Nissan Murano 2.5 dCi 190 cv Tekna Premium Aut.

A qualidade que já fazia falta

O Nissan Murano é um caso muito especial. A sua volumetria e as suas linhas ousadas (em especial na dianteira) não o deixam passar despercebido. Pensado e concebido para o mercado norte-americano, ostenta no entanto características, equipamento e uma qualidade mais consonantes com as exigências europeias. Até aqui disponível somente com o motor V6 3.5 a gasolina, recebeu agora o bloco 2.5 turbo-Diesel, com 190 cv, bem conhecido do Pathfinder e da Navara. E já fazia falta…

Não é que, com este motor, que o coloca dentro da oferta dos melhores SUV turbo-Diesel, o Nissan Murano se torne mais apetecível. Afinal, e infelizmente, o Murano continua a situar-se dentro de um pequeno nicho de mercado e, além disso, não é muito conhecido ou divulgado. E dizemos infelizmente porque é, de todo, injusta esta realidade – o Murano é um dos melhores exemplos topo de gama neste tipo de veículos, capaz de lutar de igual para igual com as equivalentes propostas das marcas germânicas. Aliás, de forma mais barata e com a certeza de ter em mãos um SUV de imagem diferente e, quase mesmo, exclusiva. Só, afinal, para “gourmets”… ou conhecedores.

Nascido para lutar

A Nissan refere-se ao Murano como um “crossover” – o maior do mercado. Até pode ser que assim seja. Mas, “crossover” ou SUV, o que interessa é o que tem, por dentro e por fora. O Murano chegou à Europa em 2004, dois anos depois de ter sido apresentado nos Estados Unidos e no Canadá e, desde então, foi actualizado em finais de 2008 e recebeu algumas alterações estéticas no Verão do ano passado, especialmente na frente, onde a grelha e os pára-choques foram renovados. E foi mais ou menos nesta altura que a Nissan decidiu introduzir, pela primeira vez, uma mecânica turbo-Diesel no Murano, escolhendo para isso a versão revista e modernizada do bloco 2.5 dCi de 4 cilindros em linha, já presente em outros modelos todo-o-terreno da marca, como o SUV Pathfinder, ou a “pick up” Navara, mas agora mais potente (190 cv e 450 Nm de binário). Tal como na versão com motor a gasolina – o mesmo V6 3.5 que deu origem ao poderoso motor do GT-R e, agora, do Juke-R, mas com “apenas” 256 cv no Murano – a transmissão está associada à caixa automática de seis velocidades (com conversor hidráulico de binário), a original que, em 2005, sofreu alterações que diminuiram em cerca de 20% o tempo de resposta nas passagens de relação. Além disso, a tracção é às quatro rodas, mas sem ser permanente, funcionando através de uma embraiagem que controla e reparte automaticamente a força motora para cada um dos eixos. Em situações de condução normal, a tracção é dianteira mas, mal sejam detectadas perdas de aderência, a embraiagem encaminha a potência necessária para as rodas traseiras. Esta tecnologia é chancelada pela Nissan, sob o nome ALL MODE 4×4-i, que a caracteriza ainda como “inteligente”.

Silêncio, que é um Diesel

Depois de ter já ensaiado a versão com motor a gasolina, o AutoanDRIVE fez o mesmo agora à versão com o motor dCi de 190 cv. E, de imediato, percebeu que este é bastante silencioso, mesmo em regimes mais elevados, mantendo sempre uma disponibilidade digna de registo, sendo para mais comandada pela caixa automática, em que as mudanças de relação surgem de forma suava e quase imperceptível e, o que é de louvar, sem grandes perdas de tempo nas passagens.

Paralelamente a toda esta tecnologia “natural”, o Murano tem um botão na consola central, que acede a um sistema de bloqueio do diferencial (as chamadas redutoras), que permite que a tracção seja equitativa em ambos os eixos e que é recomendável em condições de facto precárias de aderências, mas com velocidades apenas até aos 80 km/h. Não tivemos oportunidade de utilizar o sistema, porque não levámos o Murano além de umas fáceis dunas na zona da lagoa de Óbidos, mas percebemos depressa que o sistema de repartição de tracção funciona, sempre que isso é necessário.

Também percebemos depressa que a qualidade perceptível no interior é muito elevada e que o equipamento de série é rico e muito completo. A versão nivelada como Tekna Premium é a topo de gama e destaca-se, no exterior, pelas barras de tejadilho pintadas e as jantes de 20”; no interior, forrado de série com materiais de boa qualidade e onde os bancos são em pele, a diferença está na chave inteligente, duas posições do banco do condutor e do volante memorizáveis, abertura automática do portão traseiro, bancos traseiros aquecidos, sistema áudio BOSE com leitor de CD e 11 colunas e comandos no volante. O que ajuda, e muito, a justificar os quase 70 mil euros que custa um Murano dCi.

CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS

Motor: Diant. longitudinal, 4 cil. em linha, 2.488 cc, 16 v duas árvores de cames à cabeça, inj.directa c./”common rail”, turbo de geometria variável e “intercooler”; Potência (cv/rpm): 190/4.000; Vel. Máx. (km/h): 196; Acel. 0-100 km/h (s): 10,5; Consumos (l/100 km): 8,0; Emissões CO2 (g/km): 210; Preço (euros): 69.300

Texto: Hélio Rodrigues Fotos: C.Santos

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