Citroën C4 1.6 e-HDI 110 Airdream Exclusive

“Cocktail” de conforto e economia

O novo Citroën C4 herda os genes de conforto, espaço e frugalidade da geração anterior, mas agora mesclados com uma qualidade mais evidente e uma personalidade mais cativante. A versão equipada com a caixa manual pilotada surge como uma boa opção para quem preza não somente a integridade ambiental, mas principalmente a doçura de rolamento e a economia de consumo.

Sobre as principais características do novo Citroën C4 já o AutoanDRIVE teve ampla oportunidade de falar (https://autoandrive.com/2011/01/29/citroen-c4-1-6-hdi-110-fap-seduction/). Coube-nos agora ensaiar a versão 1.6 e-HDI 110 FAP Exclusive, uma unidade pautada, numa conclusão final, por um equipamento acima da média para o segmento, associado à vertente economia. Basta dizer que, com este C4, fomos e viemos ao Algarve, lá andamos durante todo o fim-de-semana e, após longos quilómetros de A2 e A22, EN 125 e IC2, somente metemos combustível já em Lisboa. E numa altura em que restava ainda o suficiente para cerca de duas centenas de quilómetros mais… A razão de toda esta frugalidade? Uma “coisa” chamada caixa manual pilotada.

Rola doce, docemente…
… Como quem chama por mim. Ooops! A letra da “Balada da Neve” de Augusto Gil não é bem esta, mas até apetece que seja…
Vem esta tergiversão a propósito da suavidade que se sente quando circulamos com o Citroën C4 1.6 e-HDI 110 FAP Exclusive. De facto, no painel de oferta do novo C4, o verdadeiro destaque está nesta versão: no resto, tecnicamente tudo é igual à anterior geração, desde os motores aos sistemas de transmissão, a cargo de caixas manuais de cinco ou seis velocidades. Tudo, em prol do conforto e da eficácia, já bem conhecidos e até simbólicos da marca francesa: que se mantém, “agravado” por um aumento de qualidade perceptível e uma imagem mais desportiva, jovial e subtilmente apelativa.
Mas, afinal, o que é (e como é viajar) o C4 “e-HDI”? Muito simples: trata-se de um “normal” C4, mas equipado com o sistema micro-híbrido da Citroën, trabalhado para minimizar os consumos e não agredir tanto o meio ambiente. Composto pelo sistema “Start/Stop”, que “apaga” o motor 1.6 HDI de 112 cv no pára-arranca do trânsito ou sempre que o carro se imobiliza e por um alternador de comando inteligente, a sua principal característica mais visível é, no entanto, a caixa manual pilotada de seis relações.
Fácil e intuitiva, o seu manuseamento faz-se através de uma (muito) pequena e ergonómica alavanca, situada na consola central – que, graças ao formato quase minimalista da referida alavanca, ganha um espaço inusitado, ocupado por um enorme compartimento, refrigerado, para colocação de objectos e com ligações USB e AUX, bem como tomadas de corrente. Com quatro posições, à imagem de qualquer caixa automática “de Lineu”, tem contudo uma diferença: na posição “M” (Manual), não permite a passagem sequencial das mudanças, tendo a mesma que se fazer, obrigatoriamente, através das (enormes e inestéticas mas, felizmente, escondidas pelo volante… de centro agora móvel) patilhas – à esquerda, para baixar; à direita, para subir.
O motor 1.6 de 112 cv é mais que suficiente para uma condução descontraída e fácil, tal a sua disponibilidade sossegada em qualquer regime. Porém, a caixa manual pilotada exige uma abordagem diferente da utilização do motor. Em auto-estrada, nada a dizer: basta colocar a alavanca na posição “A” (Automático) e a passagem das mudanças vai-se fazendo por si só, suavemente e sem outra sensação que um “embalar” algo monótono dos ocupantes.
Porém, em estrada – e caso se queira fazer uma condução mais ágil – pode ser um problema, pela sua lentidão. Na posição “A”, a caixa revela-se um pouco inconstante, ora assumindo uma relação superior, ora baixando, de súbito, para a relação imediatamente inferior, um pouco à medida de um (quase) incompreensível “capricho”. É claro que não é bem assim – qualquer mínima pressão no pedal do lado direito leva a uma quase imediata alteração dos parâmetros electrónicos que comandam a caixa, provocando uma alteração da escolha das relações. O “segredo” para evitar este “destrambelho” está em utilizar a caixa na posição “M”, tornando-se o condutor responsável pela escolha das relações engrenadas. Porém, nesta posição, os consumos aumentam, embora apenas ligeiramente.
Mas, em prol da segurança – é quase angustiante tentar uma ultrapassagem e verificar que o carro “mergulha” e perde tempo durante as passagens “automáticas” da caixa! – o ideal é mesmo usar, em estrada e com trânsito apreciável, a caixa na posição “M” – quase não se perde tempo no seu manuseamento e quase deixa de existir aquele “mergulhar” constante, sempre que é a electrónica que decide qual a relação a utilizar. E foi, verdade seja dita, esta a única pecha que descobrimos em relação ao C4 1.6 e-HDI 110 FAP. No resto, mantém o mesmo conforto e eficácia rolante do C4 equipado com caixa manual; resulta, mesmo, mais agradável e macio, em viagens longas, menos cansativo e mais económico – conseguimos consumos mesmo inferiores aos 6l/100 kms, em estrada, que subiram depois para quase 6,5 l/100 km.
O equipamento, nesta versão, estava nivelado como Exclusive, o máximo possível na gama, aproximando-o do segmento superior. O que, de série, queria dizer “mimos” como o travão de estacionamento eléctrico; vigilância de ângulo morto; sensores de estacionamento na frente, atrás e laterais; sensores de chuva e de luz; seis “airbags”; luzes com LED diurnos; faróis com sistema de “cornering”; retrovisores eléctricos com iluminação; bancos do condutor e passageiro da frente com massagem “twin zone”; sistema “Citroën e-TOUCH”; compartimento de arrumos e porta-luvas refrigerados; ar condicionado automático; rádio RD5 MP3 com Connecting BOX e comandos no volante; ou jantes em alumínio de 16”.

CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS
Motor: Diant. transv., 4 cil. em linha, 1560 cc, turbo-Diesel, turbo-compressor c./”intercooler”, inj.dir. múltipla “common rail”, 16 válvulas
Potência (cv/rpm): 112/3.600
Vel. Máx. (km/h): 190
Acel. 0-100 km/h (s): 11,2
Consumos (l/100 km): 3,8
Emissões CO2 (g/km): 98
Preço (euros): 27.392,93 (27.802,91 versão ensaiada)

Texto: Hélio Rodrigues
Fotos: C.Santos

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One response to “Citroën C4 1.6 e-HDI 110 Airdream Exclusive

  1. Boa tarde, comprei um agora em segunda mão e os retrovisores funcionavam na perfeição quando fazia marcha a tras, mas (como não tenho livro de instruções) andei mexer em alguns botões na base do teste e descativei essa funcionalidade… pode ajudar-me e indicar-me onde passo activar? Obrigada

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