Fernando Alonso venceu GP da Malásia

Chuva provocõu luta improvável com Sergio Pérez

Fernando Alonso deu à Ferrari uma vitória de todo inesperada, um GP da Malásia marcado pela chuva que obrigou a uma prolongada paragem da corrida através de bandeira vermelha. O triunfo do espanhol foi tão surpreendente como a dura batalha que teve que travar para a conseguir, contra um adversário mais que improvável: o mexicano Sergio Pérez, protegido de longa data da Ferrari e que terminou em segundo lugar, a pouco mais de dois segundos do vencedor. O pódio ficou completo eoo distante Lewis Hamilton, terceiro na prova em que Jenson Button e Sebastian Vettel ficaram em branco. Mas, depois desta que foi apenas a segunda de 20 corrida, ainda há muito Mundial para correr…

A segunda prova do Campeonato do Mundo de F1 quase ia sendo palco de um “escândalo”! Não, não foi a chuva que quase obrigou a um atraso na hora de partida – e, sete voltas mais tarde, obrigou à entrada do “safety car” quando a quantidade de água começou a tornar impraticável outro desporto além da natação, antes da prova ser mesmo parada com bandeira vermelha, mantendo-se neutralizada durante cerca de meia hora, até começar a clarear. Foi, isso sim, a bonita luta pelo triunfo, entre Alonso e Pérez e que acabou no regaço do piloto do Ferrari, com uma vantagem de pouco mais de 2s, numa altura em que a pista estava a começar a ficar mais seca.

Lewis Hamilton completou o pódio, no terceiro lugar, tanto mais saboroso quanto o seu colega de equipa protagonizou uma corrida no mínimo… desastrosa, nunca se adaptando à constante mudança das condições atmosféricas – algo estranho, para quem ficou conhecido pelos seus triunfos neste tipo de situações e onde a estratégia conta bem mais que o talento nato e a rapidez pura.

O mesmo pode dizer-se do quarto lugar de Mark Webber, que viu Sebastian Vettel apanhado na confusão do tráfego, ficando à beira dos pontos. Webber terminou a corrida na frente de Kimi Raikkonen, uma vez mais a pontuar com o Lotus e de Bruno Senna, desta feita o melhor dos dois pilotos da Williams, depois de Pastor Maldonado ter ficado parado com um problema de motor a duas voltas do fim, quando lutava com Nico Hulkenberg (9º) e Jean-Eric Vergne (8º) pelos últimos lugares pontuáveis. Refira-se, também, que Senna teve muita sorte depois do contacto com o venezuelano, logo na primeira volta, que o obrigou a parar nas boxes para mudar a asa da frente!

Enfim, pela primeira vez este ano, a Force India colocou os seus dois pilotos nos pontos, com Paul di Resta em sétimo e Hulkenberg em nono, destacando-se também os primeiros pontos do estreante Vergne.

A lotaria da chuva

A maioria dos pilotos arrancou com pneus intermédios, numa pista que estava a começar a secar nalguns pontos, enquanto nouitros continuava muito molhada. Os McLaren mantiveram a ordem na primeira curva, enquanto Michael Schumacher e Romain Grosjean, em luta pelo terceiro lugar, não evitaram um contacto, fazendo ambos pião. Webber e Vettel agradeceram a gentileza, com Alonso em quinto, enquanto Grosjean atascou definitivamente o Lotus na gravilha de uma curva, na terceira volta.

Nessa altura, a chuva começou a cair com força e a Sauber fez uma jogada que poderia ter sido de mestre, ao montar pneus para chuva extrema no carro de Sergio Pérez, uma opção que a maioria dos outros seguiram, mas um pouco mais tarde. A partir da quarta volta, Pérez estava mais rápido 3s que o resto do pelotão, subindo ao terceiro posto, atrás dos dois McLaren. Weeber seguia em quarto, na frente de Alonso e de Vettel.

