Honda CR-V 2.2 i-DTEC 150 cv Lifestyle

Reflexo da crisePoucos meses antes de desvendar o futuro CR-V, que sairá no próximo Verão, a Honda decidiu introduzir no modelo de 2010 o motor 2.2 i-DTEC, na sua versão de 150 cv. Trata-se do mesmo motor utilizado no Accord e substitui o “velho” bloco 2.2 i-CTDi de 140 cv, algo desfasado em termos tecnológicos e, principalmente, já pouco adequado às exigências ecológicas. Desta forma, o CR-V ganhou uma nova vida e, no peculiar mercado português, reflexo contínuo da crise perene em que sobrevivemos, um interesse que estava a perder muito rapidamente.

E voltamos ao mesmo: sobre o Honda CR-V, já aqui falámos (http://autoandrive.com/2010/11/19/honda-cr-v-2-0i-vtec-elegance/). Das suas características, como o espaço a bordo, a qualidade de acabamentos no interior, a ergonomia, a versatilidade, tudo já foi dito, conforme se pode ler no item referido. O ambiente de berlina que se vive a bordo continua inconfundível. As alterações estéticas executadas em 2010, mantêm-se actuais. Podemos gostar ou não delas – mas estão lá e são a mais recente assinatura da Honda em termos de “design”. Importa, por isso, falar sobre a introdução do motor 2.2 i-DTEC no SUV mais europeu da marca japonesa.

Suavidade e eficácia

A unidade ensaiada tinha o motor associado a uma caixa de velocidades manual de seis relações e, além disso, possuía pneus montados em jantes de 18”. O que, conforme verificámos, não é despiciente.

O Honda CR-V, apesar de um centro de gravidade mais elevado, é ágil e a sua carroçaria até nem adorna de forma alarmante nas curvas mais apertadas, que devora com facilidade, muito por culpa de umas ligações ao solo eficazes, embora tradicionais – McPherson na frente, braços duplos, atrás. A frente por vezes foge um pouco do eixo da curva, mas nunca compromete as mudanças de apoio, pois o CR-V continuou a revelar um comportamento digno de uma berlina, já verificado nas outras unidades que o AutoanDRIVE ensaiou, mas então equipadas com o motor a gasolina.

Curiosamente, agora a eficácia e a agilidade proporcionadas pelo motor i-DTEC, bem apreciado no Accord, mantêm-se intactas, em relação ao bloco a gasolina. A potência é a mesma, a suavidade de funcionamento também: o motor turbo-Diesel é muito suave, não é absolutamente nada “turbo-dependente” para movimentar a maior massa do CR-V, relativamente ao Accord. Além disso, as relações da caixa de velocidades são bem escalonadas e apenas encontrámos um “senão” – em ritmo despachado, nem sempre acompanha as exigências, pecando por alguma lentidão e pouca exactidão no engreno, pese embora a sua posição mais elevada facilite bastante o seu manuseamento.

Os consumos são mais elevados do que o anunciado pela marca, o que é natural. Mesmo assim, não nos pareceram exagerados os 7,1 litros aos 100 apresentados pelo computador de bordo.

O Honda CR-V pode ser levado para fora do asfalto, sem problemas de maior, graças a uma altura ao solo evidente e até pode ultrapassar obstáculos de dimensões apreciáveis, pois apresenta bons ângulos de ataque e de saída (à frente e atrás). Além de que a tracção total, embora sem redutoras, funciona de forma totalmente automática, equilibrando a força de tracção em cada roda, quando isso for necessário e de acordo com as perdas de tracção. E o “rapport” da primeira velocidade parece suficientemente curto para enfrentar subidas mais exigentes, pois o conversor de binário suplanta a falta de uma redutora de forma eficaz, proporcionando nestas situações a segurança oferecida pelos 150 cv de potência do motor.

Estilo de vida

Fica bem evidente que o Honda CR-V se encaixa bem dentro de um determinado estilo de vida – descomprometido, com algum “glamour” e com uma qualidade acima de qualquer suspeita (se esquecermos alguns pormenores de montagem e plásticos menos nobres aqui e ali, no habitáculo). O CR-V é um SUV, dedicado a mentes urbanas, mas que querem fazer rápidas escapadelas de fim-de-semana e, além disso, exigem espaço familiar e alguma versatilidade a mais. Isso, com o CR-V, é possível – não ficando aquém dos seus rivais, assinados por marcas europeias como a Renault, com o Koleos, ou a Ford, com o Kuga.

Consciente disso, a Honda procurou fazer a diferença através do equipamento. O nível da versão utilizada neste ensaio designa-se, muito apropriadamente, Lifestyle. Que acrescenta ao equipamento de série mais-valias como faróis de xénon; sensores de luz, chuva e estacionamento (na frente e atrás); vidros traseiros escurecidos; ar condicionado automático com controlo de climatização independente; bancos dianteiros aquecidos; espelho de conversação; luz ambiente e de leitura dianteira; estofos em Alcantara; volante forrado a pele; fecho de portas centralizado com comando à distância e imobilizador; seis “airbags”, entre eles de cortina com sensor de capotamento; encostos de cabeça activos; ou o sistema áudio com leitor/carregador de seis CD, entradas auxiliares para MP3 e USB, “subwoofers” e “tweeters”… O preço final é de pouco mais de 46 mil euros, no que pode ser considerada uma aposta numa qualidade e numa diferença que podem ser decisivas na hora da escolha.

CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS

Motor: Dianteiro transv., 2199 cc, 4 cil. em linha, turbo-Diesel com inj.directa common-rail; Potência (cv/rpm): 150/4.000; Vel. Máx. (km/h): 190; Acel. 0-100 km/h (s): 9,6; Consumos (l/100 km): 6,5; Emissões CO2 (g/km): 171; Preço (euros): 46.180

Texto: Hélio Rodrigues Fotos: C.Santos

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