Hyundai Veloster 1.6 GDi BlueDrive Style

O Poder da Diferença

Quando for grande, quero ter um carro assim! Diferente! Até pode ser como este, vermelho e tudo! Que faça parar o trânsito – ou, então, como sucedeu mais que uma vez, o faça acelerar na auto-estrada, para ver que “coisa” é esta que passou… como aconteceu com aquele velho Clio de 25 anos, “pilotado” por uma moçoila de rabo de cavalo e que, de certeza, esmiufrou os cansados cavalitos do bólide até aos 170 km/h… Mas, afinal que carro é este de que estamos a falar? É o Hyundai Veloster, pois então!

Hyundai quê? Veloster: é certo, o nome pouco ou nada tem a ver com a tradicional nomenclatura utilizada pela marca coreana para designar os sues modelos, com um “i” a anunciar o segmento em que se insere. Por isso, temos desde o i10 ao i40 – e cada um tem a sua praça pública. Excepções: duas – o Genesis e, agora, o Veloster. Sintomático: nenhum deles tem o seu cantinho definido, a não ser que seja… onde não há definição. Ou, convenhamos, exclusividade. Qualquer deles é, de facto, um modelo exclusivo da Hyundai. Então o Veloster… é melhor falarmos dele já de seguida, pois a água já cresce na boca. Na verdade, basta olhá-lo, para isso suceder.

Conceito incomum

Veloster: a palavra infunde respeito. Faz, aliás, lembrar os vorazes e rapidíssimos “velociraptor” do Jurássico Park. E, tal como eles, até tem algumas, se a imagética nos permite, semelhanças.

Não, não é o seu poder de voo – nem a sua apetência de predador. É mais (muito mais) o seu conceito incomum, que joga muito com uma imagem poderosa, mas em simultâneo elegante, jovem e animada. Que, acima de tudo, não deixa ninguém – mesmo ninguém, dos 8 ao 88 anos! – indiferente. E, só aqui, a aposta arrojada da Hyundai já está ganha.

Mescla inteligente e equilibrada de um “hatchback” com um “coupé”, mistura o melhor destes dois mundos. E, para que tudo resulte ainda de forma mais ousada e, de facto, prática, apresenta duas portas do lado direito e uma apenas do esquerdo. Desta forma, não apenas o acesos aos dois lugares traseiros (o Veloster é um quatro lugares) fica assaz facilitada, como deixa de boca aberta quem, desprevenido, é avisado de que o banco do passageiro é fixo e pode usar a porta de trás para entrar! É que a dita porta até está tão bem disfarçada que só aberta se dá com ela…

Este conceito, raro no mundo automóvel – lembramo-nos dele apenas no MINI Clubman mas, aqui, até tinha uma razão de ser mais lógica, pois trata-se de uma carrinha – obrigou à criação de uma célula “descentrada” do para o habitáculo, com os dois pilares B colocados sem ser em paralelo. Mas, quanto a isto, a Hyundai garante a mesma rigidez de um habitáculo de Lineu. E, dinamicamente, tal discrepância não se reflecte nas reacções do chassis, mesmo em troços de exigentes transferências de massas.

Uma imagem de deleite

É certo que, quando falamos da linguagem que um carro nos fala, da sua aparência, das reacções que nos traz ao coração, sabemos que podemos ser menos objectivos do que o exigido numa análise deste tipo. Mas, nem sempre conseguimos manter-nos impávidos e serenos perante algo de belo, em termos de “design”. Ou de diferente. Ou, então, como no Veloster, de belo e de diferente.

O Veloster representa o que de mais ousado e sofisticado que a Hyundai até agora desenhou, fazendo jus à sua dinâmica assinatura “fluidic sculpture”. E, de facto, o Veloster tem um ar imediatamente dinâmico. A ousadia está, principalmente, na percepção que se retira da utilização intensiva de vidro escurecido, tanto nos vidros laterais como, principalmente, no longo tecto panorâmico em vidro. Parece que estamos dentro do capacete de uma moto, com viseira negra – e até a sua textura a isso provoca a imaginação. Os pilares são também negros e inclinados – em especial o “A”, sugerindo no entanto alguma claustrofobia para os passageiros que viajam no banco traseiro, designadamente o do lado esquerdo, o tal que apenas trem um (grande) porta. As cavas das enormes rodas (as jantes são, de série, no Style, de 18”) são protuberantes e a linha de cintura é quebrada, ascendente e culminada numa traseira curta, limitada pela colocação, muito atrás, das rodas.

A frente talvez seja a parte menos agressiva do Veloster, em termos estéticos. Mas a sua enorme grelha inferior em rede negra, os grupos ópticos de índole felina e as duas aberturas existentes a meio do “capot”, dizem tudo o que há para dizer do Veloster e da sua imagem desportiva.

Na traseira, a pequena porta da bagageira surge em contraponto com o enorme pára-choques envolvente, onde o duplo escape triangular dá o toque de Midas que faltava na parte inferior, euqanto a superior é limitada pelo vidro descendente do final do tejadilho panorâmico, cortado por um curvilíneo “spoiler” aerodinâmico. E temos dito, sobre a sua estrutura “física”.

