Citroen DS5 2.0 HDI HYbrid4 Airdream Sport Chic

O fantasma branco

Silêncio, que vai andar um Citroën DS5 “híbrido”! Pois é: este o fado de quem se sentar ao volante, carregar no botão de arranque e ficar à espera de ouvir o habitual matraquear de um motor Diesel, sempre presente mesmo num habitáculo criteriosamente insonorizado. Dentro do Citroën DS5 2.0 HDI HYbrid4 Airdream Sport Chic, nada se percebe, a não ser o deslizar suave, nas primeiras largas dezenas de metros da viagem. Depois, um estremecimento e a indicação de que o modo elétrico deixou de estar “disponível”. Até lá, verdadeiro fantasma, o DS5 deixou o parque de estacionamento e lá foi, avenida a baixo, pelo meio do trânsito. Um fantasma branco, pois o branco foi a cor de lançamento da espécie, na versão híbrida.

A junção de um motor elétrico a um turbo-Diesel não teve a assinatura pioneira da Citroën. É certo que nasceu dentro da PSA, mas por parte do outro braço do grupo, a Peugeot. Porém, o mérito da Citroën está em que, ao contrário da sua “irmã” francesa, aproveitou o lançamento absoluto de uma nova criação para a dotar de caraterísticas até então únicas na “griffe” e, de uma penada, concitar as atenções na nova e surpreendente tecnologia.

Ou seja, em vez de a lançar dentro de um invólucro “dèjá vu”, como a Peugeot fez no 3008 (mesmo antes de o introduzir no, esse sim novo, 508), a Citroën fê-lo com o DS5, uma novidade em absoluto e dentro da sua nova linguagem – estética, sim, mas principalmente de qualidade e de futuro. E, como tal, não fazia sentido que a motorização HYbrid4 fosse introduzida noutro “sítio” que o DS5, a mais recente flecha da atitude de inconformismo da marca francesa, a Citroën fê-lo com a qualidade e pompa que a circunstância exigia.

Os olhos cada vez comem mais

Uma verdade: os olhos sempre foram o espelho da emoção necessária para juntar à razão de uma escolha. E no DS5 – o terceiro elemento da família DS, a sublimação estética da linguagem de Tecnologia Creativa (“Créative Technologie”) assumida e praticada pela marca francesa desde o DS3 – esta verdade lapalisseana foi exercida quase até à exaustão.

Também não é menos verdade que estas considerações são subjetivas – os gostos não se discutem e damos de barato que existem quem, como nós, até gostou (e muito) do DS5 e das suas linhas ousadas e distintivas, também existe quem não gostou mesmo nada do DS5.

Mas, retirando a carga pessoal de todas estas palavras, percebe-se outra verdade: o Citroën DS5 não tem nada que ver com qualquer outro modelo da marca – apesar de existir quem garanta que teve laivos de inspiração retro no DS19 e, principalmente, no DS21 – e, primeiro por isso, destaca-se.

O Citroen DS5, ao contrário do volume que emana das suas formas situadas entre uma berlina e um SUV, com traços óbvios de “coupé”, não é muito comprido: apenas 4,3 metros. Porém, e ninguém consegue negá-lo, emana uma mescla bem conseguida de compacidade e de robustez. As suas linhas são ao mesmo tempo finas e elegantes, mas também viris, na forma quase sublime como se consegue a ligação entre a frente elevada e máscula e a traseira rebaixada e desportiva: através de uma linha de cintura firme, de formas definidas pelo vinco desenhado ao longo das portas e, principalmente, pela inserção cromada sobre o estribo.

Curiosamente, a superfície vidrada parece pequena para o restante volume do DS5 – e é. Excetuando o pára-brisas longo e muito inclinado, tudo o mais é baixo, em especial atrás. Mas a eventual sensação e claustrofobia é evitada pla Citroën com uma posição e condução mais levada que numa berlina e, acima de tudo, pelo tejadilho em vidro, de abertura faseada e que se prolonga para o óculo traseiro, do qual é separado por um “spoiler” aerodinâmico, que faz a divisão para uma traseira simples, mas elegante. E onde se destacam os grupos óticos estilizados e o pára-choques de grandes dimensões, perfeitamente integrado no conjunto e limitado em baixo com um difusor aerodinâmico, no qual se encaixam as duas saídas hexagonais e cromadas dos escapes.

Luxo é tradição

Todo este invólucro esconde um interior ainda mais arrojado, com muitos elementos inspirados na indústria aeronáutica, desde a enorme consola central, multifuncional, os três painéis de bordo com projeção de diversas informações num “head up display” em vidro bem na frente do condutor, ao conjunto de interruptores existentes no tejadilho, fazendo lembrar o “cockpit” de um avião e que comandam diversas funções, como a abertura personalizada das cortinas do tejadilho envidraçado, oferecendo ao habitáculo a luminosidade que desejarmos.

Além disso, a Citroën equipou o DS5 com o máximo de luxo que os pergaminhos de conforto absoluto da marca traziam: uma mistura de materiais quentes e frios, uma climatização perfeita, bancos ergonómicos em couro com sistema de massagens incorporado.

Refira-se, por outro lado, que, para lá do luxo, respira-se uma enorme qualidade dentro do DS5. Os materiais foram criteriosamente escolhidos, não existem folgas e, muito menos, arestas vivas ou superfícies desagradáveis ao toque – e, também, ao olhar. Um exemplo: os estofos são em cabedal Claudia com confeção “Sportloung” e os revestimentos das portas são, também, em cabedal Claudia. Tudo para que o condutor e os restantes quatro passageiros s sintam como que viajando num salão único, de certa forma futurista e arrojado, mas onde os desejos são uma… ordem.

