Nas asas do desejo
O Citroën DS4 é uma forma de estilo. Sem dúvida. Inconfundível, faz-se desejado, pelas suas formas dinâmicas e pelo seu ar tão feroz como sublime. E por falar em desejo, este torna-se pujante e viçoso nas asas da versão equipada com o motor 1.6 THP, declinado na sua potência máxima: 200 cv.
Desde que surgiu a primeira criação da linha DS, a ousada e moderna assinatura de “design” da Citroën, através da qual a marca francesa assumiu uma nova forma de estar na vida, que sou fã incondicional. Das suas linhas, atraentes e sensuais; da sua atitude, inconformista e atrevida. Por isso, dizer que o DS4, o segundo modelo carimbado com a irreverência da juventude – que é, sem dúvida, a actual postura de viver o mundo implantada pela Citroën no tantas vezes cinzentão mundo da criatividade automóvel (pelo menos, aquela que, depois de bem filtrada, consegue sair a público) – é um produto bonito e cativante, pode parecer suspeito. Mas assumo: para mim, o DS4 é dos modelos mais apaixonantes da Citroën. E quanto a isso, está tudo dito.
Ter alma para dar
Está tudo dito, também, quanto aos seus atributos, exteriores e interiores (a excepção é o espaço disponível atrás, em especial para as pernas dos passageiros que aí viajem): basta, para isso, consultar o link http://autoandrive.com/2011/08/19/citroen-ds4-1-6-e-hdi-110-airdream-cmp6-so-chic/, onde escalpelizámos o DS4, na sua versão equipada com o motor 1.6 HDi de 110 cv. Atributos que se mantêm sem alteração nesta versão com motor a gasolina, apimentada com uma potência de 200 cv. Por isso, não nos vamos desviar dos limites que, aqui, fazem a diferença: a alma, a condução e o equipamento final. Vamos, então, a isso.
O motor mais potente do Citroën DS4 é, de facto, o mesmo que equipa o DS3, nas suas versões com 156 e 200 cv. De origem BMW, este motor de 4 cilindros e 1.598 cc, surge no DS4 com 200 cv, úteis numa faixa de rotações que começa nas 5.800 rpm e termina nas 6.800. Faixa mais que suficiente para dele se retirar algum gozo, pois a capacidade respiratória do motor, que tem um turbo com “intercooler” e injecção directa de gasolina, parece interminável. Basta carregar no pedal do lado direito (de alumínio perfurado, pois claro!) para o roncar do motor, em rouco crescendo, fazer despertar nos nossos neurónios o atleta de competição que existe escondido dentro de nós.
Associado a uma caixa manual de deis velocidades, bastante exacta e assertiva, este motor, assim desenvolvido, atira o carro para as longas distâncias de forma voraz – a mesma atitude, aliás, com que o atira também para as curvas. Aqui, o chassis digere de uma forma menos optimista as transferências de massa, embora as ligações ao solo, mais firmes e um pouco afastadas do magnífico conforto do seu irmão bastardo C4, permitam que se adivinhe uma ténue linha marcada na estrada, da qual apenas em situações limite o DS4 tende a sair.
No resto, a direcção, sem ser demasiado desportiva, insere bem o carro na trajectória, tornando-o mesmo divertido e, quando é preciso recuperar, por exemplo dos 80 km/h para os 120 km/h, com este motor precisa de menos de 5 segundos. Um valor bastante interessante, tal como é interessante verificar, no final de uma viagem absolutamente normal – ou seja, depressa, por vezes traçada de forma desportiva e assertiva – que os consumos são insolitamente comedidos, para um carro com um motor tão apetitoso para acelerar: as nossas medições indicaram 6,8 l/100 kms! Bastante menos que outros automóveis ditos “económicos” – mesmo de segmentos inferiores…
O Citroën DS4 THP 200 é proposto com o nível mais desportivo do equipamento, o Sport Chic. Este inclui, ainda, particularidades como as jantes de 19” e inserções cromadas disseminadas pelo habitáculo, além de bancos dianteiros tipo “bacquet”, com excelente apoio lombar e revestido a couro de dois tons (preto e branco), perfurado no encosto e no assento.
Lá dentro, é de destacar, por exemplo, o volante em cabedal regulável em altura; ajuda ao estacionamento à frente e atrás com cálculo do espaço disponível; LED dianteiros e traseiros tipo “boomerang”; vidros traseiros e da porta da bagageira escurecidos; retrovisores exteriores com desembaciador eléctrico e LED; frisos cromados na moldura dos vidros; consola central elevada com apoio para o braço e três zonas de arrumos; ar condicionado automático; ou o sistema áudio ARKAMYS.
CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS
Motor: 4 cil. em linha, diant. transversal; 1598 cc; 16 válvulas, turbo c./”intercooler”, inj.directa a gasolina; Potência (cv/rpm): 200/5.500 – 6.800; Vel. Máx. (km/h): 235; Acel. 0-100 km/h (s): 7,9; Consumos (l/100 km): 6,4; Emissões CO2 (g/km): 149; Preço (euros): 31.900

