As aparências iludem
Parece pequeno, mas não é. Parece frágil, mas está bem construído. Parece aquilo que não é: este o retrato imediato do Hyundai ix20. Uma boa imagem de como as aparências iludem. O AutoanDRIVE ensaiou a versão equipada com o motor 1.4 CRDi de 90 cv e deu nota positiva.
O Hyundai ix20 é, ninguém o pode negar, um monovolume compacto, sendo mesmo o mais pequeno da marca coreana. Porém, no que diz respeito a tamanho, estamos conversados: lá dentro, está-se bem e há mais espaço do que poderíamos esperar… à primeira vista. Cinco adultos podem viajar com conforto, sendo de ressalvar que, atrás, o único que “sofre” é – como habitualmente… – o do meio. Mas, no ix20, apenas porque o encosto para as costas é algo duro, já que, para as pernas, o que não falta é espaço, graças ao fundo plano e à ausência do túnel de transmissão.
À frente, o espaço também apreciável. O que, associado à boa posição de condução – o volante e o banco são reguláveis em altura e profundidade – e ao aproveitamento criterioso de todo o espaço disponível, torna este terceiro (e mais recente, depois do ix55 e do ix35) monovolume/SUV da Hyundai como uma agradável surpresa. Que vai continuar nas prestações dinâmicas, condução e equipamento.
Mas, antes, falemos ainda da bagageira, cujo volume máximo pode atingir os 440 litros com os bancos traseiros rebatidos, ao que se pode acrescentar um segundo compartimento, situado sob o piso plano, que recebe a roda suplente, mas também vários objectos ou sacos, caso seja necessário.
Motor chega para as encomendas
Saído dos estiradores dos “designers” do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Hyundai de Rüsselsheim, na Alemanha, o ix20 adopta um visual adaptado às exigências mais europeias, agradável, jovem e dinâmico. As linhas relevam amplamente a nova assinatura estética da marca – e ter o selo “fluidic sculpture” acaba por suavizar a maior altura ao solo e equilibra um conjunto musculado e robusto, que nem parece ser uma, digamos, continuidade do pequeno e urbano i20, sobre cuja plataforma foram montadas idêntica estrutura mecânica, mas um trem rolante mais eficaz, embora com base semelhantes. Ou seja, suspensão independente, tipo McPherson na frente, multi-braços atrás.
E isso acaba por ser bem perceptível na estrada. A primeira surpresa está no motor, o bloco 1.4 CRDi na versão de 90 cv. É certo que, a baixos regimes, não parece nada reflectir aquilo que, quando se carrega no pedal do lado direito, revela – uma força natural, um bom poder de recuperação que, bem associados a uma caixa de velocidades com seis relações bem escalonadas e de fácil e rápido engreno (conjunto sempre desejável, em qualquer viatura e nem sempre capaz de ser reunido…) tornam o ix20 um bom estradista. Além disso, o motor é relativamente silencioso, não trepida estupidamente quando está frio e permite consumos inferiores aos 6l/100 km, que podem mesmo aproximar-se de uns simpáticos 5l/100 km em estrada, flutuando no meio do trânsito.
Depois, em troços sinuosos, a posição de condução mais elevada não se reflecte em oscilações tenebrosas: é que o ix20 é… baixinho em relação ao solo, com os seus 30cm atrás e apenas 19cm na frente – o que, por outro lado, exige alguma atenção em algumas manobras, como subir passeios, sob pecado de danificar o cárter… Mas, tirando isso, o ix20 comporta-se com o uma berlina, calmo, eficaz, confortável e seguro.
Equipamento em grande… Style
Se o exterior surpreende, pela maior altura ao solo e curtas distâncias para a frente e atrás, resultando num equilíbrio surpreendente e agradável, já o interior pode (com excepção do espaço disponível) desiludir um pouco. Aqui, as exigências europeias parecem ter sido mais descuradas, com a opção por plásticos algo duros, um critério de escolha algo espartano e uma montagem aqui e ali descuidada, potenciadoras, a curto prazo, de ruídos parasitas – que, aliás, a unidade que ensaiámos já tinha.
Porém, tudo isto poderá ser facilmente esquecido, olhando para o equipamento disponível se série. E que, no nível Style desta versão, a tornam quase exclusiva e aproxima de propostas de segmentos superiores. Bastam, por exemplo, referir a câmara de visão traseira para auxílio ao estacionamento, em ecrã LCD de 3,5”; o tecto de abrir panorâmico; o sistema Start/Stop para poupança de combustível, reflexo da tendência BlueDrive; bancos em pele; sensores de luz e de chuva; ar condicionado automático; alarme; travões com ABS e assistência a travagens de emergência; “airbags” dianteiros, laterais e de cortina; controlo electrónico de estabilidade (ESP), assistência ao arranque em subida; rádio CD com MP3, “Bluetooth”, entrada USB e conexão Aux-in, com comandos no volante… A única opção é mesmo a pintura metalizada!
O que justifica plenamente o preço final de menos de 23 mil euros. O que, sem ser uma pechincha, o tornam um franco rival de propostas quiçá mais mundialistas de outros construtores com pergaminhos mais europeus e refinados.
CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS
Motor: Diant. transv., 4 cil. em linha, 1.396 cc, turbo-Diesel, turbo-compressor c./”intercooler”, inj.dir. “common rail”, 16 válvulas
Potência (cv/rpm): 90/4.000
Vel. Máx. (km/h): 167
Acel. 0-100 km/h (s): 14,5
Consumos (l/100 km): 4,3
Emissões CO2 (g/km): 114
Preço (euros): 22.915

