Novo espaço útil
Uma década depois, a segunda geração da SEAT Alhambra viu a luz do dia. Uma imagem refrescada e mais dinâmica, associada a um espaço de referência, mantém no activo o monovolume “made in Autoeuropa, Portugal”, como um produto com qualidade e referencial no segmento. Além disso, é mais barato que os seus gémeos com chancela diferente e, nesta versão, conjuga-se activamente para ajudar o ambiente.
O SEAT Alhambra foi lançado no dealbar do milénio – mais exactamente, no (já longínquo) ano de 2000. Nessa altura, foi uma das bandeiras da produção e excelência da Autoeuropa, onde era fabricada, sob três bandeiras: a da SEAT, da VW (Sharan) e da Ford (Galaxy). As diferenças entre os três modelos, centravam-se em três pressupostos: pormenores estéticos exteriores, equipamento e, claro, o preço. Aqui, a palma ia para o Alhambra, percentualmente inferior aos dos seus “gémeos”.
Ao longo dos anos, a imagem e qualidade do SEAT Alhambra manteve-se praticamente inalterada, recebendo ocasionais retoques de imagem e reforços no que ao equipamento diz respeito. Até agora: a SEAT lançou a segunda versão do Alhambra, desde sempre um monovolume familiar e de grandes dimensões, declinado em cinco ou sete lugares de lotação. Tal como então, também existem equivalentes nas duas outras chancelas, diferenciando-se precisamente pelas mesmas bitolas: exterior, equipamento e preços.
E até na vertente ecológica a SEAT acompanhou a tendência do mercado, através da designação E-Ecomotive. O AutoanDRIVE ensaiou a versão menos potente, com 115 cv extraídos do bloco 2.0 TDI.
Para famílias crescidas
O SEAT Alhambra tem mais de 4,85 m de comprimento. Medida mais que suficiente para promover um espaço não desprezível: aliás, viajar na segunda fila de bancos de pernas cruzadas e sem tocar com a biqueira do sapato nas costas do banco da frente não é para todos! E não somos propriamente de estatura baixa…
O Alhambra pode ter cinco ou sete lugares. A versão por nós ensaiada era esta última. A terceira fila de bancos tem dois – e estes são maiores que simples cadeirinhas e levam adultos de tamanho médio sem grandes conflitos.
O acesso às duas filas traseiras de bancos faz-se de forma simples e eficaz: a SEAT optou por largas portas de correr, com comando eléctrico ou manual. A sua abertura é, por isso, fácil e faz-se mesmo em espaços apertados, agilizando a forma como se acede ao interior do Alhambra.
Este exibe uma qualidade que não deixa ninguém envergonhado, embora aqui e ali surjam plásticos algo mais duros que o desejado. Porém, a sua montagem é segura e, curiosamente, não se repercute em ruídos parasitas. Já os bancos pareceram-nos merecedores de estofos com características menos agressivas ao tacto…
O SEAT Alhambra de sete lugares, quando estes se encontram prontos a transportar idêntico número de passageiros, fica quase sem espaço para bagagens; ele existe, é de facto fundo, mas demasiado pequeno para acolher a bagagem de sete pessoas, em viagem de fim-de-semana… Já o contrário há que ser assinalado, quando os bancos são rebatidos, o que se faz de forma simples, fácil e rápida, graças a um sistema que a SEAT designa como “Easy Fold”.
Em termos de equipamento de série, o nível Reference da unidade ensaiada é o básico. Mesmo assim, contempla itens como sete “airbags”; faróis em halogéneo; vidros laterais com protecção contra o calor; barras de tejadilho de cor negra; ar condicionado Climatronic de três zonas; luzes diurnas LED; jantes em liga leve de 16”; “SEAT sound system” com Aux-In; ou porta-luvas iluminado e refrigerado com fecho próprio. Curiosamente, uma das faltas que notámos foi a de um sistema de navegação, dificilmente justificável num automóvel tão familiar a vocacionado para grandes viagens como o Alhambra.
Motor equilibrado
O motor 2.0 TDI pode ter três declinações de potência: 115, 140 e 170 cv. A entrada de gama, de 115 cv, resulta numa proposta bastante equilibrada. Associado a uma caixa manual de seis velocidades, fáceis de engrenar e suficientemente “espevitadas” para permitir um ritmo saudável em auto-estrada sem penalizar os consumos, que a marca anuncia como sendo de 5,5 l/100 kms (na verdade, nunca baixámos dos 6,8 litros… o que não pode considerar-se um exagero, dada a volumetria do Alhambra) , os 115 cv extraídos do reconhecidamente capaz bloco 2.0 TDI são sinónimo de um equilíbrio de viagem perfeitamente… familiar.
Isto é, não são atrevidos, não são “pastelões” e, apesar de exigirem algum trabalho “manual” para arriscar ultrapassagens mais vigorosas em estradas com trânsito, o vigor que deles exala deixa satisfeito qualquer bom chefe de (grandes) famílias. Até porque nem a sogra gosta da vertigem da velocidade, nem esta é aconselhável quando se transportam os herdeiros do nome e da raça… Além disso, são verdes. E essa características vê-se no sistema “Start/Stop”, que se activa nas paragens do trânsito, ou no recuperador de energia produzida pelo alternador, através de um sistema de recuperação próprio associado aos travões. E, ainda, no catalisador equipado com o sistema Selective Catalytic Reduction (SCR), que reduz os óxidos de azoto.
Portanto, estamos conversados: se quiser andar (ligeiramente, apenas, convenhamos…) mais depressa, escolha a versão com 140 cv. Ou, se quiser divertir-se um pouco mais a sério, com um volume tão grande como o Alhambra, então vá para a versão de 170 cv. Se possível, equipada com a veloz caixa de velocidades de dupla embraiagem DSG. Mas, para isso, terá que desembolsar alguns milhares de euros a mais – por cada uma delas. O que, nesta época de crise, talvez não apeteça assim tanto e limite um pouco os horizontes. Até porque, nesta entrada de gama, já tem a imagem e o equipamento mais que à conta da sua bolsa… “troikiana”.
CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS
Motor: Diant., transv., 4 cil. em linha, 16v, 1.968 cc, turbo-Diesel, inj. dir. c./”common rail”, turbo de geometria variável e “intercooler”
Potência (cv/rpm): 116/4.200
Vel. Máx. (km/h): 183
Acel. 0-100 km/h (s): 14,0
Consumos (l/100 km): 5,5
Emissões CO2 (g/km): 143
Preço (euros): 34.655

