Morreu um piloto “à antiga”
Peter Gethin não resistiu aos longos anos de luta contra um cancro e faleceu ontem, com 71 anos de idade. Piloto à moda antiga, daqueles que são bons em qualquer categoria onde corram, ficou na história da F1 pelo seu solitário triunfo em Monza, no Grande Prémio de Itália de 1971. Solitário, mas sem dúvida dos mais renhidos de sempre, pois os cinco primeiros classificados couberam no “espaço” de 0,61s. Pode ver o resumo da prova a seguir à biografia.
Peter Gethin nasceu em Ewell, no Surrey, filho do “jockey” profissional Ken Gethin, no dia 21 de Fevereiro de 1940. No entanto, apesar dos genes da competição lhe correram no sangue, apenas faz notícia quando, em 1968, participa no campeonato britânico de F3. No ano seguinte, sobe à F5000, apenas no seu país natal, com a Church Farm Racing. Curiosamente, dominou aquela competição nesse ano e no seguinte.
Estreia na McLaren
Os bons resultados na F5000 chamaram a atenção das equipas de F1, em 1970. Além disso, venceu o GP de Pau de F2 e, pouco depois, Bruce McLren perdeu a vida num teste privado em Goodwood, deixando a equipa duplamente órfã – de mentor e de piloto. Então, foi chamado para substituir o malogrado neo-zelandês, ficando com a McLaren até, em meados de 1971, assumir o mesmo papel, na BRM – depois de Pedro Rodríguez morrer num acidente no Norisring.
Peter Gethin, sem se incomodar com o trágico papel de substituto de colegas mortos no exercício da sua paixão, agradeceu à BRM a confiança nele depositada (a equipa britânica andava já a sondá-lo desde o início da temporada de 1971) e, na sua segunda participação com o BRM P160, obteve a sua primeira e única vitória na F1. Aconteceu em Monza, fazendo do GP de Itália uma das mais renhidas provas do historial da F1.
Quarto no início da derradeira volta, Gethin passou para a frente da corrida na Parabolica e cruzou a linha de meta com 0,01s de vantagem sobre Ronnie Peterson. Nessa altura, foi a mais curta margem de vitória de um piloto na F1. Além disso, ao estabelecer uma volta à média de 151,634 mph (243,979 km/h), assinou aquela que, durante muito tempo, foi a mais rápida volta de sempre numa corrida de F1. Um mês mais tarde, voltoua vencer pela BRM, então a Victory Race, em Brands Hatch – a mesa onde perdeu a vida Jo Siffert.
A temporada de 1972 não foi tão notável e, no final do ano, Gethin deixou a BRM, regressando à F5000, onde ganhou a Corrida dos Campões, tornando-se o único piloto a conseguir impor um daqueles monolugares de categoria inferior aos carros de F1, quando ambos corriam em conjunto. Em 1973, voltou a substituir outro piloto, na BRM, quando a equipa despediu Clay Regazzoni, no GP do Canadá. No ano seguinte, ocupou o lugar de Guy Edwards na equipa de Graham Hill, quando o seu compatriota partiu um tornozelo, correndo no GP da Grã-Bretanha. Este foi o 31º e último GP da sua carreira, onde subiu apenas uma vez ao pódio – e logo no lugar mais alto! E onde nunca liderou uma única volta completa!
Para lá da F1
Ainda em 1974, Peter Gethin viajou até aos antípodas e, com um Chevron B24, sagrou-se campeão da Tasman Series, um campeonato de F5000 que se realizava na Austrália e na Nova Zelândia. Gethin correu na F5000 até 1976, antes de se afastar das pistas como piloto, dedicando-se à gestão de carreiras de pilotos, nomeadamente da jovem esperança italiana Beppe Gabbiani. Mais tarde, foi apontado como director da Toleman na F1, antes de se interessar pela F3000 e fundar a sua própria equipa, a Peter Gethin Racing, em 1986.
A única experiência fora dos monolugares aconteceu quando, em 1970, participou na segunda parte da temporada de Can-Am, substituindo, claro está, outro piloto: Dan Gurney. Com um McLaren M8D, Gethin venceu uma prova e terminou o campeonato em 3º lugar.
Os seus últimos anos passou-os a gerir uma escola de pilotagem em Goodwood, sendo o seu nome ligado, em 2003, a uma “poole” de investidores interessados em adquirir Brands Hatch.
O VÌDEO DO GP ITÁLIA 1971: http://www.youtube.com/watch?v=0VB8Ry5kKjQ&feature=player_embedded