Mas a tempestade atingiu então proporções tais que obrigaram mesmo à paragem da corrida, numa altura em que Jean-Eric Vergne estava já em sétimo com o Toro Rosso, por ter permanecido em pista, durante o dilúvio, com pneus intermédios, e Narain Karthikeyan aparecia com o… HRT em 10º, por ter começado a corrida com pneus de chuva!

A sorte de uns

A direção da corrida ordenou que todos os pilotos montassem pneus para chuva, enquanto todos andavam atrás do “safety car”, que permaneceu em pista quatro voltas. E foi aqui que o azar bateu à porta de Jenson Button. A sua paragem nas boxes permitiu-lhe passar para a frente de Hamilton, façanha repetida por Alonso, que aproveitou uma paragem mais lenta do líder da corrida. Porém, logo depois da sua paragem, no meio do tráfego intenso, Button não evitou um toque em Karthikeyan, vendo-se obrigado a regressar às boxes, para trocar a frente danificada do seu McLaren. Estava “feita” a sai corrida…

Entretanto, Sergio Pérez ficou em pista uma volta mais que Alonso e Hamilton e ficou na frente, embora o Ferrari o passasse logo de seguida. O espanhol começou a afastar-se, cavando um fosso de mais de seis segundos para Pérez, enquanto ambos dobravam todo o restante pelotão!

Com a pista a secar, depressa Alonso ficou sem pneus, o que possibilitou a Pérez, cuja pilotagem é reconhecida pela capacidade de poupança dos pneus. Aproximar-se rapidamente do líder. Porém, antes que a ultrapassagem se consumasse, o Ferrari entrou nas boxes, recebendo pneus para piso seco, afastando-se de novo na frente, com uma vantagem e cinco segundos.

Mas, uma vez com pneus semelhantes aos de Alonso, Pérez ficou muito mais rápido, começando a atacar a liderança do espanhol a uma ritmo superior em mais de um segundo por volta, até se colar à traseira do Ferrari, a sete voltas do final – ignorando os avisos recebidos pelo rádio para não deitar fora o segundo lugar!

E isso quase sucedeu, quando Pérez alargou uma trajetória, perdendo cinco segundos, que depois tentou em vão recuperar, percebendo que, dramaticamente, lhe “faltavam” voltas para chegar ao comando…

O azar de outros

O fim-de-semana da Mercedes foi, no mínimo, azarado, salvando-se o ponto conquistado por Michael Schumacher, décimo depois do toque de Grosjean na primeira volta, enquanto Nico Rosberg, com uma paragem a mais nas boxes, para trocar de pneus, não foi melhor que 13º, na frente de Jenson Button, cuja corrida ficou estragada com as dificuldades encontradas num dos jogos de pneus colocados no McLaren e que o obrigaram também a uma paragem extra nas boxes.

De Pastor Maldonado já falamos, mas nunca é de mais destacar que o venezuelano não está a começar da melhor forma uma temporada que se queria de confirmação, precisando, talvez, de ir à bruxa…

… Que, por sua vez, nada poderá fazer para salvar Felipe Massa, incapaz de fazer melhor que o 15º lugar com o Ferrari, sentindo-se ainda mais ofuscado quando o protegido da casa de Maranello, Sérgio Pérez, fez um “corridão” com um carro inferior, o que coloca ainda mais pressão sobre os ombros do pequeno paulista, que vê cada mais afastar-se a possibilidade de continuar na Ferrari até ao fim do ano. É certo que ainda muito GP até lá, mas a continuar assim, não há São Cristóvão que lhe valha! Em especial, se Alonso e Pérez continuarem em alta nas próximas corridas, mesmo que não tenham a ajuda” da chuva com esta da Malásia teve.

Mas a verdade é que, nas estatística futuras, a prestação do brasileiro em Sepang ficará como o último dos não-dobrados pelo vencedor, o seu colega de equipa, e na frente do primeiro dos dobrados, o Caterham de Vitaly Petrov. E isso costuma pagar-se no futuro e com juros!

RESULTADOS: Resultados

M.S.

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