Hyundai Genesis Coupé 2.0 TCI Style

Novos horizontes

O seu nome é Genesis, Hyundai Genesis. Coupé, há que precisar, para o separar do seu irmão mais velho. Primeiro coupé desportivo com tracção traseira feito pela marca coreana, é também o mais barato deste tipo de propostas existente no mercado nacional. A seguir, veja o que gostámos e o que não gostámos, neste que abre novos horizontes na Hyundai.

Tal como o nome indica, o Genesis está na… génese de uma nova filosofia cultivada pela Hyundai. Desde logo, filosofia de imagem. Depois, de qualidade. Enfim, de franca aproximação aos mercados ocidentais.

O carro do Justiceiro
O Genesis Coupé nasceu no sedan de quatro portas, existente – e um sucesso! – no mercado norte-americano. Ambos possuem a mesma plataforma, embora com uma distância entre eixos mais curta no Coupé (menos 11,7 cm) e esta é a única semelhança. No mais, o Coupé é, de facto, um desportivo. A começar pela imagem.
A silhueta do Genesis Coupé é agressiva e não deixa ninguém, indiferente. Ouvimos de tudo: “nem parece um Hyundai” foi a frase que mais vezes nos disseram. Mas houve também quem afirmasse a pés juntos que o Genesis Coupé “parece o carro do Justiceiro” – numa alusão ao carro que fazia curvas em linha recta e era “pilotado” pelo David Hasselhoff. Porém, o que melhor recordamos e é um elogio à capacidade dos estilistas da Hyundai, é a reacção daquela menino de três anos, que largou a mão do pai e ficou embevecido à nossa frente, a olhar com grandes olhos de espanto para o Genesis Coupé e a balbuciar, na tradução paterna”, que… “este é o carro do meu jogo na consola!” Desconhecemos a que jogo ele se estava a referir, mas ficou bem evidente a veia desportiva que emana das suas linhas em forma de cunha, deslizantes sobre o enorme “capot” dianteiro, onde os faróis esguios apontam felinamente para a grelha em rede, que assimila a nova e mais agressiva filosofia de “design” da Hyundai.
Depois, a linha de cintura sobe de forma elegante e, ao mesmo tempo, poderosa, até aos ombros destacados, que culminam num “spoiler” traseiro, encimando dois grupos ópticos estilizados sobre um curto portão e o volumoso pára-choques – que mais não é que o prolongamento em peça única das cavas das rodas traseiras. E que envolve um apêndice aerodinâmico inferior tipo “início de fundo plano” e de onde saem as duplas saídas de escape, que rematam na perfeição o conjunto.
Gostámos. Sem reservas: aqui, a Hyundai soube fazer bem o seu trabalho de casa, concebendo finalmente um desportivo com classe e personalidade vincada numa imagem simultaneamente de marca e de destaque. Assumindo querer lutar directamente com o Infiniti G37 e o BMW Série 3 Coupé (mais precisamente M3), a verdade é que o Nissan 370 Z ter encontrado aqui um concorrente à altura.

Interior de qualidade
De facto, se a tradição da Hyundai tem garantido desde sempre “coupés” e desportivos de fraco gabarito, desde imagem a qualidade, com o Genesis Coupé há que tirar o chapéu à marca coreana. Da imagem, estamos falados – restando adiantar que a robustez que se sente no exterior, continua depois num interior envolvente, voltado para o condutor, ergonomicamente bem pensado e com uma qualidade acima da média. Na verdade, não são apenas os bancos em pele, que oferecem bom apoio lateral e permitem encontrar uma boa posição de condução – o mais difícil é a falta de regulação em profundidade do volante forrado a couro. O painel de instrumentos tem boa leitura das informações fornecidas, embora faltem algumas coisas, como indicadores de temperatura de óleo e de água. A montagem dos materiais é firme e não destaca folgas – embora a qualidade de alguns plásticos não se coadune muito bem com o conjunto a atirar para o Premium que a Hyundai quer dar ao seu novo desportivo. O toque final desportivo está nos cromados espalhados aqui e ali pelo interior negro e, ainda, na pedaleira em alumínio perfurado.
Gostámos. O único problema está no espaço traseiro existente nos dois bancos. Estes são fundos, muito fundos… mas não o suficiente para impedir que fiquemos com a sensação de termos em permanência o céu… perdão, o vidro traseiro! – a cair sobre a nossa cabeça. Além disso, se entrar não é muito complicado, graças à boa abertura das grandes portas, já sair exige alguns dotes de contorcionista ou, no mínimo, não sofrer nem da espinha nem de reumatismo… Enfim, não se pode ter tudo e, ao contrário de alguns rivais, nestes dois bancos conseguem viajar adultos; provavelmente, não o Mike Tyson, mas aluem mais, digamos, “normal”. Disso, não gostámos.
Mas gostámos, isso sim, do equipamento de série do Genesis Coupé. Desde os bancos em couro aquecidos e com regulação eléctrica para o do condutor, ao sistema áudio Infinity com oito colunas, passando pelo tecto de abrir eléctrico e pelo ar condicionado automático, estes são alguns dos condimentos que a Hyundai acrescenta a uma ementa que, já de si, é bem apelativa e marca um corte radical com o passado. Incluindo – outra coisa de que gostámos – a garantia de cinco anos que vem incluída no pacote, quebrando decididamente com a fama, que vem de longe, de que a Hyundai não liga aos clientes. Também isto é passado!

