Gilles Villeneuve, 30 anos depois

O principezinho da Ferrari

Gilles Villeneuve era o Principezinho da F1: arrojado, romântico, funâmbulo. Vivia a vida depressa, como se cada dia fosse o último. Como se cada corrida foi a última. Até que, um dia, foi mesmo. Esse dia foi a 8 de Maio de 1982. E hoje, 30 anos depois, esta é a minha homenagem. Sentida, singela, àquele que foi o meu ídolo, quando (ainda) gostava a sério de F1. Depois de Gilles Villeneuve, nada mais foi como antes.

Sexta-feira, 8 de Maio de 1982. Local: Circuit Zolder-Terlaemen, a 4,011 kms. da vila de Heusden-Zolder. Último treino qualificação para o GP da Bélgica. Gilles Villeneuve tinha o segundo melhor tempo, mais lento 0,1s que Didier Pironi, o seu irmão dileto – e que, duas semanas antes, em Imola, tinha acusado de traição, garantindo que nunca mais lhe dirigiria a palavra enquanto fosse vivo.

Tragédia em um acto

A oito minutos do final da sessão, a seguir à primeira chicane, encontrou Jochen Mass a rodar muito mais lento, com o March. Este viu o Ferrari a aproximar-se e, na entrada para a curva Terlamenbocht, chegou-se para o lado direito, dando a linha ideal. Ao mesmo tempo, Villeneuve decidiu passar o carro mais lento pelo lado… direito. O embate foi inevitável e violento, entre os 200 e os 225 kk/h; catapultado n o ar, o Ferrari caiu de “nariz” na pista, cerca de 100 metros mais adiante, desintegrando-se. Ainda fixo ao banco, mas já sem capacete, o piloto foi lançado contra as redes de proteção. Vários pilotos pararam no local e John Watson e Derek Warwick retiraram Villeneuve das redes, com o rosto já azul. O primeiro médico chegou 35s depois e encontrou o piloto sem respirar, mas ainda com o coração a bater. Entubado, foi levado primeiro ao centro médico da pista e depois, de helicóptero, para o hospital da Universidade de São Rafael, onde foi confirmada uma fratura no pescoço. Quando Joann chegou, as máquinas foram desligadas. Eram 21h12m e Gilles Villenueve viveu 32 anos – mais dois do que aqueles que ele dizia ter, desde que falsificou a data de nascimento para parecer mais novo perante Enzo Ferrari.

Escritas para sempre, ficaram as palavras que ele tinha dito, ainda nessa mesma manhã: “Nunca penso que me posso magoar seriamente. Se pensar que isso pode suceder, como posso fazer o meu trabalho? Nunca se conseguirão ganhar oito décimos se estivermos a pensar num acidente, nunca conseguiremos ser tão rápidos como podemos ser. E se não conseguirmos fazer isso, então não somos pilotos de automóveis!”

Sobre ele, um chocado Jody Scheckter afirmou: “Vou sentir a falta do Gilles por duas razões. A primeira, porque era o homem mais rápido de sempre na história do desporto automóvel. A segunda, porque era o homem mais genuíno que alguma vez conheci.”

Link relacionado: http://autoandrive.com/2009/12/20/gilles-villeneuve-18011950-%e2%80%93-08051982/

M.S.

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Uma resposta a Gilles Villeneuve, 30 anos depois

  1. Vocês so tem estas fotos de Gilles Villeneuve eu queria ver algumas ineditas.

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