Surpresa escondida…
… Com a qualidade de fora! Nos últimos anos, mais exatamente desde o advento do ix35, que a Hyundai nunca mais foi o que fora até aí. Decidida a fazer esquecer uma herança em que eram mais as vozes críticas que a natureza sadia das nozes, a marca coreana começou a polvilhar a sua oferta com modelos em que, acima de tudo, era premiada a qualidade, paredes meias com uma versatilidade e uma fiabilidade até então (quase) ignoradas. Os exemplos mais recentes são o Genesis e o Veloster, ambos com caraterísticas de nicho. Agora, é a vez do i40, que entrou no mercado através da carrinha. Ver para crer, os seus (muitos) argumentos!
O Hyundai i40 vem, genericamente, preencher na oferta de gama da marca uma lacuna deixada vazia com a descontinuidade do Sonata. E veio cheio de genica – se entendermos por isso um enorme pacote de surpresas, escondidas dentro e fora do seu perfil moderno, elegante e desportivo. Que, em conjunto ou, mesmo, isoladas, possuem o necessário para fazer vingar o i40 no segmento D, onde terá como adversários “pesos pesados” com o Ford Mondeo, o Peugeot 508, o Renault Laguna, o Opel Insignia, o Audi A4, o VW Passat ou o Skoda Superb, para apenas citar alguns.
Estilo com elegância
A Hyundai, assumidamente, não designa a carrinha i40 com qualquer sigla, deixando cair a denominação CrossWagon, ou CW, que identificava estas versões na gama i30, por exemplo. Mesmo garantindo que esta é a primeira apresentação da nova gama i40 e que estão ainda para chegar versões berlina de quatro e cinco portas. Esta é, portanto, a primeira surpresa – começando logo aqui a defesa de um produto que a Hyundai assume como o início de uma nova era, em que a imagem se irá associar, de forma íntima e constante, com a qualidade e a eficácia dinâmica.
O Hyundai i40 é, portanto, o mais recente, mas também provavelmente o mais óbvio e eficaz exemplo da linguagem de estilo que a marca designa como “fluidic sculpture”. As suas linhas são, de facto, muito fluidas, com um perfil bem esculpido e ondulante, dinâmico. A frente é balizada pelos grupos óticos duplamente bem rasgados, com LED diurnos serpenteantes, apelando à imagética de voos longínquos, assim como pela grande grelha inferior dinâmica, parte íntima do para-choques envolvente e da cor da carroçaria.
Atrás, escondendo uma bagageira que a Hyundai reivindica como entre as maiores do segmento – 557 litros, mais que um Mondeo, crescendo até aos 1.719 litros com os bancos rebatidos – os nossos olhos encontram um portão de formas suaves, divididas pelos grupos óticos unidos por um friso cromado e encimado pelo óculo mais pequeno, elegante e limitado por um “spoiler” aerodinâmico de dimensões generosas.
O conjunto é sólido, desportivo e bem conseguido visualmente, apelando desde logo aos sentidos e tornando, por isso, a escolha mais como uma razão do coração que ada própria razão. Afinal, os olhos sãos primeiros a comer e, no Hyundai i40, têm uma refeição quase de “gourmet”.
Qualidade bem visível
Esta qualidade gastronómica sente-se no bater das portas, grave, fazendo adivinhar painéis bem montados e uma robustez de construção que, de facto, existe para lá do evidente.
E, para lá do bater das portas existe, também, um interior moderno, bem concebido em termos ergonómicos e onde impera um cuidado correto na montagem dos materiais. O mesmo já não se poderá dizer da sua escolha, pois continuam a imperar alguns plásticos pouco consonantes com a nobreza inata do Hyundai i40, mas a verdade é que, neste, a marca coreana se coloca a anos-luz daquilo que nos habituou até há cinco anos atrás.
Nunca, até agora, a Hyundai tinha lançado – e não apenas neste segmento – um automóvel de facto competitivo e capaz de lutar com os pesos-pesados da indústria, como o VW Passat. Na verdade, pela primeira vez a Hyundai acertou na fórmula do gosto europeu: nasceu um automóvel sólido, eficaz, com qualidade e surpreendente na forma e no conteúdo. Mesmo com pequenos “senãos”, é difícil de não se considerar consensual o Hyundai i40, quando se fala naquilo que mais se exige, para lá da imagem – que, já de si, é bastante positiva e apelativa.
