Arte urbana
Não, o título não quer dizer que o Nissan Qashqai é uma obra de arte. E, muito menos, um “grafiti” plasmado num muro ou numa parede de velha casa. Apenas e tão-somente que, com os seus atributos, reconhecidos por mais de um milhão (!) de unidades vendidas na sua vida de apenas cinco anos, o Qashqai tem as caraterísticas e os argumentos que, mesmo sem ser uma obra de arte, lhe valerem o galardão de “best-seller”. Feito para a cidade e, também, para o campo, o Qashqai apresenta agora uma valorização de poderes que o tornam ainda amais apetecível. Um bom exemplo está no novo motor 1.6 dCi de 130 cv.
Na verdade, a única pecha do Nissan Qashqai estava nas motorizações, que tinham por base o pequeno bloco turbo-Diesel 1.5 dCi que, mesmo na sua máxima declinação de potência, 110 cv, era manifestamente pouco para tornar o Qashqai dinamicamente interessante. Claro, era competente e agradável no rolamento, mas isso também tinha muito a ver com a bondade do chassis e das ligações ao solo, assim como de uma caixa de velocidades corretamente escalonada. Pois, tudo isso se mantém: a Nissan apenas decidiu oferecer ao seu “best-seller” um coração menos “mole”, capaz de agradar a gregos e a troianos e calar as (poucas) vozes críticas da postura dinâmica e económica do “antigo” Qashqai.
Tudo de mais…
Dizemos “antigo” entre aspas, porque é isso mesmo: o Qashqai mantém-se rigorosamente igual ao que ensaiámos já lá vai um ano, na ocasião a versão 1.5 dCi de 110 cv e sete lugares. Por dentro e por fora: a Nissan decidiu (e bem!) não alterar nada, mantendo a qualidade de construção, a bondade da posição de condução – mais elevada e ergonomicamente cuidada – o conforto de rolamento, a versatilidade e espaço interiores, na realidade sem alterar um átomo no argumentário estabelecido por trás do sucesso do modelo. A única coisa que fez foi dar ao Qashqai um novo “coração”.
A base é o excelente motor 1.6 dCi de 130 cv que a Renault já tinha introduzido nas suas gamas de segmento C e D e que, agora, fruto das sinergias de grupo, a Nissan decidiu também utilizar. Associado a uma caixa manual de seis bem escalonadas velocidades, com fácil engreno e silenciosa, este bloco de quatro cilindros revelou-se um autêntico achado para potenciar a apetência pelo Qashqai. Disponível em regimes mais baixos que o bloco 1.5 dCi, despacha-se bem nas acelerações e recuperações, mesmo em quinta e sexta velocidades e, principalmente, é mais económico que o motor anterior com equivalência de potência e prestações – o 2.0 dCi, de 150 cv, que agora fica disponível somente nas versões com tração total e caixa de velocidades automática e que, na versão equivalente à unidade ensaiada, custa qualquer coisa como 46.050 euros.
Ao longo do ensaio que o AutoanDRIVE fez a uma versão de cinco lugares, depressa se percebeu que a autonomia de um depósito facilmente consegue ultrapassar a milena de quilómetros. De funcionamento suave e sem vibrações – nem sequer quando o sistema “Start & Stop” entra em funcionamento – resulta agradável, silencioso a elevadas rotações (com exceção de ruídos aerodinâmicos oriundos dos espelhos de grandes dimensões e, principalmente, das barras existentes no tejadilho) e com binário mais que suficiente para uma condução descansada, sem medo do trânsito e com a certeza de que o motor “está lá” sempre que for necessário.
Em conclusão – para manter e, mesmo, elevar o sucesso, lutando contra os adversários, mais ousados tecnicamente e em termos de “design”, era mesmo disto que o Qashqai precisava: um motor forte, amigo ao ambiente e que, desta forma, fosse mais barato que a versão de potência equivalente, mas extraída de um bloco maior, mais penalizante do ambiente e, por isso mesmo, mais caro.
A versão por nós ensaiada estava entre as mais caras da gama, com os seus 32.050 euros. O que, juntando a um equipamento que incluía, entre outros, jantes em liga leve de 18”; tejadilho panorâmico; ar condicionado automático Dual Zone; câmara de ajuda ao estacionamento traseiro; sistema de navegação; bancos em pele; volante e alavanca da caixa de velocidades forrados em pele; sistema Start & Stop; sensores de luz e de chuva; e vidros escurecidos, torna a escolha do Qashqai uma questão racionalmente de… coração prático. Até porque, em relação à equivalente versão com motor 1.5 dCi de 110 cv, custa somente mais 1.000 euros!
CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS
Motor: Diant., 4 cil., 16 v., 1.598 cc, turbo-Diesel de geometria variável, admissão variável, inj.directa c./”common rail” e “intercooler”; Potência (cv/rpm): 131/4.000; Vel. Máx. (km/h): 190; Acel. 0-100 km/h (s): 10,3; Consumos (l/100 km): 4,5; Emissões CO2 (g/km): 119; Preço (euros): 32.050

