Tempo para um… “peeling”
A Renault avançou com mais um remoçar da sua gama mais familiar, permitindo ao Mégane adotar um visual mais de acordo com uma mocidade que teima em não diminuir. Na verdade, o novo Mégane não passa de um “peeling” ligeiro aplicado ao antigo. Por isso, é legítimo dizer-se que a cara está mais nova, simpática e atraente. E que o corpo se mantém firme, ágil, mais saudável e ainda reforçado por um bom ramalhete de adereços úteis – ou seja, continua aí para as curvas.
O AutoanDRIVE ensaiou a versão da carroçaria de cinco portas, que é designada Berlina. E, curiosamente, aquela que, desde o lançamento desta geração Mégane, já lá vão três anos, menos carisma desenvolveu junto do público. Uma estética algo “cinzenta”, associada a pouco motivos de apelo, tornavam-na um “patinho feio”, perante a maior procura das versões de três portas e da carrinha, por tradição o “best-seller” dos Mégane. Aliás, era relativamente fácil confundir, a um olhar mais distraído, a carroçaria de cinco portas com a carrinha, mais parecendo aquela um derivado mais “redondo” desta.
Porém, bem pode dizer-se que, com este “peeling”, toda a gama Mégane saiu a ganhar – é que, apesar de ligeiro (máscara negra nos grupos óticos, mais afilados e joviais, luzes LED, em forma de “boomerang”, na frente aproximando do “modernaço” a linguagem de estilo), funcionou visualmente. Agora, até a versão Berlina é atraente, tem personalidade e se destaca entre as três opções disponíveis na gama – ou, dito por outras palavras, não se confunde ou fica para trás.
Mais ágil e “verde”
A estes argumentos estéticos, a Renault juntou um refinamento do caráter mais ecológico dos grupos proipulsores disponíveis. No caso concreto desta unidade, o nosso velho conhecido bloco de 4 cilindros e 1.461cc, declinado na sua vertente mais poderosa, com 110 cv. A verdade é que as pequenas alterações na gestão eletrónica, se fizeram diminuir os consumos (a marca arrisca um valor de 3,5 l/100 km – nós não conseguimos baixar dos 4,6 litros, o que mesmo assim é bastante razoável…) e as emissões poluentes para valores abaixo da fasquia psicológica das 100 g/km, não se refletem na estrada.
O motor 1.5 dCi de 110 cv mantém a mesma agilidade, descomprometida e fácil de acordar e, associado à tradicional caixa manual de seis velocidades, precisa e ágil q.b., com um escalonamento que consegue fazer o equilíbrio entre os consumos mais baixos e a eficácia em estrada (mesmo em troços mais sinuosos), transforma o Mégane Berlina num bom companheiro de viagem.
O espaço está lá, suficiente. A qualidade percetível não sofre reparos – está dentro do habitual neste segmento, sem desprimor nem falhas estruturais, como folgas óbvias na montagem ou ruídos parasitas a granel. O conforto de rolamento também – as ligações ao solo foram trabalhadas mas mantém-se justas, não pecam por demasiada rigidez, mas também não implicam um adornar desconfortável da carroçaria, em andamento mais empenhado.
A juntar a tudo isto, está o equipamento, como é tradição na Renault bastante completo, em especial neste nível GT Line, que utiliza propostas específicas, bem dentro e uma veia mais desportiva e dinâmica: para-choques específicos, as tais luzes em LED diurnas, jantes de 17” Celsium Dark Metal com “design” exclusivo. No interior, esse espírito condensa-se através da pedaleira em alumínio, bancos dianteiros com retenção lateral reforçada, indicadores dos ponteiros analógicos Renault Sport e volante específico forrado em couro com pespontos vermelhos. De série são também o ar condicionado automático “bi-zone”, o Radio Sat R-Plug & Radio com Bluetooth e saída USB, o cartão mãos-livres e o Visio System.
O preço, esse, começa nos 26.900 euros, a que se poderão juntar vários opcionais, avulso ou em forma de “pack”, que encarecem a fatura final ao gosto do freguês. Por exemplo: a “nossa” Berlina tinha, entre outros, como opções o sistema de navegação TomTom LIVE (500 euros) ou a câmara traseira de ajuda ao estacionamento e sensores de estacionamento dianteiros (590 euros). Curiosamente, porque resultou… estranho, não tinha travão de estacionamento automático, um opcional que custa 220 euros!
CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS
Motor: Diant., 4 cil., 1461 cc, turbo-Diesel de geometria variável, inj.directa c./ common rail e intercooler; Potência (cv/rpm): 110/4000; Vel. Máx. (km/h): 190; Acel. 0-100 km/h (s): 12,1; Consumos (l/100 km): 3,5; Emissões CO2 (g/km): 90; Preço (euros): 26.900