Coração mole… atleta duro
Além da imagem, também na mecânica a Hyundai consegue fazer esquecer o passado com o Genesis Coupé. Disponível nos mercados mundiais com o motor Theta 2.0 turbo de quatro cilindros e 210 cv, ou o 3.8 V6 de 306 cv, em Portugal apenas a primeira versão é comercializada. Acrescentamos: infelizmente…
Mas explicamos porquê. Antes, porém, sempre adiantamos que gostámos, mas… Falta ali qualquer coisa. Apesar de ser novo e possuir alguns detalhes de moderna engenharia mecânica, como válvulas com controlo variável contínuo de abertura (Dual CVVT) ou arrefecimento dos pistões através de jacto de óleo, a verdade é que o coração apenas começa a bater forte a partir das 1.500 rotações. Ate lá, é algo, digamos, mole…
E, como desportivo a sério que a sua imagem dele pretende fazer, ser-lhe-ia exigida uma maior acutilância nas reacções ao acelerador, que apenas surgem nas faixas mais altas do conta-rotações. Isso é tanto mais frustrante quanto estamos ao volante de um carro que, sem ser o motor, possui todos os outros argumentos necessários para poder ser um desportivo verdadeiro. O chassis, mais curto que o que lhe deu origem, é firme e não torce nas zonas sinuosas, no que é bem ajudado pelas ligações ao solo, em que a suspensão independente, McPherson na frente e com cinco braços atrás, com taragem bem durinha (a Hyundai garante que é mais dura que a do M3!), conjugada com o diferencial autoblocante de deslizamento limitado, resultam num comportamento tipo… andar sobre carris. E, mesmo que desliguemos o ESP, o deslizar da traseira não é brusco e assustador – na verdade, quase é necessário que o piso seja mesmo escorregadio para que a diversão comece a tornar-se obscena. Por outro lado, a direcção é dura, mas exacta e informativa, levando o Genesis Coupé para onde queremos, sem fugas de frente capazes de atabalhoar o jogo de mãos e de pés. Temos, também, que falar da caixa: apesar de existir uma versão caixa automática de cinco velocidades, com patilhas no volante, cá pelo burgo o normal será ter associada uma caixa manual de seis velocidades. Curiosamente, a primeira impressão de que a caixa é rápida e de engreno fácil e exacto, desmorona-se quando queremos abusar um pouco: a passagem de sexta para quinta, ou de quarta para quinta, surge um pouco desfasada da realidade, o que depressa transforma a caixa num amigo… falso. O que é pena, pois a alavanca está bem posicionada, cai bem na mão e o curso é curto q.b. para prometer algum gozo supérfluo…  que depois não existe!
Além disso, o facto de o motor parecer ser escasso para as restantes capacidades do Genesis Coupé é tanto mais imperdoável, quanto estamos a bordo de um dos raros exemplares de desportivos com tracção traseira! Um gozo, para os amantes de autêntica condução, ainda por cima quando a distribuição de pesos entre os dois eixos é quase equitativa – 55% à frente, 45% atrás.
Porém, estamos em crer que, com o V6 e os seus mais de 300 cv, outro galo cantaria! Literalmente: até o roncar seria outro, pois o deste pouco uivante, mesmo com o acelerador a fundo. Afinal, sempre são menos dois cilindros e, além disso, em linha!
E os consumos, pergunta o leitor. Pois: desses, não gostámos. Mesmo: o que em nós é raro, dizer isto depois de ensaiarmos um desportivo, estirpe de carro onde os consumos são de importância comezinha. Pois o problema, aqui, é que, mesmo em ritmos calmos e de avozinho, nunca conseguimos fazer baixar dos 11 l/100 km – que sobrem tão depressa para os 14/15 à mesma razão com que o ponteiro do velocímetro sobe…
Seja como for, com defeitos, feitios e algumas (boas) virtudes, terá neste Hyundai Genesis CCoupé 2.0 T o desportivo de tracção traseira mais barato no mercado: menos de 40 mil euros, com todos os ingredientes constantes na ementa original.

CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS
Motor: Diant., 4 cil. em linha, 16 v, 1.998 cc, turbo-compressor,
Potência (cv/rpm): 210/6.000
Vel. Máx. (km/h): 223
Acel. 0-100 km/h (s): 8,0s
Consumos (l/100 km): 9,5
Emissões CO2 (g/km): 220
Preço (euros): 39.990

Texto: Hélio Rodrigues
Fotos: C.Santos e Divulgação (interiores)

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