De negro vestido
A Nissan deu uma prenda de anos ao seu “crossover” mais compacto, o Juke, no dia em que o “baby” comemorou o primeiro aniversário de produção: vestiu-o de negro. Com isso, a sua imagem irreverente passou a mais desportiva, transformando-o num adolescente cheio de testosterona… virtual, mas sempre pronto para novas aventuras. O AutoanDRIVE pegou na versão equipada com o motor 1.5 dCi de 110 cv e quis perceber se isso era verdade.
Sempre o dissemos, desde que o experimentamos pela primeira vez: o Nissan Juke é bom e recomenda-se. Pode até ter uma cara de poucos amigos, como aliás também dissemos; pode ter ombros largos e possantes, que quase desequilibram as suas linhas compactas em extremo. Mas a verdade é que o Juke é divertido – aliás, muito divertido. Característica que, agora em vestes mais, digamos, góticas, vem ao de cima. Afinal, uma boa imagem ainda é meio caminho andado para o coração ultrapassar a razão… de uma escolha.
Pequenos pormenores
A Nissan escolheu o topo de gama no que diz respeito a equipamento – o nível Tekna Premium – como ponto de partida para o Kuro. “Kuro”, em japonês, quer dizer “Preto”, “Negro” – e foi exatamente com esta cor que a Nissan decidiu transformar as vestes externas do Juke.
Por isso, a primeira coisa que se vê no Juke Kuro é um putativo produtor de emoções fortes. Putativo, porque, na verdade, aquilo que se vê é, apenas e tão-somente, um reflexo bem conseguido do trabalho que a marca decidiu fazer para tornar o Juke mais apelativo aos sentidos imediatos: a vista e o tato. Portanto, temos dito: as emoções verdadeiras, físicas, que o Juke Kuro nos dá são, precisamente, as mesmas que o seu irmão mais tradicionalmente vestido.
São boas, é certo, mercê dos seu chassis curto e das rodas colocadas mesmo nas extremidades do dito; e das ligações ao solo, firmes e mais altas, potenciando uma dinâmica mais apurada em detrimento do conforto puro e… macio. Mas exatamente as mesmas, pois até o viraçãoq eu bate debaixo do “capot” musculado e elevado é o mesmo das edições mais de Lineu vestidas.
O resto, são meros adornos. Capazes, é certo, de fazerem o “click” que faltava para a tomada de decisão (ou não: gostar ou desgostar é sempre um ato egoísta); mas meros adornos. E são os seguintes – fazendo, queira-se ou não, toda a diferença.
O Nissan Juke Kuro está apenas disponível em duas cores exteriores: Force Red ou Metallic Black (vermelho ou preto, pronto!). O “nosso” era vermelho. E tinha os pormenores estéticos que, em conjunto, permitiam que se transformasse em Kuro: os retrovisores e os puxadores das portas são em preto; os vidros são escurecidos; e as jantes de 17” têm um “design” exclusivo e são em preto brilhante.
O equipamento, conforme dissemos, tem por base o nível Tekna Premium e propõe, entre outros itens, estofos em couro… negro, sistema de controlo dinâmico, sistema de entretenimento Nissan Connect com navegação por satélite, câmara de visão traseira a cores, controlo de climatização, chave inteligente e sensores de chuva e de luz.
Ah! É verdade: apenas foram produzidas 2.800 unidades, primeiro para o mercado italiano, depois para o resto da Europa, pelo que pode dizer que o “seu” Juke Kuro é (quase) exclusivo. Afinal, uma prenda de anos que se preze tem que ter um qualquer cunho de novidade e ousadia que a torne única! Agora, se vale a pena desembolsar mais cerca de 1.500 euros – em relação ao Tekna Premium sem “ornatos” negros – por uma “brincadeira” assim, já é outra questão. E, se calhar, não tanto de imagem… mas de crise!
CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS
Motor: Diant. transv., 4 cil. em linha, 1461 cc, turbo-Diesel de geometria variável, c./”intercooler”, inj.dir. múltipla “common rail”, 16 válvulas; Potência (cv/rpm): 110/4000; Vel. Máx. (km/h): 175; Acel. 0-100 km/h (s): 11,2; Consumos (l/100 km): 5,1; Emissões CO2 (g/km): 134; Preço (euros): 26.620

