Uma boa opção em tempos da crise
A Mazda aproveitou o “facelift” do seu “6” para propor novidades mecânicas. Entre elas, uma revisão do motor MZR-CD 2.2, através de um turbo de menores dimensões e três níveis de potência. A versão “standard” possui 129 cv, mas é uma excelente opção para quem quer associar o conforto de rolamento a uma poupança mais adequada à crise que enfrentamos.
O Mazda6 foi lançado em 2002, como primeira criação da nova assinatura da marca japonesa, designada “Mazda Zoom-Zoom”. Estatutário, conheceu sucesso imediato, bem como recebeu diversos prémios internacionais. A segunda geração surgiu cinco anos mais tarde, tornando o “6” um produto mais europeu e mais apetecível. Agora, recebeu um ligeiro “facelift” e, na mesma ocasião, novidades mecânicas. Mais leve e elegante, o Mazda6 continua a recomendar-se, embora já ostente algumas limitações, em especial no que à qualidade interior diz respeito.
Os olhos também comem
Exteriormente, não há reparos a fazer. O Mazda6 declina-se em três estilos de carroçaria: sedan (quatro portas), “hatchback” (cinco portas) e carrinha (“station wagon”). Todas elas são elegantes e apelativas. E, sem excepção, todas elas escondem um amplo espaço interior, em que não é negligenciável a dimensão da bagageira, em que um adulto de estatura normal pode “viajar” sem estar muito encolhido. Fizemos a experiência…
Para tornar a sua versão topo de gama mais agradável ao olhar, a Mazda concedeu uma maior desportividade ao modelo. Agora, o Mazda6 apresenta novos faróis dianteiros e grupos ópticos traseiros em cromado, em que um subtil efeito “asa” torna o conjunto mais fluido e assertivo. Uma fluidez que se prolonga no perfil da carroçaria, assente em jantes em liga leve de “design” específico e que podem ser de 17” ou 18” (a versão ensaiada tinha jantes de 17”). E é tudo…
A Mazda reivindica grandes melhorias no interior do “6”, nomeadamente garantindo uma maior qualidade perceptível e novos padrões nos revestimentos dos bancos, bem como instrumentos e comandos com aspecto cromado de maior qualidade. As versões melhor equipadas, como a Sport e a Sport Plus possuem, além disso, novos revestimentos em preto piano em redor do sistema de som e de climatização, assim como nos braços do volante. E o “tablier” pode estar revestido em material preto mate ou preto brilhante.
Mas a verdade é que, sem colocar em dúvida a sua qualidade real ou a justeza da sua montagem – que surge bastante robusta e sem lugar a folgas e, portanto, a ruídos parasitas (e a unidade ensaiada pelo AutoanDRIVE ía já nos 30 mil quilómetros, pelo que tal bondade é de louvar!) – os olhos também comem. E, no Mazda6, aquilo que em primeiro lugar vêem é um habitáculo com um “design” pouco apelativo, algo datado mesmo e com uma apresentação banal e com o recurso a plásticos um pouco duros e inconsistentes com uma imagem de estatuto que, no resto, o Mazda6 até consegue acompanhar.
No entanto, há que referir a boa ergonomia geral e intuitiva dos botões e demais comandos, bem como a boa leitura oferecida pelos instrumentos, cuja luz é sequencial e activa à noite. O computador de bordo é, felizmente, bastante intuitivo na procura das informações por ele disponibilizadas.
E, acima de tudo, há quer louvar o espaço disponível, tanto na frente como especialmente atrás, onde alguns dos concorrentes naturais do “6” deixam um pouco a desejar.
Confortável na estrada
O Mazda6 tem uma única proposta no que diz respeito a motores turbo-Diesel: o já reconhecido bloco de MZR-CD de 4 cilindros e 2.2 litros de cilindrada. Porém, agora a marca adaptou-lhe um turbo de menores dimensões, procurando reduzir a inércia da turbina e melhorando o binário disponível nas baixas e médias rotações. Este motor é declinado em três níveis de potência: 129, 163 e 180 cv. O primeiro, que a Mazda define com “standard”, revelou-se uma boa surpresa e muito mais de acordo com os tempos actuais, em que é cada vez mais curial manter alguns trocos na carteira, graças à sua frugalidade.
As recuperações são dentro da média, mas a verdade é que continua um pouco amorfo a baixas rotações, exigindo um maior recurso à caixa de velocidades. Esta é seca e bastante exacta no engreno, o que é positivo, mas parece algo longa nos dois “rapports” superiores – quem com isso ganha é o consumo, bastante perto do 6 l/100 km, mesmo ousando um pouco na velocidade de cruzeiro.
E por falar em cruzeiro, há uma certeza inquestionável: o Mazda6 é um excelente companheiro de viagem. O conforto a bordo é uma realidade, o rolamento é suave e a suspensão possui a firmeza necessária para impedir que a carroçaria adorne em demasia nas transferências de massa mas, também, suficiente para impedir que transmita duramente as irregularidades do piso aos ocupantes.
No mais, o conforto é acentuado pelo bom nível do equipamento que, na versão Exclusive, oferece diversos itens a não desprezar, desde o ar condicionado automático ao sistema de som BOSE com caixa de 5 CD e leitor de MP3; o sistema de ajuda nas subidas HLA; ou os espelhos retrovisores exteriores eléctricos e aquecidos. O preço ronda os 35 mil euros e está de acordo com o figurino: é competitivo e um bom amigo… salvo seja!
CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS
Motor: diant. transv., turbo-Diesel, quatro cilindros em linha, 16 v., 2.184 cc, turbo de geometria variável, inj.directa c./“common rail”, e “intercooler”; Potência (cv/rpm): 129/3.500; Vel. Máx. (km/h): 195; Acel. 0-100 km/h (s): 10,9; Consumos (l/100 km): 5,2; Emissões CO2 (g/km): 138; Preço (euros): 34.899 (pintura sólida); 35.299, 18 (pintura metalizada)

