodinâmico e mexidas a gestão do motor e do acelerador, tornando mais suava as respostas ao pedal do lado direito – com o inconveniente de ter que se recorrer com maior frequência à caixa de velocidades.

No resto, são equivalentes. Associados a uma caixa manual de cinco velocidades tipicamente Renault – isto é, suave e de engreno fácil e rápida q.b., embora algo pastosa no curso e por vezes a provocar dúvidas quanto à inserção da marcha-atrás – mostram disponibilidade desde baixos regimes, embora o TCe exija uma maior pressão do acelerador, pois apenas começa a “funcionar” para lá das 2.200 rpm.

O Clio TCe é menos despachado na estrada pois só começa a "funcionar" em regimes mais altos

O Clio TCe é menos despachado na estrada pois só “funciona” em regimes mais altos

Por isso, o dCi parece mais adequado para viagens mais longas, por mostra-se mais disponível para transportar quatro adultos sem ser necessário recorrer tanto á caixa de velocidades para iniciar as ultrapassagens. Na verdade, até mesmo na questão dos consumos, por vezes ficam as saudades de mais uma relação na caixa, impensável por causa dos custos que exigiria. A alternativa a esta encontrar-se-á, a partir de meados deste ano, na caixa automática de dupla embragam EDC.

Melhor comportamento

O comportamento dinâmico do novo Clio é melhor que no anterior

O comportamento dinâmico do novo Clio é melhor que no anterior

Na estrada, o comportamento do novo Clio é um pouco melhor que o da anterior geração. Mantém-se a estabilidade e o conforto, com a suspensão (McPherson na frente, multibraços unidos por uma barra de torsão, atrás) a absorver bem as irregularidades do piso, embora por vezes pareça algo dura, em especial para quem viaja atrás onde, além disso, os joelhos continuam a bater nas costas dos bancos da frente, apesar de existir aí uma maior largura para os ombros. Esta maior dureza compensa depois a eficácia em curva.

A melhoria encontra-se na sensação de que se está ao volante de um automóvel de maiores dimensões, mas isso é uma questão de gestão do espaço interior. Até porque, apesar de mais largo nestas cotas de espaço, o novo Clio utiliza a mesma plataforma B que a Nissa usa no Micra. Único senão está no ruído provocado pelos espelhos retrovisores, bastante audível a partir dos 100 km/h, enquanto, no polo oposto, se regista o (quase) silêncio de funcionamento dos dois motores.

Na cidade o novo Clio é muito agradável graças à leveza da sua direção

Na cidade o novo Clio é muito agradável graças à leveza da sua direção

Na cidade, o novo Clio é bastante agradável, pois a direção é suave e necessita de pouco raio de viragem, enquanto a suspensão funciona melhor que em estrada, absorvendo com maior eficácia as irregularidades do asfalto. Pena que a visibilidade para trás seja algo comprometida pelos grossos pilares, apesar de aí existir uma pequena janela, cuja utilidade não resultou muito óbvia.

A travagem está a cargo de travões de disco apenas na frente, mas tal não se reflete na eficácia nem sequer no cansaço, que praticamente não existe mesmo em caso de uso intensivo dos mesmos.

Mais e moderno equipamento

Ambas as versões ensaiadas estavam bem equipadas de série

Ambas as versões ensaiadas estavam bem equipadas de série

Ambas as versões ensaiadas por nós estavam niveladas como Dynamique S, em termos de equipamento. O que quer dizer a inclusão, de série, do ar condicionado; retrovisores com desembaciamento; auxílio do arranque em subida; regulador e limitador de velocidade; sistema ISOFIX de fixação de cadeira para crianças; controlo eletrónico de estabilidade (ESP); airbags para condutor e passageiro, frontais e laterais (cabeça e tórax); ou auxílio à travagem de urgência.
Também de série é o sistema MEDIA-NAV, que integra o rádio, com tecnologia Bluetooth e sistema Renault Bass Reflex (uma estreia mundial, que permite a restituição das baixas frequências sem distorção do som), entradas USB/”jack” na fachada do écran tátil (de 7”) e navegação Nav N Go com afixação em 2D ou 3D (Birdview).

A Renault dsponibiliza em algumas versões um "tablet" em que é pioneira

A Renault dsponibiliza em algumas versões um “tablet” em que é pioneira

Nas versões topo de equipamento, a Renault disponibiliza o inédito sistema R-Link, um “tablet” incorporado ligado ao automóvel (à sua eletrónica, permitindo uma eco-condução avançada com conselhos ao condutor) e à Internet, esta através dos serviços LIVE da TomTom, com as informações a serem visíveis num écran tátil de 7” e elevada definição, com comando vocal. Além disso, pode ser usado como um “smartphone”, através da Renault R-Link Store, permitindo ao condutor aceder e descarregar toda uma série de aplicações, como a personalização sonora do habitáculo. O écran de acolhimento pode ser personalizável pelo cliente, uma estreia no mercado.
Para mais tarde, a marca francesa pretende integrar este sistema altamente tecnológico de série nas suas gamas, a exemplo de outros sistemas em que foi pioneira, como o cartão mãos-livres, o sistema de navegação TomTom, os comandos do rádio no volante ou os écrans de alta definição.

A pintura metalizada é um opcional

A pintura metalizada é um opcional

Os opcionais eram diferentes nas duas versões. Em comum, estava a pintura metalizada, bem como o Stylish Pack (jantes de 16” e faróis de nevoeiro, 450 euros), o Pack Look exterior, sem custos na fase de lançamento e o pneu suplente. O dCi tinha em opção o radar de estacionamento traseiro (120 euros) e o TCe a decoração em vermelho no interior, bem como o Pack Techno (sensores de luz e chuva, cartão Renault mãos-livres, volante em couro e vidros dianteiros impulsionais, 350 euros). Em ambas, os vidros tarseiros eram de abertura manual.

CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS

O Clio TCe tem um preço base de 15.580 euros

O Clio TCe tem um preço base de 15.580 euros

Motor: Diant. transv., 3 cil. em linha, 998 cc, 12 v., inj.indir. a gasolina, turbo compressor c./”intercooler” (TCe); Diant. transv., 4 cil., 8 v., 1461 cc, turbo-Diesel de geometria variável, inj.directa c./ “common rail” e “intercooler” (dCi); Potência (cv/rpm): 90/5.250 (TCe); 90/4.000 (dCi); Bin.Máx. (Nm); 135/2.500 (TCe); 220/1.750 (dCi); Vel. Máx. (km/h): 182 (TCe); 178 (dCi); Acel. 0-100 km/h (s): 12,2 (TCe); 11,7 (dCi); Consumos (l/100 km): 4,5 (TCe); 3,6 (dCi); Emissões CO2 (g/km): 105 (TCe); 93 (dCi); Preço (euros): 15.580 (TCe); 19.080 (dCi)

Renault Clio 1.5 dCi 90 Dynamique S

Renault Clio 1.5 dCi 90 Dynamique S

Texto: Hélio Rodrigues; Fotos; C.Santos

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