Citroën DS4 1.6 e-HDI 110 Airdream CMP6 So Chic

“Transformer II”

Depois do DS3, o DS4 é a segunda obra de transformismo operada pela Citroën. Tal com o DS3 teve por base o C3, também o DS4 se originou no C4. Que, transformado a preceito, deu como resultado um animal de palco – e de prazer. Mesmo se, como este, tinha a caixa de velocidades pilotada, para bem dos consumos…

A Citroën tem, ao longo dos anos, utilizado, nos seus filmes publicitários, matérias transformáveis. Foi assim, por exemplo, com diversos chamarizes para o C4: ficaram na nossa memória colectiva. O que não se sabia (não, mesmo?) é que essa veia de transformista viria a ser utilizada, como “premium” dinâmico e de puro prazer, em modelos futuros. Que, hoje, são actuais e exemplo de inovação estilística, num a linguagem tão viril quanto subtil, que a Citroën quer preservar como coutada pessoal. Segunda assinatura dessa nova linguagem, o DS4 mostra tudo o que, na génese, tem de melhor: ousadia, leveza, elegância, desportividade, conceito de absoluta dinâmica.

Qualquer semelhança…
…É pura coincidência! Duas semanas depois de termos desfrutado do conforto dinâmico e bem pacífico do C4, saboreámos a coincidência de ensaiarmos o DS4, equipado exactamente com a mesma base mecânica: o motor 1.6 HDI de 110 cv, associado à caixa de velocidades pilotada. No final, ficou a dúvida, metódica: mesma? Não, tudo é diferente, do C4 para o DS4.
São, na realidade, conceitos (quase) propostos, apesar de partilharem a mesma plataforma e – pronto! Tem que ser dito! – base mecânica e de ligações ao solo. Porém, todo este recheio sofreu um apuro de raça bem visível, que começa logo com o roncar do motor. Depois, em movimento, as diferenças começam a fazer sentido – dando a entender que, de facto, nada é o mesmo, no DS4.
A começar por uma coisa, que ninguém sabe ou em que ninguém repara: com excepção do “capot” do motor e dos faróis dianteiros, nenhum outro painel é partilhado com o C4. Logo aí, uma enorme diferença – de estilo. Aliás, apesar de mais desportivo, o DS4 é mais elevado 32 mm que o C4! Tudo junto, o resultado é um carro que pretende reunir três conceitos tão diversos como os de uma berlina, um SUV e um “coupé”. O que, em termos de imagem, até consegue com distinção – apesar de ser um cinco portas, com as traseiras disfarçadas no último pilar, com o curioso senão de os respectivos vidros serem impossíveis de abrir, condicionados pelo “design” específico das mesmas. O DS4 é um automóvel belo, de linhas fluidas e tão arrojadas quanto vincadamente subtis. Além disso, é versátil e de condução elevada com o num SUV; possui um comportamento dinâmico de berlina… desportiva; e ostenta um animado perfil de “coupé”, estilo que pratica numa linha de tejadilho descendente, deslizando para uma traseira muito própria e tão dinâmica nas linhas quanto o restante. A robustez do “design” é animado pelas cavas generosas que alojam as rodas, em jantes de 17” (podem ir até às 19”), promovendo uma inequívoca certeza de que o DS4 foi feito a pensar no prazer.
Já o interior, ao contrário do exterior, é quase copiado do C4, se exceptuarmos os pequenos retoques de embelezamento e personalização, um pouco disseminados pelo total, como as inserções cromadas e a escolha do alumínio como base de trabalho (por exemplo, nos pedais e nas embaladeiras das portas).
Em estrada, o DS4 assume uma postura mais dinâmica e desportiva que o C4. O segredo deste comportamento que, sem ser desconfortável ou agressivo, é suficientemente eficaz para dele se retirar alguma confiança e mesmo prazer, está nas suspensões, que forma objecto de um trabalho de afinação e endurecimento, associado a barras estabilizadoras de maior diâmetro e amortecedores mais duros, por forma a permitir um menor rolamento da carroçaria em curva e melhor aceitar as exigências de troços mais sinuosos, cumpridos com adrenalina nas veias. Esta eficácia das ligações ao solo é correspondida pela direcção eléctrica mais informativa, que ajuda bem o DS4 a inserir-se nas curvas e a fazê-las sem grandes hesitações ou fugas de frente exageradas.
A versão por nós utilizada estava equipada com a caixa pilotada de seis velocidades, mas que, aqui no DS4, pareceu mais firme e rápida nas passagens de relação, por vezes mesmo com uma brusquidão mais “seca” e que torna a condução bem mais divertida e assertiva que no C4 com mecânica homóloga. Acreditamos, porém, que uma caixa totalmente manual “de Lineu” possa aumentar um pouco mais o prazer, por ser mais rápida e, com o engreno certo, poderá trazer a “tal” pitada de emoção que nos faltou um pouco (mas não muito… principalmente pela imagem arrojada e o estilo descomprometido e jovem do DS4) nas escassas centenas de quilómetros de fizemos ao volante.

