Renault Laguna Break 1.5 dCi 110 FAP Black Line

Combater a crise

Todas as gamas têm uma entrada. Aqui, importa conjugar valores como economia, segurança, eficácia, espaço e conforto, num todo acessível às bolsas mais penalizadas pela Troika. A Renault propõe, na gama Laguna, uma versão não desdenhável, por um valor apetecível: a Break 1.5 dCi 110 FAP Black Line.

Mais interessante esteticamente e mais fresca no visual, a gama Laguna tem na Break o seu principal cartão-de-visita. Isso é indiscutível: ainda para mais, na versão designada por Black Line, onde uma máscara negra em redor dos faróis faz a diferença exterior, dando-lhe um ligeiro toque de desportividade e irreverência contida. Mais, seria… demais: há que preservar valores como estabilidade emocional, conjugando-a com um painel de equipamento a condizer. E quando tudo existe, há que dar-lhe uma pincelada final: um preço atraente e competitivo. Foi isso mesmo que a marca fez, praticando um caderno de encargos muito específico, na Laguna Break 1.5 dCi 110 FAP Black Line.

Eficaz e confortável
A Renault Laguna Break 110 FAP Black Line utiliza o esforçado bloco de quatro cilindros e 1.461 cc, na sua declinação mais potente, 110 cavalos. Um valor suficiente para fazer deslizar a massa de quase 1,5 toneladas, sem comprometer a agradabilidade de rolamento e uma certa “performance”. Claro está que tudo se passa com uma desarmante suavidade, sem recuperações fulgurantes – mas também não é isso que o cliente-tipo desta versão necessita. E, muito menos, exige.
Exige, isso sim, que exista disponibilidade suficiente para viagens calmas, a um ritmo levemente acima do pacato, com pouco recurso à caixa de velocidades – que, com seis relações, bem equilibradas num são compromisso economia/eficácia, surge como bem adaptada às necessidades, promovendo ao mesmo tempo consumos agradáveis e alguma alegria na estrada.
Do chassis da Laguna Break, já se sabe que é seguro e eficaz; as ligações ao solo, tradicionais, permitem viagens dentro de um seguro conforto, mesmo em troços mais exigentes, onde a única pecha está em alguma dificuldade do trem dianteiro acompanhar o bom traço do traseiro, por causa de uma direcção demasiado sensível e pouco informativa. Aliás, este é o único reparo a fazer sobre as capacidades dinâmicas da Laguna Break equipada com este motor. No resto, mostra-se competente, em qualquer situação, sempre agradável de utilizar e sem penalizar os consumos, caso se queira abusar – sobem da casa dos 6,5 para os 7,5 l/100 kms. E, em auto-estrada, em velocidades de cruzeiro perto do limite, esses valores podem ascender aos 9 litros – o que tem que se considerar justo para o “abuso”, baixando depois para números mais consentâneos com o estado da economia em que vivemos, num rolamento descontraído e afável.
A Renault decidiu fomentar a oferta, no que ao equipamento diz respeito, nesta versão de entrada de gama. Para isso, criou a designação Black Line, integrando no caderno de encargos respectivo, de série, itens como seis “airbags” (frontais, laterais e de cortina); ar condicionado bi-zonal; controlo de estabilidade, ABS/EBD; “cruise control”; estofos revestidos parcialmente em pele sintética; faróis de nevoeiro; rádio com leitor de CD e MP3; sensores de luz, chuva e estacionamento traseiro; sistema de navegação integrado Carminat by TomTom e travão de mão eléctrico. A versão ensaiada pelo AutoanDRIVE possuía ainda, em opcional, o Pack Luxe (retrovisores com regulação e rebatimento eléctricos e desembaciamento; cartão Renault “mãos livres”), 510 euros; sensores dianteiros de estacionamento, 260 euros; jantes em liga leve de 17”, 330 euros (em vez das de série, com 16”) e pintura metalizada, 450 euros.
No final, por um valor bastante competitivo, fica-se dono e senhor de uma das carrinhas mais elegantes do segmento, com ar desportivo e ligeiro, confortável, segura e com espaço e ergonomia interior a condizer. Pena que o rigor da montagem tenha sido menos acurada aqui e ali; e que, no que diz respeito a espaços de conveniência, sejam poucos os que se encontram no habitáculo. Em contrapartida, possui um bom volume de bagageira, ainda por cima de fácil acesso, graças ao plano de carga mais baixo.

CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS
Motor: Diant., 4 cil., 1461 cc, turbo-Diesel de geometria variável, inj.directa c./ common rail e intercooler
Potência (cv/rpm): 110/4000
Vel. Máx. (km/h): 188
Acel. 0-100 km/h (s): 12,1
Consumos (l/100 km): 4,7
Emissões CO2 (g/km): 123
Preço (euros): 33.200

Texto: Hélio Rodrigues
Fotos: C.Santos

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