Lá dentro, o interior acompanha a ousadia do exterior, mas de forma menos evidente. O principal está na tecnologia que o Veloster traz de raiz – mas disso falamos no tem “Equipamento”. Os bancos, forrados a pele, têm bom apoio e as regulações são eléctricas para o do condutor – com excepção do rebatimento das costas, que é manual! Os comandos têm boa ergonomia geral e os indicadores possuem uma leitura fácil e simples das indicações. Mas o que mais se destaca no habitáculo é a sua luminosidade característica, fruto do enorme tecto em vidro, que se prolonga pela porta da mala. Pena, no entanto, que seja muito ruidoso em termos aerodinâmicos a velocidades acima dos 150/160 km/h, o que causa algum incómodo, atenuado se fizermos deslizar a cortina de protecção dos raios solares.

Todo este conjunto é impressionante visualmente, reflectindo-se numa imagem de atrevimento e quase luxúria. É que os olhos são o que primeiro come, quando se fala de um automóvel. Depois, bom – depois vem o resto. E o Veloster também isso tem. Talvez de forma mais contida que na imagem, mas tem.

Para andar depressa é preciso…

… Acelerar a fundo. Pois é: o Veloster estreou um novo motor a gasolina, com 1.591 cc e injecção directa. Muito leve, pois é construído quase totalmente em alumínio, a sua estrutura em escada torna-o mais resistente. Além disso, é pouco ruidoso – na verdade, ao “ralenti” é tão silencioso que quase parece um motor eléctrico… e provoca a tentação de voltar a carregar no botão de “start” quando ele está já em funcionamento!

No entanto, tem um senão: apenas “funciona” em altas rotações! Até lá, é um “paz d’alma”, suave, perfeitamente domesticado e eficaz em condução descontraída. Porém, quando se calca o acelerador, os 140 cv nele adormecidos acordam de supetão – e, então, com um invejável ruído. Aí, o Veloster torna-se um pouco aquilo que a sua imagem ousada quer: (quase) um desportivo.

Pois – o Veloster não é um desportivo puro: falta-lhe aquela firmeza no caminhar, capaz de revolver as tripas em situações mais comprometedoras. Contudo, atira-se bem para as curvas, as ligações ao solo, baseadas no tradicional esquema tipo McPherson, são eficazes e a direcção até asseguram boas linhas de trajectória. O chassis, já o dissemos, não se baralha nas transferências de massas, mas – apesar do grito agudo do motor e da acutilância da entrada nas curvas – falta-lhe aquela alma que alguns concorrentes, com o o VW Scirocco ou o Peugeot RCZ, possuem de nascença. Talvez que, com uns pozinhos de perlimpimpim dentro do bloco em alumínio, a coisa ficasse mais… preta. Ou melhor, mais brilhante – na verdade, a Hyundai até tem esses pozinhos em armazém, consubstanciados no mesmo motor 1.6 GDi, mas com um turbo a ajudar à raça, mercê de uns 204 cv que, no Veloster, deveriam ser muito úteis. Claro que com um trabalhinho extra nas suspensões, mas isso até nem deveria ser muito difícil.

O que ajuda muito “este” Veloster com 140 cv a mexer-se mais que a conta é a sua caixa manual de seis velocidades. É exacta e bastante rápida no engrenar das marchas, com um curso curto e sem estar demasiado comprometida com os consumos.

Já agora, por falar neles, são bastante comedidos, ficando mesmo abaixo dos 7 l/100 km. Claro que o facto de o Veloster ter o sistema “Start/Stop”, que desliga o motor quando o carro está parado, ajuda, mas a gestão electrónica de controlo de válvulas do bloco GDi também não é de desprezar, no resultado final.

Equipamento de… estilo

O Veloster está disponível em dois níveis de equipamento: o Comfort e o Style. Este é o mais evoluído e, na verdade, até pode ser o aconselhado, pois tem muito daquilo que a imagem esotérica exterior produz no espírito de quem se apaixona pelo reflexo do Veloster nos vidros de uma montra.

A começar por uma ambiência tecnológica, materializada através de um positivamente intrusivo ecrã táctil LCD de 7”, onde o condutor pode ver que está ligado ao seu… escritório. Os comandos para tudo o que é possível fazer neste pequeno televisor estão no volante – e, a partir daí, para lá das informações obviamente activas à condução, como “cruise control”, tudo o mais de faz. As ligações por cabo RCA a uma câmara de vídeo e as portas AUX/USB para iPod, iPhone ou simples telemóvel lá estão – é só uma questão de definir o necessário, que o Veloster se transforma num bom colega de trabalho.

Além disso, outras coisas podem ser encontradas neste nível com… Style: espelhos exteriores aquecidos electricamente; guia extensora dos cintos de segurança; faróis dianteiros com LED diurnos; câmara de estacionamento de marcha-atrás; escape duplo central; “airbags” frontais, laterais e de cortina; sistema de controlo de estabilidade ESP e de controlo de tracção; encostos de cabeça dianteiros activos; sistema de controlo de impacto no pilar B; sistema de som Premium Autonet, com coluna central, amplificador externo e “subwoofer” com botões de controlo no volante; ar condicionado automático… Um “must” – por menos de 26 mil euros, o que é obra, quando se confronta com aquilo que a “concorrência” oferece por este preço. Tem dúvidas? Então faça algumas configurações e depois falamos!

CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS

Motor: 4 cil. em linha, diant. transversal,  1.591 cc, 16 válvulas, turbo, inj.directa a gasolina; Potência (cv/rpm): 140/6.300 Vel. Máx. (km/h): 201; Acel. 0-100 km/h (s): 9,7; Consumos (l/100 km): 5,9; Emissões CO2 (g/km): 137; Preço (euros): 25.990

Texto: Hélio Rodrigues Fotos: C.Santos

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