Surpresas quem as não tem…
A BMW renovou e remoçou o seu Série 1, tornando-o muito mais apelativo e jovem. E, também, dinâmico. No universo turbo-Diesel, o Série 1 possui duas alternativas democráticas: o novo bloco 1.6, de 115 cv, e o já bem conhecido bloco 2.0. Este último encontra-se declinado em três níveis de potência – 116, 143 e 184 cv. O AutoanDRIVE, que tinha já ensaiado a versão mais popular e em que a marca aposta no mercado nacional (http://autoandrive.com/2012/05/17/bmw-116d-efficient-dynamics-5-p/), quis agora perceber a que distância s situa a versão mais musculada. E encontrou algumas diferenças, é claro – em especial no preço e no equipamento. Mas, também, algumas surpresas. Veja quais já a seguir.
Já o dissemos, mas nunca é demais repetir: a atual geração do BMW Série 1 está melhor, dinâmica e visualmente. Aqui, os homns (ainda) comandados pelo génio de Adrian van Hooydonk conseguiram transformar um “patinho feio” em qualquer coisa de mais interessante – carismático mesmo.
O traço principal e que se destaca do passado é a frente mergulhante, tipo tubarão, limitada pelos grupos óticos rasgados e sorridentes, que finalmente aproximou a Série 1 das outras “séries” da BMW. Também a linha de cintura, agora vincada, bem como a traseira mais envolvente, transformaram de forma decisiva o BMW Serie 1.
Dinâmica a preceito… mas também ECO
Quando se fala de dinâmica, aquele chassis algo “estranho”, existente no anterior Série 1, desapareceu – e o atual Série 1 está mais de acordo, em termos de comportamento, com os outros BMW, dignificados pela sua tração traseira, afinal a génese para quem gosta de conduzir em controlo absoluto da potência. O segredo está na plataforma onde agora “assenta” o seu chassis e que é a mesma do Série 3 – e fica tudo dito.
Ou quase tudo. Falta acrescentar que, tal como as outras “linhas” da Série 1 – a exceção é a versão “full” Efficient Dynamics”, que utiliza um propulsor de 1.6 litros e 115 cv de potência – também este 120d Line-M tem diversas hipóteses de utilização do motor. Associado a uma caixa manual de seis velocidades, tipicamente BMW – isto é, segura, rápida e de engreno preciso, além de bem escalonada para todas as exigências – o motor de 2 litros dispara toda a potência (184 cv, convém relembrar) de forma musculada no modo Sport, onde dá para retirar um “certo” gozo, fazendo a traseira do BMW deslizar com suavidade na saída das curvas, onde se destaca a excelência do atual chassis.
Esta certeza fica evidenciada pelas belas jantes de 18”, que transformam o automóvel um metrónomo perfeito, de curva para curva. Os puristas podem queixar-se que, com elas, o carro ficou menos confortável – mas isso não é verdade: num carro que, assim vestido, fica com a sua veia desportiva reavivada, não se deve procurar o conforto absoluto, mas sim o prazer da performance e do devorar de quilómetros, depressa e bem. Esta foi a primeira surpresa.
Bom, a primeira, não – a segunda. Pois foi com ela que estragámos a primeira… De fato, quando nos sentámos ao volante deste 120d, decidimos rodar durante metade do tempo apenas no modo ECO PRO – aquele modo que dá “ordens” ao motor para melhorar a gestão de combustível, diminuindo os consumos de uma maneira… surpreendente. Quando ativado, o carro não fica mais lento – fica mais suave a busca da performance, que lhe é entregue sem sobressaltos. A suspensão fica mais macia, a caixa menos assertiva – e, no computador de bordo, o condutor consegue perceber quanto, em quilómetros, está a poupar.
Pois bem: nós conseguimos um consumo de 5,4 l/100 km., praticando uma condução perfeitamente “de Lineu”, sem preocupações com o consumo – afinal, o ECO PRO que fizesse o seu trabalho… Claro que, depois, no modo Comfort e, principalmente, Sport, estes números ficaram rapidamente, digamos, desatualizados – e o BMW 120d mostrou um consumo mais à altura dos seus 184 cv e dos seus pergaminhos: acima dos 7l/100 kms.
Linha (mesmo) desportiva
Uma das marcas de diferença que a BMW introduziu no novo Série 1 dá pelo nome de Line. Existem três principais: a Line Urban, a Line Sport e a Line M. Esta última é, decididamente, a mais de acordo com os pergaminhos dinâmicos da marca bávara – e era esta que vestia a unidade por nós ensaiada.
O Line-M, na sua essência, significa, logo à partida, um visual bem mais agressivo, fruto da utilização de todo um pacote aerodinâmico com franca inspiração M-Sport. E, desde a frente mais baixa, com um “spoiler” inferior e para-choques mais largos e envolventes; às abas das rodas mais largas; sem esquecer os estribos das portas com “saias” inferiores aerodinâmicos e o logo M-Sport inserido o alumínio; e a traseira com um “aileron” na parte superior da tampa da mala e um “spoiler” aerodinâmico a imitar fibra de carbono, na parte inferior, tudo ´feito para promover um impacto visual mais forte e viril. As jantes em liga leve BMW 386M de 18” ajudam à festa – restando dizer que este Pack Desportivo M custa quase 2.500 euros e inclui ainda, para lá de vários outros embelezamentos externos e internos, uma suspensão desportiva, mais dura e firme. Sem as jantes, que custam uns trocos além dos 400 euros…
A unidade ensaiada tinha, ainda, entre outros “mimos”, o Pack Conforto-Condução e Interior, por quase 1.300 euros; um Pack Visibilidade (176 euros) e um sistema de navegação profissional (1.420 euros). A pintura Estoril Blue custa 554 euros; o alarme, 403; os faróis Bi-Xénon, 546. Depois, há ainda vários “gadgets”, como a ligação à Internet (84,55 euros), ou o sistema BMW Apps, para iPod e iPhone (210 euros).
No conjunto, sempre são mais cerca de 10 mil euros de extras, que elevam o preço final para próximo dos 50 mil euros. Um valor pouco recomendável em época de crise, mas que espelha bem a qualidade tradicional da BMW e de que, felizmente, a marca nuca abdica. É que, verdade verdadinha, quem quer parecer para lá de bem, tem que abrir um nadinha os cordões à bolsa… Para quem não o quer fazer, ou não pode, mas tem, no BMW um objeto de desejo, pis bem: no catálogo da marca alemã há propostas para todos os gostos. Este 120d Line-M é uma delas e, não por acaso, é de bom gosto!
CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS
Motor: Diant., 4 cil. em linha, 16 v, 1995 cc, turbo-Diesel, turbo-compressor de geometria variável c./”intercooler”, inj.directa múltipla “common rail”; Potência (cv/rpm): 184/4.000; Vel. Máx. (km/h): 228; Acel. 0-100 km/h (s): 7,2; Consumos (l/100 km): 4,5; Emissões CO2 (g/km): 119; Preço (euros): 38.411,95 (unidade ensaiada, 48.764,94)