Um “doce” de equipamento
A versão que nos calhou em mãos era a “So Chic”, no que ao equipamento diz respeito. Um doce: tinha tudo o necessário para suavizar a virilidade dinâmica do DS4, trazendo à ribalta a tradicional eficácia, no que diz respeito ao conforto de rolamento, da Citroën. De facto, apesar da atitude, nunca o conforto foi colocado em causa, mercê de um bom aproveitamento do espaço a bordo, de uma ergonomia a condizer e de um conjunto de itens, associados ao nível herdado do C4. E, enfim, aqui sim: o DS4 mostra os genes originais, no seu mais lato sentido – segurança activa e passiva, a condizer com tudo aquilo que, por tradição, a Citroën costuma oferecer aos seus clientes. Ou seja, um conjunto de soluções práticas, associadas aqui a uma qualidade acima da média e a uma criteriosa escolha, não apenas dos materiais utilizados no interior – montados de forma justa e robusta – mas também de uma personalização ambiente, onde a luminosidade se casa com uma certa ousadia de conceito, forjando um interior mais jovem e desportivo que no C4.
De série, ser… “So Chic” quer dizer ter, ali à mão de semear, entre outros mimos: ar condicionado automático; bancos do condutor e passageiros com três eixos de regulação, eléctrica e com função de massagem lombar; consola central elevada e com espaço de arrumos fechado e refrigerado; pára-brisas panorâmico; retrovisores eléctricos com desembaciador e luzes de LED; frisos dos vidros cromados; vidros traseiros e de segunda fila escurecidos; pedaleira em alumínio; sistemas ABS/ESP/ASR/FSE/AFU; sensores de chuva, de luz e de estacionamento traseiro; retrovisor interior electrocromático; volante em cabedal com inserção DS4 cromada ao centro, regulável em profundidade; quatro eixos de comandos de conforto; painel de bordo com informação digital e analógica, de cores personalizáveis; faróis de óptica dupla, com feixes de luz e assinatura, na frente e atrás, tipo “boomerang”; e jantes em liga leve específicas de 17”. No final, desembolsa quase 28.700 euros, o que, sem ser uma pechincha, não deixa de ser atractivo, para aquela clientela que ainda é jovem, ser o ser de facto – e que preza um certo hedonismo, aliado a conceitos diferentes de ver e viver a vida.

CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS
Motor: Diant. transv., 4 cil. em linha, 1560 cc, turbo-Diesel, turbo-compressor c./”intercooler”, inj.dir. múltipla “common rail”, 16 válvulas
Potência (cv/rpm): 112/3.600
Vel. Máx. (km/h): 190
Acel. 0-100 km/h (s): 11,3
Consumos (l/100 km): 4,4
Emissões CO2 (g/km): 114
Preço (euros): 28.692,79

Texto: Hélio Rodrigues
Fotos: C.Santos

Uma resposta a Citroën DS4 1.6 e-HDI 110 Airdream CMP6 So Chic

  1. [...] em especial para as pernas dos passageiros que aí viajem): basta, para isso, consultar o link http://autoandrive.com/2011/08/19/citroen-ds4-1-6-e-hdi-110-airdream-cmp6-so-chic/, onde escalpelizámos o DS4, na sua versão equipada com o motor 1.6 HDi de 110 cv. Atributos que [...]

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