Uma questão de razão
A Renault introduziu o novo motor 1.6 dCi de 130 cv em primeiro lugar nos seus monovolumes Scénic e Grand Scénic. Uma razão de estratégia comercial, justificada pela símbolo de “best seller” que rodeia aqueles modelos, considerados pioneiros de paradigma do sector em toda a Europa. O resultado, só por isso, tem que ser considerado positivo. Mas há ainda outras razões, estas mais práticas.
O AutoanDRIVE ensaiou a versão Bose Edition do elemento maior da família, o Grand Scénic, com uma lotação de sete lugares. Nada melhor para perceber as capacidades do motor 1.6 dCi, que vem substituir o velhinho 1.9 dCi e que é totalmente novo e concebido dentro da aliança de sinergias entre a Renault e a Nissan.
Fóra de série
Não, o Grand Scénic não ficou um fora de série por estar equipado com o novo motor 1.6 dCi. Os seus 130 cv são interessantes, estão associados a uma caixa manual de seis velocidades tipicamente Renault – fácil de utilizar e bastante exacta e eficaz, embora não seja um exemplo de rapidez – e o binário produzido permite rolar sem cansaços desnecessários, a uma velocidade de cruzeiro agradável. Como agradável é, também, a vida a bordo, pautada pela qualidade que a Renault já nos habituou desde há uns anos a esta parte e pelo espaço criteriosamente aproveitado, sem exageros de utilização, mas também sem pecadilhos de escassa versatilidade.
Ou seja, uma família completa – casal, dois filhos e as sogras – consegue viajar sem conflitos, mesmo na terceira fila de bancos (a que se acede de forma não muito complicada), mas também sem muita bagagem. Isto, apesar de o espaço ser suficientemente fundo para prever a acomodação de algumas malas… mas quiçá não as desejadas para um fim-de-semana mais prolongado e cómodo.
Enfim, não se pode ter tudo… Porém, nesta versão especial Bose Edition, a Renault providenciou… quase tudo. É que esta é uma edição luxuosa, voltada para clientes exigentes e amantes de uma qualidade e uma exclusividade acima da média.
Por exemplo: mais que um sistema de som desenvolvido em exclusivo, estas edições são uma interpretação estética refinada, com assinatura Bose, fornecendo uma identidade específica. Que se materializa nas jantes de 17” com acabamento em negro, nos vidros escurecidos e na “badge” lateral assinada BOSE. Além disso, quem quiser pode personalizar o equipamento, através de “packs” específicos (não exclusivos nesta edição, mas sim disponíveis em toda a gama), como o Sensor (ajuda ao estacionamento dianteiro e traseiro e controlo automático da pressão dos pneus (520 euros, mais 210 se quiser câmara de marcha-atrás); ou o que inclui faróis bi-xénon direccionais com lava-faróis de alta pressão (720 euros).
Em jeito de conclusão, temos um monovolume de tamanho superior (Grand Scénic), equipado com um motor novo (1.6 dCi), com cavalos suficientes para ser agradável (130 cv) e, ainda, dotado de soluções que lhe permitem consumos inferiores ao “irmão” com o motor 1.9 dCi de potência equivalente (fizemos consumos de 6,3 l/100 kms, o que não deixa de ser de facto positivo, pela volumetria deslocada). Soluções essas que passam pelo sistema Start/Stop (que desliga o motor em situação de paragem, por exemplo, no trânsito), gestão inteligente da energia e sistema de abertura da válvulas variável.
O preço final desta versão é de 33.900 euros, mas o equipamento exclusivo e algum requinte conseguem justificá-lo.
CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS
Motor: Diant., 4 cil., 1.598 cc, turbo-Diesel de geometria variável, inj.directa c./ common rail e intercooler
Potência (cv/rpm): 131/4.000
Vel. Máx. (km/h): 195
Acel. 0-100 km/h (s): 11,1
Consumos (l/100 km): 4,5
Emissões CO2 (g/km): 117
Preço (euros): 33.900

