Renault Mégane CC GT 2.0 dCi 160 cv

Os Novos do Restelo

Os Velhos do Restelo eram pessimistas, conservadores. Hoje, nesta época (quase) sem horizontes positivos definidos, sabe bem ver que ainda há quem possa ser inconformista. Chamem-lhes os Novos do Restelo, pois só assim se justifica a encomenda desta versão tão exclusiva do Renault Mégane Coupé Cabriolet GT 2.0 dCi 160, onde olhar o futuro é um exercício de hedonismo e de (muita) confiança.

O Renault Mégane CC GT 2.0 dCi é a versão mais desportiva do já originalmente muito bonito “coupé cabriolet” da marca do losango. Utiliza o mesmo chassis do Mégane Coupé, mas rebaixado 12 mm e recorrendo a suspensões de taragem mais firme.

Exteriormente, destaca-se pelo pára-choques dianteiro de “design” específico, com uma entrada de ar integrada e faróis de nevoeiro envolvidos em acabamento “Dark metal”. Este tipo de matiz encontra-se também presente no contorno do pára-brisas e na linha de cintura do habitáculo, promovendo uma imagem fortemente desportiva. Na traseira, este ADN sublima-se no pára-choques, cuja parte inferior é concluída por um difusor aerodinâmico, onde se encontram embutidos os sensores de estacionamento traseiros.

O interior acompanha esta imagem desportiva, até porque herdou muitos dos componentes do Mégane RS. Designadamente, os bancos dianteiros com apoio reforçado no assento e nas costas, os pedais em alumínio e o painel de bordo com conta-rotações analógico. Além disso, o acabamento “Dark metal” está presente também nas pegas das portas, nas orlas dos climatizadores e e em elementos decorativos do painel, ajudando à imagem de maior poder que o coração que bate por baixo do elegante “capot” exige.

Desportivo é, mas…

Mas é tudo: de facto, o motor 2.0 dCi, que debita 160 cv nesta versão, é franco, vigoroso nas recuperações – em muito ajudado pela caixa manual de seis velocidades, de fácil engreno e erro difícil – e o maior binário que emana desta unidade provoca frequente acção do controlo de tracção.

Depois, quando se exige mais qualquer coisa deste Mégane CC GT, as reacções dinâmicas são mais complicadas de entender. Em especial, no mau piso. Na verdade, esta não foi a primeira vez que o AutoanDRIVE ensaiou um Mégane CC da recente geração e, na altura, agradou-nos a subtileza e o conforto com que o chassis assumia as transferências de massas. Até parecia que o conjunto tinha sido feito de raiz para ser um “coupé cabriolet” e não uma adaptação de um chassis já existente na gama, com uma carroçaria descapotável associada.

Porém, nesta versão desportiva, as coisas não se passam bem assim. Quando viajamos em estradas lisas e com bom piso, tudo é fácil, sereno, mesmo que as curvas sejam mais apertadas – em especial, com a capota erguida. Mas, quando escamoteamos para dentro da bagageira o tecto panorâmico em vidro que forma a capota do Mégane CC – operação que demora 21 segundos e pode ser feita em movimento, até 10 km/h – entramos noutro mundo. As trepidações são bem evidentes, com reflexos na direcção e na estabilidade, pelo que ser vigoroso na abordagem de secções mais sinuosas exige bastante mais do condutor – o que, por outro lado, também tem a sua dose de adrenalina. É que, convém dizer, o comportamento nunca se torna perigoso, apenas as irregularidades da estrada são passadas, com maior dureza, para o habitáculo e a carroçaria, tornando-o globalmente menos sólido. Acreditamos que este desconforto possa atribuir-se às jantes de 18” (que são de série) e à suspensão mais dura: ambos promovem a alta nível a imagem e as sensações dinâmicas de cariz mais desportivo, mas não impedem este tipo de críticas.

Ritmos mais elevados são, no entanto, consentâneos com a palavra conforto, desde que se utilize a protecção traseira anti-turbulência (um opcional, por 300 euros), que permite viajar sem que os cabelos fiquem despenteados mas que limitam drasticamente o espaço dos bancos traseiros. Mas enfim: é preciso não esquecer o carácter hedonista do Mégane CC, que quase exige um “viver a dois”…

Apenas disponível por encomenda, esta versão desportiva do “coupé cabriolet” da Renault custa 43.500 euros. Um valor que a imagem exclusiva e as performances mais agressivas poderá não justificar totalmente mas que, sem dúvida, a qualidade e riqueza do equipamento de série ajudam o coração no momento em que a razão impede a escolha. Aqui, os destaques vão para o ar condicionado automático; o rádio CD com comandos no volante e ligações AUX e USB; o volante e manípulo da caixa de velocidades forrados a pele; o sistema Bluetooth mãos-livres para telemóveis compatíveis; sensores de chuva e de luz; luzes dianteiras com LED diurnos; faróis de nevoeiro; espelhos retrovisores exteriores com rebatimento eléctrico; os já referidos tecto panorâmico em vidro e as jantes em liga leve de 18”; sistemas de travagem com ABS e EBD, bem como sistemas de controlo de tracção e de estabilidade; e “airbags” dianteiros e laterais. A unidade ensaiada trazia, como opcionais, a já referida protecção aerodinâmica, mas também a pintura metalizada (410 euros) e rádio Arkamis (420 euros).

CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS

Motor: Diant., 4 cil., 1.995 cc, turbo-Diesel de geometria variável, inj.directa c./”common rail” e “intercooler”; Potência (cv/rpm): 160/3.750; Vel. Máx. (km/h): 215; Acel. 0-100 km/h (s): 9,4; Consumos (l/100 km): 6,7; Emissões CO2 (g/km): 175; Preço (euros): 43.500

Texto: Hélio Rodrigues Fotos: C.Santos

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