Suzuki SX4 1.5 VVT 112 cv GL Outdoor Line

Abrir o apetite

Resultado de uma antiga parceria com o Grupo Fiat, o Suzuki SX4 surgiu em 2006, na altura como uma tendência mais europeia e com o objectivo de substituir o Liana. Ao longo dos anos, foi recebendo, aqui e ali, melhorias estéticas, nunca perdendo o aspecto jovial e uma certa irrequietude visual. Desde sempre assumido pela Suzuki como um produto mesmo seu, agora é tempo da marca nipónica oferecer ao modelo novos motores, alargando a oferta a uma leque maior de interessados. Escolhemos, parta abrir o apetite, a versão com o motor 1.5 VVT a gasolina.

O Suzuki SX4 continua a surgir como uma mistura de SUV com um “hatchback” médio. Compacto mas versátil, reflecte com lisura a preocupação de uma franja dos automobilistas, quando necessitam de espaço mas, também, de alguma defesa contra as armadilhas urbanas. E, com os seus pneus de perfil mais elevado, uma carroçaria mais agressiva e uma maior altura ao solo, o SX4 traz consigo os argumentos suficientes.

Espaço e imagem própria
Pessoalmente, nunca gostamos da estética do Suzuki SX4 – mas, repetimo-lo, até à exaustão se preciso for e para que fique bem claro, esta é uma reflexão pessoal. Afinal, os “designers” e os artistas bem sabem que não se pode agradar a gregos e a troianos. E, claro está, assumimos, sem complexos, que o SX4 possui o seu clube de fãs – até porque tem uma personalidade própria e condimentos que o tornam atractivo.
Dando de barato que as suas formas muito pessoais, caracterizadas pela frente curta e mergulhante, pontuada pela grelha em rede e limitada pelo pára-choques envolvente e pelos conjuntos ópticos sorridentes, transformam o Suzuki SX4 num carro simpático, aquilo que se retém é a sua grande superfície vidrada. É ela que dá uma luminosidade firme ao habitáculo, caracterizado por um espaço que pode surpreender, em especial nos lugares traseiros, excelentes para dois passageiros, mas em que um terceiro elemento fica algo apertado pela largura do SX4.
E por falar em habitáculo, este ostenta plásticos de bom toque, pouco susceptíveis a ruídos parasitas, o que abona a favor da preocupação com a sua montagem. O mesmo não se poderá dizer de alguns outros componentes, menos aperfeiçoados, como a tampa do porta-luvas, cujas uniões com o resto do painel dianteiro não são as mais eficazes.
Uma crítica também à colocação do pilar A, que retira alguma visibilidade nas curvas para a esquerda, apesar de ser dividido em dois, com a inclusão de um pequeno vidro triangular inferior… mas insuficiente para que não tenhamos que “espreitar” em manobras mais complicadas ou, até, nas rotundas…
No resto, de assinalar que a ergonomia dos comandos é a clássica, tal como, de uma forma geral, o “design” dos mesmos não traz rasgos de génio, sendo acima de tudo práticos e eficazes. Menos eficazes, pelo menos em apoio para as pernas, são os bancos dianteiros, algo duros e desconfortáveis. Mas, enfim, pelo preço não se pode pedir caviar, quando um “paté” da quinta é mais que suficiente… E esse “paté” tem-no o SX4 à discrição.

Mais dinâmico
A Suzuki introduziu agora no SX4 um novo motor a gasolina. Com 112 cv, tem uma disponibilidade maior, em especial acima das 2.000 rpm. Na verdade, este motor consegue ser interessante, a elevadas rotações, projectando o SX4 numa toada alegre e descomprometida, onde a surpresa é tanto maior quanto o ruído que entra para o habitáculo é algo contido. Por outro lado, as suas prestações são em muito ajudadas pela caixa de cinco velocidades, exacta e dura, sem ser barulhenta no engreno e com as relações correctas.
Complementado pelas tradicionais ligações ao solo, onde o eixo traseiro de torção peca por algum desconforto, o SX4 1.5 VVT é agradável de conduzir, com um comportamento bastante neutro, apesar da maior altura ao solo, nunca se afastando muito daquele que um verdadeiro “hatchback” produz. E, na hora de ir à bomba, verifica-se que, embora cerca de um litro acima dos anunciados 6,1 l/100 km, o SX4 não é aquele animal guloso que receávamos ser.
A Suzuki propõe o SX4 1.5 VVT num único nível de equipamento, o GL Outdoor Line, por 17 mil euros. Funcionando como entrada de gama, este preço inclui, de série, “airbags” para condutor e passageiro, ar condicionado, sistema de travagem com ABS e EBD, vidros eléctricos à frente e escurecidos atrás, jantes específicas de 16” em liga leve e um “kit” aerodinâmico, composto por embelezadores em plástico escuro, laterais, nas embaladeiras e nas abas das cavas das rodas, um curto “spoiler” montado sobre a tampa da bagageira e protecções inferiores do fundo à frente e atrás, agilizando a imagem global do SX4 e promovendo uma contudo escassa apetência para estradas de terra batida e sem grandes obstáculos. Pelo menos, nesta versão com tracção dianteira, a única agora existente no mercado nacional…

CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS
Motor: Diant., 4 cil., 16v, 1.490 cc, injecção multiponto
Potência (cv/rpm): 112/6.000
Vel. Máx. (km/h): 180
Acel. 0-100 km/h (s): 11
Consumos (l/100 km): 6,1
Emissões CO2 (g/km): 139
Preço (euros): 17.000

Texto: Hélio Rodrigues
Fotos: C. Santos

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