Uma questão de estilo
O barulho dos escapes, do motor em aceleração, entra pelos ouvidos dentro, poderoso e desafiante. A caixa de velocidades parece mais seca, mais rápidas, mais… tudo. As curvas são devoradas depressa e bastante melhor que da última vez: a frente agarra-se bem, entra no sítio certo; a traseira desliza, milimétrica e fica na trajetória. Tudo parece mais: mais veloz; mais desportivo; mais eficaz; mais divertido. Mas não: é igual ao outro. Mesmo se este é o Peugeot RCZ 1.6 THP 200 Asphalt. A diferença está aqui mesmo: afinal, é tudo uma questão de estilo.
De estilo e de roupagem exclusiva, viril e quase, quase, “gourmet” – se com esta palavra quisermos definir bom gosto, sensações novas, audácia. É que, na verdade, os centros que comandam, a partir do cérebro, os nossos sentidos mais primários, sofrem de uma inegável tendência de apuramento, quando aquilo que os olhos – o primeiro dos sentidos – vêem surge como motivador. Motivador e apelativo.
No caso desta versão Asphalt do mais musculado dos Peugeot RCZ, o com o motor 1.6 THP “espremido” até aos 200 cv, a motivação é simples: fazer mais e melhor; andar mais depressa e bem. E, isso, quase induz em erro as conclusões finais – não, o RCZ Asphalt não tem nada de novo ou potenciado nas suas caraterísticas mecânicas ou dinâmicas básicas. Não, não existe uma taragem diferente nas ligações ao solo, tipo 308 GTi.
A grande diferença dinâmica está nas enormes jantes exclusivas de 19” que, nesta versão Asphalt, são de série e calçam pneus bem largos – o suficiente, aliás, para dar a impressão de que as vias foram alargadas. E, claro, tornam o comportamento do RCZ mais assertivo, mais seco, menos confortável; e isso pode ser entendido com o maior eficácia e poder dinâmico. Talvez…
Roupas “made to shine”
Ele há o “Vestida para Matar”; ele há também o “Vestida para Casar”. Mas, no… caso do Peugeot RCZ 1.6 THP Asphalt, há o vestido para brilhar. Trata-se, de facto, de uma versão aprimorada, visualmente e em termos de equipamento, do RCZ mais potente. E de que maneira! A Peugeot não descurou a imaginação e ofereceu ao Asphalt um toque audaz e muito peculiar.
A começar pela exclusividade: o RCZ Asphalt é uma edição limitada a 1000 unidades, das quais apenas 15 serão comercializadas em Portugal. Com o Asphalt, a Peugeot assume ainda um cunho de modernidade e elegância. Mas, na verdade, é mais que isso.
Por fora: temos o… vestido. De gala. A saber: carroçaria pintada num específico cinzento Telluric Mate, que transforma o RCZ num animal de pele acetinada, graças à aplicação de um verniz incolor especial. A grelha do para-choques dianteiro é em preto brilhante: o color que se destaca no pescoço… E temos também os… sapatos: uma jantes em liga leve de 19” Solstice Mat Black Onyx, calçando pneus 235/40 R e deixando entrever, na frente, as pinças dos travões em preto lacado. Enfim, o duplo escape é cromado.
Por dentro: as soleiras das portas são exclusivas desta versão e ostentam linhas fluidas decorativas e a palavra “Asphalt” inscrita em cinza escuro. O Pack Couro inclui bancos em couro cinzento específico, com costuras próprias e a inscrição “Asphalt” em relevo nas costas dos bancos. Mas há mais: os arcos do teto são em alumínio, bem como a pedaleira, esta perfurada; a consola central é em preto nacarado brilhante; o óculo traseiro é em vidro escurecido; o relógio analógico possui decoração em carbono e inserções de metal; o painel de instrumentos Sport tem “design” específico e o volante de três raios, também Sport, tem diâmetro reduzido e é forrado a couro.
Além destes traços de distinção visual imediata e identificativa, temos uma dotação de equipamento acima do normal e onde impera uma qualidade, digamos, luxuosa. Vejamos: alarme; sistema Hi-Fi “JBL” (dois “woofers”, dois “tweeters” à frente, dois altifalantes e um amplificador); sistema de navegação WIP Com 3D (ecrã 16/9 escamoteável e cartografia da Europa); Pack Vision (inclui faróis de xénon e sensor de pressão dos pneus); rádio CD MP3 com tomadas USB, RCA e vídeo; ar condicionado automático bi-zone.
A segurança ativa e passiva está a cargo de um controlo de tração inteligente; sistema de travagem com ABS e repartidor eletrónico de travagem; assistência à travagem de emergência (AFU); ESP com ASR e Hill Assist; “airbags” para o condutor e passageiro e laterais. O “aileron” traseiro é móvel, de acordo com a velocidade, podendo ser mantido sempre no exterior através de um botão na consola central.
E o preço de tudo isto? Pois começa nos 40.600 euros, mais quase sete mil que a versão equivalente sem a assinatura “Asphalt”. Mas, também, bem menos exclusiva, há que dizê-lo com frontalidade. E esta diferença compensa? Eis uma questão e resposta subjetiva – para quem é hedonista o suficiente, então sim; para quem não se tem em grande conta no aspeto da imagem, então… não escolha sequer o Peugeot RCZ, um automóvel onde a imagem conta tanto como as suas capacidades físicas. Tal como um galã de Hollywood…
CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS
Motor: Diant. transv., 4 cil., 16 v, duas árvores de cames à cabeça, distribuição variável, 1.598 cc, inj.directa, turbo-compressor c/”intercooler”; Potência (cv/rpm): 200/5.800; Vel. Máx. (km/h): 240; Acel. 0-100 km/h (s): 7,5; Consumos (l/100 km): 6,9; Emissões CO2 (g/km): 159; Preço (euros): 40.600

