Ford C-MAX 1.6 TDCi 115 cv Titanium

Relações de sucesso

O Ford C-MAX, oito anos depois do seu lançamento, foi objecto de uma renovação completa. Agora, está mais próximo do ideário de um monovolume versátil, espaçoso e racional. Pode não ser uma relação fácil e evidente, firme o suficiente para enfrentar os seus rivais no segmento, mas o seu sucesso está garantido.

O Ford C-MAX evidencia agora argumentos de topo. O suficiente para, pela primeira vez, um monovolume conquistar o galardão mais cobiçado do panorama automóvel em Portugal: o Troféu carro do Ano/Volante de Cristal, chancelado por duas das mais importantes publicações especializadas nacionais, as revistas AutoSport e Volante. E, olhando para a ementa que a sua carroçaria mais envolvente e cativante esconde, percebe-se bem porquê. Tudo está ali, capaz e pronto para uma relação de sucesso.

Formas equilibradas e modernas
O Ford C-MAX, cuja versão de cinco lugares ensaiamos, apresenta-se como um lídimo representante da filosofia fordiana do Ford kinetic Design. As suas formas são bojudas e não mais angulosas e antiquadas, como as dis anterior C-Max – que, convenhamos, nunca se assumiu como um portento na arte de desenhar carroçarias…
Este, pelo contrário, é bastante imaginativo e evidencia uma personalidade forte: à frente forte mas elegante, pontuada pela enorme grelha trapezoidal e os grupos ópticos rasgados, une-se uma linha de cintura ascendente, que se casa na perfeição com o traço oposto do tejadilho, a descer com suavidade até desembocar numa traseira de contornos quase femininos. O resultado é um conjunto estético robusto, mas ao mesmo tempo fino e subtil, bem longe daquele que representava o anterior C-MAX.
O mesmo teor pode ser adicionado às considerações sobre o interior: moderno, simétrico, acolhedor, voltado para a actividade do condutor, mas também para o conforto dos passageiros, que podem ser cinco, é certo, mas em que o ideal mesmo seriam… quatro. O habitual dilema e conflito de transportar três adultos lado a lado, num espaço incapaz de anular os conflitos laterais entre todos… Uma pena, pois para as pernas as medidas são mais que suficientes, sem entrar em contacto com as costas dos bancos dianteiros. Seja como for, tirando isso, o habitáculo forma um conjunto confortável, com bons apoios nos bancos, tanto lombar como para as pernas (à frente), boa posição de condução e boa ergonomia geral dos comandos e dos mostradores, bem posicionados e com fácil leitura, mesmo nocturna. Esteticamente, a consola central e o painel de instrumentos foi modernizado, com a Ford a optar pela disposição tipo painel de telemóvel dos controlos principais, numa solução inteligente e a sugerir uma lógica de uso diário.
No interior, os materiais escolhidos mantém uma boa justeza de montagem embora por vezes pareçam existir grandes planos de plástico… a mais. Porém, sem ser agressivo ao tacto e suave ao olhar mais atento, permite sugerir um conjunto de qualidade global dentro da média do segmento.
A luminosidade é boa, mesmo sem o acrescentar evidente do tecto panorâmico, que permite horizontes alargados e uma leveza de formas bem evidente: afinal, há que juntar num conjunto homogéneo aquilo que se vê, por forma, e o que se sente, por dentro. E, nisso, a Ford foi bem feliz com o renovado C-MAX.
Finalmente, a versatilidade, algo sempre em escrutínio num monovolume. A marca apresenta uma solução fácil e lógica para a transformação do C-MAX de “autocarro de passageiros” em “carrinha comercial”. O sistema chama-se FFF (Ford Fold Flat) e permite, com facilidade e rapidamente, transformar o interior: os bancos traseiros rebatem na totalidade, permitindo uma superfície de carga com fundo plano. Na configuração de dois lugares, a capacidade de transporte de carga passa dos 471 para os 1723 litros, num compartimento com o máximo comprimento de 1,706 metros! Por isso, se tem bicicletas ou pranchas de “surf” para transportar, esteja à vontade: com o C-MAX poderá fazê-lo sem grandes dificuldades.

Uma dinâmica interessante
A base do novo Ford C-MAX manteve-se inalterada, tendo como trem rolante o chassis do Focus. E só isso é garante de uma dinâmica cuidada e, até, surpreendente. Equipado com a versão mais poderosa do motor TDCi de 1,6 litros, com 115 cv, o C-MAX não acusa nas prestações a mais elevada volumetria da sua carroçaria, nomeadamente quando se exige um ritmo mais alegre em troços mais complicados. A carroçaria não adorna sofregamente, as trajectórias são sólidas e firmes, graças não apenas a uma direcção bastante informativa e exacta, como também às restantes ligações ao solo e, principalmente, às vias mais largas. Sem ser tão confortável como os seus rivais gauleses, o C-MAX não enjeita a raça mais vigorosa simbolizada pela oval azul e isso percebe-se bem nas prestações.
O bloco de 115 cv está associado a uma caixa manual de seis velocidades, onde infelizmente as relações parecem estar algo desajustadas da realidade: onde se deveria dar primazia ao consumo, o privilégio vai para as prestações puras, e vice-versa. Talvez seja isso que justifica o consumo médio apenas ligeiramente inferior aos sete litros por cada centena de quilómetros percorrida – bem distante dos 4,6 assumidos pela Ford. Em auto-estrada, a velocidades de cruzeiro constantes, na ordem dos 140/150 km/h, esse consumo facilmente dispara para cima dos 7,5 litros, numa unidade que apenas a descer ultrapassa fasquia dos 190 km/h de velocidade máxima (em conta-quilómetros).
Mesmo assim, nada que estrague a dinâmica do conjunto, bastante eficaz e quase entusiasmante – desde que o motor passe as 1.700/1.800 rpm, abaixo das quais mal existe… Outro dado interessante e muito positivo é a insonorização do habitáculo, quase perfeita: o motor TDCi continua a ser algo barulhento, mas isso não passa para dentro do carro e, por isso, promove um conforto de rolamento acima de qualquer suspeita.
Seja como for, todas as características atrás descritas formam um ramalhete de qualidades, um todo capaz de decidir positivo na hora da escolha, balizada ainda por cima pelo nível Titanium do equipamento, bastante atraente e completo. E quando, na hora de abrir os cordões à bolsa, se perceber que o conjunto, sem opcionais, custa menos de 30 mil euros, chave na mão, então é preciso também perceber que há monovolumes capazes para lá dos franceses… Afinal, não terá sido por acaso que o Ford C-MAX foi vencedor em Portugal do prémio mais apetitoso do ano, bem como de alguns outros galardões internacionais.

CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS
Motor: Dianteiro, 4 cil., 16v, 1.560 cc, turbo de geometria variável e “intercooler”, inj. ”common rail”
Potência (cv/rpm): 115/3.600
Vel. Máx. (km/h): 184
Acel. 0-100 km/h (s): 11,3
Consumos (l/100 km): 4,6
Emissões CO2 (g/km): 119
Preço (euros): 29.250

Texto: Hélio Rodrigues
Fotos: C.Santos

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