Um toque de verdura
O Jazz Hybrid é o toque de verde que faltava na palete de ofertas da Honda. De certo forma, veio substituir o Civic Hybrid, entretanto descontinuado. E, por outro lado, veio ocupar o topo da hierarquia de automóveis amigos do ambiente, onde continuam a existir o Insight e o CRZ, ambos situados em nichos particulares. Algo com que o jazz, menos cosmopolita e mais familiar, não compactua.
A Honda confirma a sua aposta no Jazz Hybrid para garantir números interessantes nas vendas de automóveis com este tipo de motorização. E está a consegui-lo: o Jazz trás de raiz argumentos válidos que, agora associados a uma tendência mais ecológica, aumenta os motivos de interesse no modelo agora mais vendido da Honda.
Fácil mais fácil não há
Mas, afinal, o que é o Jazz Hybrid? Muito simples: na verdade, solução mais fácil não poderia ter sido encontrada. À Honda, bastou ir buscar ao Insight o motor 1.3 a gasolina, de 88 cv e associá-lo ao “velho” sistema IMA (o motor eléctrico de 14 cv que assiste o térmico em situações como no trânsito e em velocidades moderadas). Com isso, criou um conjunto que totaliza 98 cv e resultou num interessante binário de 167 Nm (121 Nm do motor a gasolina e 79 Nm constantes, do IMA). Além disso, trouxe também do Insight (e, anteriormente, do Civic), a caixa de velocidades automática CVT de seis relações – que é, verdade, seja dita, o ponto m ais fraco do Jazz, embora as debilidades anteriores, como ruído intenso de funcionamento e lentidão, tenham sido (em, especial o primeiro), de facto, muito atenuados. Continua, contudo, a não ser muito agradável, em especial quando se pede mais vigor ao motor, como em ultrapassagens – aqui, aconselha-se a colocar o manípulo na posição “Sport”., para que o Jazz ganhe alma e segurança para a manobra.
Divertido e espaçoso
De resto, o Jazz Hybrid é uma boa opção em termos dinâmicos. Não apenas em termos de motor – sente-se mais “músculo” disponível e as recuperações, mesmo com a caixa CVT, embora sem serem deslumbrantes, são progressivas e constantes, sem desprimor para a agilidade do modelo.
Que, é preciso que se assinale, recebeu algumas novidades mecânicas, capazes de o transformarem num pequeno automóvel divertido de conduzir e muito ágil no trânsito. Por exemplo, sensível às críticas relativas à falta de precisão da direcção do anterior Jazz, neste a Honda introduziu alterações que o tornaram mais assertivo em curva, nomeadamente uma barra estabilizadora de maior diâmetro, que inclusive permite reduzir a natural tendência (tracção dianteira “oblige”…) subviradora do carro. Na verdade, o Jazz Hybrid, no que a comportamento dinâmico diz respeito, parece outro: para lá da “actualização” na frente, também a barra estabilizadora traseira é mais grossa e, além disso, os amortecedores têm uma taragem mais dura, o que permite que o Jazz Hybrid seja até bastante divertido de conduzir… se esquecermos a caixa CVT (já estamos a imaginá-lo com a caixa manual de seis velocidades que equipa o CRZ… seria outra “loiça”!)
Para que o ramalhete verde ficasse completo, a Honda introduziu no Jazz Hybrid outras alterações: faróis e grelha dianteira diferentes, grupos ópticos e pára-choques traseiros modificados e painéis aerodinâmicos inferiores diminuíram o coeficiente de penetração aerodinâmica, aproximando-o dos valores do Insight. O resultado é um consumo indicado de 4,5 l/100 km (nunca chegamos a baixar dos 5 litros…) e 104 g/km de emissões de CO2.
A juntar a tudo isto, a Honda melhorou o Jazz Hybrid em relação ao modelo com apenas motor térmico, também no interior, onde alguns materiais do “tablier” possuem uma melhor qualidade, tornando-o mais sólido. O espaço continua generoso, em especial com o sistema de rebatimento “mágico” dos bancos traseiros, apesar da mala ter já um volume original de 346 litros. Os bancos podem não ter o melhor apoio para as pernas, nem serem uma referência em termos ergonómicos, mas permitem encontrar uma boa posição de condução, que atenua estas pequenas debilidades.
Finalmente, o conforto de rolamento saiu aprimorado, através de uma melhor insonorização, não somente da caixa CVT, mas também do motor – por vezes, nem se percebe bem se ele está ou não a funcionar, mesmo que estejamos já em pleno movimento. E não, não é do motor eléctrico que estamos a falar, é do conjunto formado por este e o térmico!
A versão ensaiada estava nivelada como Elegance, no que ao equipamento diz respeito. De série, ostentava “coisas” com jantes em liga leve de 15”; ar condicionado automático; comandos áudio no volante, que é em pele; faróis de nevoeiro; colunas traseiras; vidros escurecidos; sensores de luz e de chuva e “cruise control”. Por tudo isto, a factura é pouco superior aos 20 mil euros: pode parecer muito, pela diferença para o equivalente com apenas motor térmico, mas afinal é tudo uma questão de… consciência mais ou menos “verde”. E, aqui, estamos conversados: vale a pena!
CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS
Motor: Diant. transv., 4 cil. em linha, 16 v, 1.339cc, inj.indirecta/eléctrico p./corrente contínua, bateria c./acumulador de níquel hidruro metálico/19 cv/1.500 rpm/a
Potência (cv/rpm): 98/5.500
Vel. Máx. (km/h): 175
Acel. 0-100 km/h (s): 12,1
Consumos (l/100 km): 4,5
Emissões CO2 (g/km): 104
Preço (euros): 20.850

