Ford Focus 1.6 TDCi 115 Titanium “First Edition”

Mais um passo em frente

A terceira geração do Ford Focus é um notável passo em frente, num modelo já icónico e que se tornou no digno sucessor do mítico Escort, em 1998. Depois dos primeiros “passos” durante a apresentação, no Algarve, o AutoanDRIVE teve a oportunidade de fazer alguns milhares de quilómetros, ainda e sempre com a versão de lançamento. E as expectativas não saíram defraudadas. Saiba porquê.

O novo Ford Focus é um dos melhores exemplos do “Kinetic Design”, a assinatura que revolucionou a imagem e a estética dos Fod do século XXI. Linhas suaves e sensuais substituiram a dureza das esquinas da anterior geração, que nem sequer os contínuos “restyling” posteriores souberam disfarçar. Mas este Focus é bem o exemplo de como, querendo, se consegue fazer do melhor que há. Em termos estéticos – e dinâmicos.

Muito competente
Se da primeira já falámos longamente aquando da referida apresentação, da segunda irmos agora falar mais um pouco, pois só agora conseguimos algo mais que simples auto-estrada ou umas voltinhas ao traçado do Autódromo Internacional do Algarve. Só agora tivemos estrada pura e dura, a “nossa” zona de testes e, claro está, trânsito e carga a bordo – família e bagagem, pois claro!
Equipado com o são motor 1.6 TDCi, na versão de 115 cv, associado a uma caixa manual de seis relações justas e de fácil engreno, o Focus mostrou-se despachado q.b., surpreendendo mesmo nos troços mais sinuosos, lá para a zona da Serra da Estrela. E porquê? Desde a primeira geração, um dos cartões de visita mais entusiasmantes no Focus era o seu chassis, entre os mais eficazes no segmento. Ora essa característica manteve-se imutável: fazendo uso da plataforma global da marca para o segmento C, o “terceiro” Focus ficou mais comprido 21 mm e com uma maior distância entre eixos, o que se reflecte no comportamento sadio e assertivo, pese embora o esquema das suspensões se tenha mantido intacto, apesar de revisto o eixo traseiro. O carro coloca-se bem nas curvas, através de uma direcção certinha e informativa e não sai em frente das mesmas, pois a motricidade está na medida exacta. Aliás, em aceleração o Focus até dá um certo gozo, pois o chassis não torce e mantém a trajectória necessária para sairmos em força, aproveitando bem todo o binário do motor. No final, ficámos a saber que a factura do combustível não sofreu com isso, pois conseguimos, em estrada, consumos sempre inferiores aos 6,6 l/100 kms., mesmo em condições de “forcing” propositado.
Rolar depressa e bem, já vimos ser possível. Mas, e quanto a conforto? Mais comprido, o novo Focus reflecte as novas cotas numa maior generosidade no que diz respeito ao espaço disponível para os cinco passageiros possíveis. Mas, se o condutor dispõe de uma posição quase irrepreensível quanto a ergonomia e capacidade de… conduzir, já os passageiros que viajarem atrás terão sempre que se debater com a tradicional estreiteza do habitáculo, podendo existir conflitos “físicos” incómodos, em especial para o “terceiro” passageiro.
Mas é só: no que diz respeito a acabamentos e qualidade dos materiais empregues, a Ford foi criteriosa – embora nem sempre o toque revele essa mesma qualidade e possa deixar um certo desencanto – e promoveu um interior alegre, prático, com boa ergonomia para todos os comandos, que se encontram aliás dispostos à boa maneira de um mostrador de telemóvel, com as facilidades daí advindas pela… habituação quotidiana ao dito cujo.
Ah! O conforto: pois é – falta ainda dizer que, a velocidades elevadas, o novo Focus revelou ser uma boa surpresa, pois o ruído do motor fica lá fora e, apesar da má qualidade geral do piso da A23, o conjunto rolante revelou-se sempre à altura das exigências, seguro e firme. Como no segmento a seguir…

Tecnologia acima da média
Mas no que o terceiro Ford Focus verdadeiramente inovou é na quantidade “obscena” de tecnologia que pode oferecer. É que, se a versão cedida para este ensaio era “apenas” a de lançamento, designada “First Edition”, ela já trazia a bordo alguns “gadgets” típicos de mundo mais, digamos, elevados.
Se não, vejamos. De série, o Focus Titanium “First Edition” (Titanium é o nível mais alto de equipamento, podendo ser “gravado” com a letrinha “X”, sinónimo de bastas outras mordomias…) traz consigo o seguinte, entre outros condimentos: faróis automáticos; faróis LED à frente e atrás; sensores de luz, chuva e de estacionamento, atrás e à frente; sistema de estacionamento automático; vidros traseiros escurecidos; jantes em liga leve de 17”; botão de arranque Ford Power; sistema Start/Stop, de economia de combustível; ar condicionado automático com controlo electrónico duplo de temperatura; computador de bordo; rádio com leitor de CD, Bluetooth e ficha USB; volante forrado a pele; chave inteligente; sistema de controlo em curva, impedindo saída inesperada da faixa de rodagem; grelha dianteira de abertura activa; sistema de ajuda a arranque em subida; controlo automático de velocidade com limitador; “airbags” frontais e laterais; sistema de detecção de deflação dos pneus; e controlo electrónico de estabilidade (ESP) com EBD.
Faltava, por exemplo, o sistema de reconhecimento dos sinais de trânsito ou o sistema anti-colisão, que impede que, a velocidades abaixo dos 20 km/h, em cidade, aconteça o toque no carro da frente. Ideal para condutores que passam o trânsito da manhã a fazer a barba ao espelho, ou a ler o jornal em cima do volante!
De resto, a versão ensaiada tinha lá (quase) tudo o que a Ford dá, naquilo que a marca definiu como a “democratização” da tecnologia. Ou seja, muita coisa, coisas apenas vistas noutros segmentos, por dinheiro à justa neste segmento: o “nosso” Focus, tal qual esteve nas nossas mãos, custava 26.710 euros. Apenas – na concorrência, não existem exemplos mais baratos, com tecnologia semelhante. Ah pois é!

CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS
Motor: Dianteiro, 4 cil., 16v, 1.560 cc, turbo de geometria variável e “intercooler”, inj. ”common rail”
Potência (cv/rpm): 115/3.600
Vel. Máx. (km/h): 193
Acel. 0-100 km/h (s): 10,9
Consumos (l/100 km): 4,2
Emissões CO2 (g/km): 109
Preço (euros): 26.710

Texto: Hélio Rodrigues
Fotos: C.Santos

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