Rugido apurado
Há carros assim, que apaixonam ao primeiro olhar. E marcam uma paixão duradoura, quase crescente, à medida que se desfrutam as suas qualidades. O Peugeot RCZ é um desses carros: a uma imagem apurada e sensual, a marca de Sochaux associou um rugido penetrante, burilou as qualidades dinâmicas e criou desportivo atractivo e intenso. Para tal, bastou-lhe aumentar em 44 os cavalos extraídos do pequeno bloco 1.6 turbo, que originalmente tinha 156 cv. Agora com um número redondo, o RCZ torna-se mágico e insubstituível.
O AutoanDRIVE já tinha, há alguns meses, ensaiado o Peugeot RCZ, na sua versão 1.6 THP com os tais 156 cv (http://autoandrive.com/2010/08/21/peugeot-rcz-1-6-thp-156-cv/). Nessa altura, apreciou sobremaneira a estética ousada e única das suas linhas quase inesperadas e a qualidade do seu interior. O carácter hedonista foi bem explicado, na sua presença musculada e vibrante; o egoísmo que lhe assiste, garantido pelo espaço apenas ideal para duas pessoas. Ficou, também, expressa a água na boca pela versão mais poderosa, com 200 cv. Foi com ela que, agora, extraímos um pouco mais alma leonina do Peugeot RCZ. E percebemos como um felino pode rugir bem alto, se espicaçado a preceito.
Curvas para que vos quero!
O Peugeot RCZ 1.6 THP 200 cv é um devorador. Por natureza. As pulsações elevam-se de forma cálida e rápida, ao sabor da velocidade crescente e do rugir metálico e vibrante do motor, que possui aquilo que a marca chama de Sound System – uma sonoridade específica e estridente, integrada e exclusiva do bloco mais apimentado. É quase como passar da noite para o dia: rodada a chave na ignição, o motor limita-se a ronronar, de tal forma Suva que, por vezes, até aprece que está adormecido. Porém, espicaçado depressa e bem, com o ponteiro do conta-rotações a passar as 4.500, o leãozinho transforma-se. Num leão adulto. Literalmente: o rugir metálico é potente, exige e desafia.
Aceitamos: embalámos por uma caixa de seis velocidades bem escalonadas, atiramo-nos para as curvas, serra acima. Sabemos, do “outro” RCZ com 156 cv, que o chassis é são, equilibrado. Queremos perceber o que mudou: o trem traseiro agarra-se bem à estrada – na verdade, o “aileron” nele incorporado, que levanta 19º a mais de 85 km/h, a 34º a mais de 155, voltando ao 19º quando a velocidade baixa aos 145, e fechando dos 55 km/h para baixo, podendo ser também comandado por um botão situado na consola central, está lá para mais que ficar bem nas fotografias… dinâmicas – ; a frente abre um bocado e, por vezes, torna-se algo imprecisa: mas é apenas uma primeira impressão, talvez derivada do facto de não existir autoblocante.
Habituados, o leão mostra a sua raça, quase bravura: a suspensão merecia ser talvez um pouco mais dura, ou seca, pois o RCZ fica “quase” confortável, o que pode desagradar aos mais puristas do prazer de conduzir de forma mais desportiva. Por outro lado, a alavanca da caixa de velocidades, ligeiramente mais curta que na versão memos poderosa, hesita em alguma situações, nem sempre acompanhando o escalar do motor. É preciso alguma paciência… e acreditar! Bem agarrados ao volante de pequenas dimensões, de boa pega e diâmetro exacto; bem encostados aos bancos, em que o apoio lombar e para as pernas é quase de uma “bacquet”, mantendo o corpo do condutor sem oscilações, vamos ajudando o leão a rugir, encosta acima, devorando as curvas sucessivas que surgem ao virar de cada… recta.
Um prazer que se completa, ao imaginarmos que estamos a flirtar com um carro que remete a sensações únicas, aveludadas, sensuais. Cada curva da estrada une-se em sintonia prefeita com cada curva do RCZ – e elas são muitas. Em qualquer dos sítios. É quase como estar com a deusa inacessível que sempre desejamos: uma ode ao prazer, feito de sensações feéricas e, quase todas elas, dinâmicas.
No final, paramos e entregamo-nos a outras cogitações mais frias e também necessárias: quanto gastou o RVZ, calibrado para 200 cv e pressionado a uma condução, digamos, mais animada? Aqui, uma surpresa inesperada: curiosamente, a gulodice não chegou ao 10 l/100 km. Outro caso para dizer: corpinho Danone, ou escultura Special K? Sejamos salomónicos: ambos!
E quanto custa este diabinho no corpo de uma mulher firme e de curvas tão bem desenhadas? Pois é: um pouco mais de 36 mil euros, bastante antes dos seus rivais, de uma forma geral alemães e respirando a fria tundra de um “design” inóspito, pouco ousado e já desgastado pelo tempo. Não dizemos nomes, mas sempre acrescentamos que “os outros” são mais caros… um bocadinho assim! Pronto: temos dito!
Ah! Antes de dizermos adeus e desaparecermos depois daquela curva, tejadilho de vidro em forma de coração a faiscar ao sol do meio-dia, sempre vos dizemos que o “nosso” RCZ tinha jantes especiais de 18” (200 euros) e o Pack Easy Motion (505 euros) – composto pelo acendimento automático dos faróis e “follow me home”; limpa-vidros dianteiro automático com sensor de chuva; retrovisores exteriores indexadas à marcha-atrás; sensores de estacionamento dianteiro e traseiro – como ingredientes pagos à-parte. Agora, é só fazer as contas, mas depressa percebe que vale a pena arriscar. Pelo menos, tem a certeza de ter um carro desejado pelos outros, que é só seu e, consigo, faz toda a diferença.
CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS
Motor: Diant. transv., 4 cil., 16 v, duas árvores de cames à cabeça, distribuição variável, 1.598 cc, inj.directa, turbo-compressor c/”intercooler”
Potência (cv/rpm): 200/5.500
Vel. Máx. (km/h): 237
Acel. 0-100 km/h (s): 7,5
Consumos (l/100 km): 6,9
Emissões CO2 (g/km): 159
Preço (euros): 35.865 (versão ensaiada: 36.570)


esse carro e de mais tenho um desse e muito massa batalhei minha vda toda mas concegui tou com meu carrão na minha garagem
Eu tenho um foi o presente dos meus pais quando fiz 19. É de abril de 2011 e é de 200 cv. É espectacular, toda a gente fica a olhar quer seja novo ou velho.