Por isso, o equipamento está ao nível do esperado. No nível Sport Chic, o mais elevado, inclui mordomias como sistema de luzes de cruzamento automático; bancos dianteiros com regulações elétricas; sistema de navegação GPS e-My Way; decorações interiores em Métal; ou faróis com lâmpadas de Xénon e luzes diurnas em LED (na frente e atrás).

Em adição, a versão ensaiada ostentava opcionais como a pintura em Branco nacré (720,01 euros); sensores estacionamento dianteiros (230,02 euros); Pack Safe Drive (599,99 euros); Pack Black Crome (300 euros); e jantes em liga leve de 19” diamantadas em preto (450 euros), aumentando a fatura final em 2.000 euros, ficando, mesmo assim, abaixo dos 50 mil – um valor elevado, é certo, mas plenamente justificado por tudo o que, em termos de imagem, qualidade e tecnologia, representa esta versão do DS5.

Tudo em nome do futuro verdejante

E, por falar em tecnologia, é esta exatamente a outra faceta que faz o Citroën DS5 distinguir-se dos restantes Citroen. Uma tecnologia aberta ao futuro mais “verde” que se possa imaginar: chama-se HYbrid4 e é a conjugação, inédita em carros de série, entre um motor turbo-Diesel e dois motores elétricos a baterias de níquel, uma ousadia assinada pelo Grupo PSA.

Mas, afinal, para lá de diminuir os consumos para valores próximos dos 5,5 l/100 kms (são anunciados 4,1 l/100 km, mas todos sabemos como estes números são atingidos…) e as emissões poluentes para pouco acima da fasquia “mágica” dos 100g/km (algo impensável em motores por tradição mais inimigos do ambiente como os Diesel, ainda por cima com potências como as que este DS5 especificamente consegue atingir), uma enorme agradabilidade de condução e disponibilidade de potência e força a qualquer regime.

O segredo por trás desta disponibilidade e apetência dinâmica encontra-se em duas formas de motorização, perfeitamente combinadas: o motor térmico turbo-Diesel 2.0 HDI, de 163 cv, montado à frente e associado às rodas dianteiras; um motor elétrico de 37 cv, montado sobre o eixo traseiro e alimentando por baterias de pilhas de níquel e ligado às rodas traseiras. Com isto, a potência combinada atinge os 200 cv e fica disponível com enorme tranquilidade, pois o motor elétrico assume uma função de “boost”, quando se carrega no acelerador.

Esta combinação encontra-se associada a uma caixa de velocidades automática pilotada de seis relações, mais rápida e silenciosa que a utilizada nas versões e-HDI do motor 1.6 turbo-Diesel de 112 cv. Com patilhas no volante, é uma franca ajuda às capacidades dinâmicas do DS5 HYbrid4, que possui ainda uma singular capacidade: a tração é traseira em quase absoluta permanência pois, enquanto o motor térmico garante a tração dianteira, sempre que o elétrico entra em ação, a tração é também feitas às rodas de trás.

Porém, além disso, é ainda possível optar por quatro modos de condução, bastante para isso selecioná-los num botão “had oc” existente na consola central: ZEV, Auto, Sport e 4WD. O modo ZV apenas permite rodar no modo totalmente elétrico, sem o recurso ao motor térmico – que entra em funcionamento mal se atinjam os 60 km/h, passando-se então a rodar em moto Auto, que gere a parceira entre as duas motorizações.

No modo Sport, potenciam-se as capacidades dinâmicas dos dois motores, com o elétrico a complementar em permanência o térmico, no que é ajudado por uma alteração nas relações da caixa de velocidades, que ficam mais assertivas e “curtas”.

Finalmente, o modo 4WD significa tração total em permanência, mas adequando a gestão da mesma a situações críticas, como piso escorregadio, chuva, neve ou lama. E, curiosamente, podemos dizer, com conhecimento de causa, que podemos levar o DS5 para pisos de terra, obviamente que moderados: sempre que existam dificuldades de tração, lá estão as rodas traseiras dispostas a dar uma ajudinha…

Por isso, há que dizer com propriedade que a polivalência de uso é outra das (boas) caraterísticas do DS5 HYbrid4. Más caraterísticas? Talvez o preço… Mas pronto: muito e barato, não há quem.

CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS

Motor: Diant. transv., 4 cil. em linha, 1.997 cc, 16 v, 2 árvores de cames à cabeça; inj.direta “common rail”; turbo geometria variável, c./”intercooler” (motor térmico); dois motores de corrente alterna, ligados ao eixo traseiro (37 cv/2.000) e dianteiro (11 cv/6.000); alimentação: baterias tipo acumulador de níquel/hidruro metálico, capacidade útil 1.1 kWh, situadas em posição central traseira; tração total; Potência (cv/rpm): 163/3.850 (motor Diesel); 11/6.000 e 37/2.000 (motores elétricos); 200 cv (total); Vel. Máx. (km/h): 211; Acel. 0-100 km/h (s): 8,6; Consumos (l/100 km): 4,1; Emissões CO2 (g/km): 107; Preço (euros): 47.461,71 (versão ensaiada: 49.461,73)

Texto: Hélio Rodrigues; Fotos: C.Santos

Advertisements

One response to “Citroen DS5 2.0 HDI HYbrid4 Airdream Sport Chic

  1. Pingback: Citroën DS5 1.6 BlueHDi 120 SoChic/Citroën DS5 2.0 BlueHDi 180 SportChic Aut. | AutoanDRIVE·

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s