Em nome da economia
O AutoanDRIVE ensaiou o Hyundai i40 com a versão menos potente do motor 1.7 CRDi, com 115 cv. Na verdade, esta é a fórmula escolhida pela marca para entrar na gama – e, também, para assumir a sua postura defensora do ambiente, pois ao motor juntou também toda a tecnologia associada à sua imagem “Blue”. Ou seja, sistema “Auto Stop”, alternador inteligente, grelha dinâmica que se fecha em andamento, pneus de alto perfil (jante 17”) e baixo atrito e, enfim, uma caixa manual de seis relações, fácil de utilizar e de engreno bastante eficaz, em que as mais baixas são mais curtas que as duas superiores.
Tudo, em nome do consumo. Claro que os 4,3 l/100 km anunciado pela Hyundai não é mais que o resultado de uma utilização em condições ideais de rolamento, sendo por isso, demasiado otimistas, mas a verdade é que com seguimos consumos na ordem dos 5,6 l/ 100 kms, o que é de facto muito interessante.
Em termos dinâmicos, os 115 cv do motor são bastante agradáveis de utilizar, ficando um pouco adormecidos até às 2.000 rpm, mas depois resultando capazes de impulsionar de forma competente os mais de 1.700 quilos do i40, não evitando o recurso à caixa de velocidades em percursos mais sinuosos. Nos quais, é bom, dizer, se rola de maneira confortável, com a suspensão, sem ser demasiado dura, a digerir com eficácia as irregularidades do piso, sendo no entanto de referir que uma direção mais precisa e informativa talvez levasse a um melhor posicionamento da frente na entradas das curvas.
Porém, de uma forma geral, o Hyundai i40, pelo menos na versão carrinha, é um automóvel seguro, confortável, espaçoso, eficaz, agradável para se fazerem viagens longas com a certeza de que, no seu final, o que mais apetece não é a moleza de um sofá para dar descanso ao esqueleto. Nada disso…
Enfim, no nível Comfort de equipamento, pouco mais de 30 mil euros chegam, o que espelha também alguma competitividade até no preço. Este valor inclui de série, por exemplo, ar condicionado e desembaciamento automático com porta-luvas refrigerado; rádio integrado com leitor de CD, MP3 com seis colunas; “Bluetooth” com reconhecimento de voz e comandos no volante; comandos de rádio no volante; “Auto Cruise Control” com limitador de velocidade; retrovisores rebatíveis eletricamente; farolins e “aileron” traseiro com luz de Stop em LED; volante e punho da alavanca da caixa de velocidades forrados em pele; volante aquecido; banco do condutor com regulação elétrica; luzes de boas vindas e de acompanhamento (“Welcome lights & Follow me home”); sistema de ajuda ao arranque em subidas; faróis de nevoeiro dianteiros e luzes em LED diurnos; sistema ABS com EBD (distribuição da força de travagem) e assistência à travagem (BAD); ESP e sistema de gestão de estabilidade VSM; sensores de luz e de chuva; sete “airbags” (condutor, passageiro, laterais, de cortina e para os joelhos do condutor); ou ainda o pneu suplente “normal”.
CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS
Motor: Diant. transv., 4 cil., DOHC, 16 v., 1.685 cc, turbo-Diesel de geometria variável, inj.directa c./”common rail” e “intercooler”; Potência (cv/rpm): 115/4.000; Vel. Máx. (km/h): 190; Acel. 0-100 km/h (s): n/d; Consumos (l/100 km): 4,3; Emissões CO2 (g/km): 113; Preço (euros): 30.490


sou portador de um veículo igual e a este e discordo do conforto em viagens longas, alem do mais os bancos traseiros tem algo que quase nenhum modelo do segmento D tem, ou seja bancos reclináveis em duas posições, quanto a consumos já fiz 4,9 por diversas vezes, só tenho a dizer que foi o melhor carro que alguma vez tive, parabéns Hyundai
Boas
Eu também sou possuidor duma carrinha destas e já fiz média de consumo de 4.9 por duas vezes, se bem que a maior parte das médias que faço são de 5.2, excelente para um carro com 1713 KG de peso e sempre com 5 passageiros dentro, duvido que haja muito veículos concorrentes com motores e pesos similares a fazer estes consumos.
Considero-me algo de exigente, nas minhas escolhas!. A carrinha em causa, ou seja a Hyundai i40 136 cv, surpreendeu-me e como já tive vários carros mais ou menos do mesmo segmento posso dizer que está muito bem conseguido. Consumo, conforto e alguma qualidade são alguns atributos que são notáveis. Veremos em termos futuros como se comportará na manutenção e mecânica.