A escolha é sua!
Diesel ou gasolina? Esta é muitas vezes a questão: perante carros iguais, qual escolher? Para nós, não há dúvida: no caso do Nissan Juke, preferiríamos o 1.5 dCi, em alternativa ao 1.6i. Saiba porquê. Mas sempre adiantamos: esta é a nossa opinião.
Sobre o Nissan Juke, a sua imagem diferente e única, a sua presença musculada, já falámos (http://autoandrive.com/2011/03/19/nissan-juke-1-5-dci-110-tekna-sport/). Dissemos da forma como não passa despercebido; dissemos da quase exclusividade do seu “design”, poderoso, viril – e, ao mesmo tempo, quase delicado. Falámos também sobre o espaço, equivalente ao de um Renault Clio – sobre cuja plataforma aliás, foi concebido. O seu equipamento, bastante completo, foi igualmente alvo de algumas palavras e considerações.
Bem como sobre a robustez da sua construção e a qualidade dos acabamentos, alguns furos acima da média no segmento (que segmento? Ou será apenas um nicho, agora descoberto, ou inventado, pela Nissan – os pequenos e compactos ”crossover” desportivos?).
Rasgo genial, o Nissan Juke não rola incógnito: conceito muito especial, apenas provoca duas sensações – ou se ama, ou se detesta. Não querendo escolher declaradamente nenhuma delas, sempre vamos adiantando que o Juke é como… a Coca-Cola: primeiro, estranha-se; depois, entranha-se. Isto, seja a versão com motor turbo-Diesel, ou a com o bloco 1.6i a gasolina. Depois do primeiro, ensaiámos agora este. O resultado segue dentro de… um subtítulo.
Alma barulhenta
Com o comando à distância, destranquemos as portas; abramos a da frente (tem cinco, as duas traseiras bem disfarçadas, num dos vários rasgos estéticos que o Juke apresenta); sentemo-nos no banco dianteiro, suficientemente envolvente, suficientemente duro, suficientemente confortável e com suficiente apoio. Enfim, se não quisermos deter-nos, uma vez mais, a olhar a ergonomia que nos rodeia e a qualidade do que está à nossa volta, bem como a estranha consola central, metálica, da mesma cor da carroçaria e claramente inspirada no quadro e depósito de gasolina de uma motocicleta, insiramos a chave na ignição e rodemo-la: o resultado é o típico ruído de um motor a gasolina, sem corpulência e abafado.
Primeira engrenada e… eis-nos na estrada. É aqui que começam a surgir as comparações com o Juke 1.5 dCi – é inevitável. Tal como este, o 1.6i tem três tipos de ADN, nas suas veias – ou seja, modos de condução, que alteram, principalmente, a incidência do acelerador, promovendo diferentes consumos: Normal, ECO e Sport. Estes dois últimos são opostos; enquanto o primeiro significa uma forma mais económica de viajar, incluindo o ar condicionado mais fraco e menos activos, o segundo quer dizer que o Juke ganha uma nova alma. Aliás, esta é a única forma, quase, de se ter realmente prazer, mesmo que este motor a gasolina, apesard e ter mais sete cavalos que o dCi (117, contra 100), apresente uma maior faixa de utilização. Na realidade, apenas tem vivacidade em rotações mais elevadas; no resto, é uma paz de alma, calmo, sossegado. Dois senãos: gasta que se farta, em especial se acelerarmos e é ruidoso, quase incomodativo, principalmente em rotações elevadas.
Em qualquer dos três modos de condução, o Juke leva o seu tempo a atingir velocidades de cruzeiro na ordem dos 160/165 km/h; porém, lá chegados, resulta fácil lá continuar, embora no modo “ECO” as recuperações sejam algo penosas, talvez também porque a caixa de velocidades somente possui cinco relações. E aqui chegamos a outro quiproquó: a caixa é muito dura, ruidosa e pouco precisa em condução rápida.
Mas, já agora que estamos a falar de condução rápida, aqui – e saindo da auto-estrada, optando por um percurso interessante que conhecemos, ali para os lados do Montejunto – o Juke é um ás. A sua curta distância entre eixos, aliada a uma suspensão bem firme e a uma direcção precisa q.b. – embora haja alguma tendência natural e sair de frente em curvas mais apertadas – permite retirar um grande gozo da sua condução, em ritmo mais assertivo.
Pena, de facto, a pouca colaboração da caixa de velocidades, que por vezes nos deixa com a alavanca “na mão”… e ambas no volante, procurando a trajectória mais airosa, em situações em que o chassis deveria estar mais agarrado à estrada e, de repente, ficou, isso sim, mais livre.
Dito tudo isto, se tivéssemos que escolher, agarraríamos a chave do 1.5 dCi – tal como o 1.6i, anda bem “lá em cima”; tal como o 1.6i, tem um motor ruidoso, embora menos; tal como o 1.6i, é guloso. Mas, atenção – enquanto um depósito do 1.6i dá para cerca de 400 quilómetros, um do dCi dá para bastante mais. E, com os preços do gasóleo (ainda) inferior ao da gasolina, se calhar (ainda) compensa a escolha. Na verdade, nunca conseguimos descer dos 8,5 l/100 km, conduzindo no modo “Sport”, fasquia que baixava para cerca de dois litros menos, no modo “ECO” – inferior a estes registos, não conseguimos fazer. E, quando conduzimos em modo “ECO”, fizémo-lo de verdade, quase parecendo um pacato condutor de domingo…
Repito: esta é a minha opinião. Mas, como o Juke é um carro que apela mais à emoção que à razão, então a sua escolha poderá ser diferente: o 1.6i é mais emocional em estradas sinuosas, pois aquilo em que sobe no barulho do motor, sobe também em agilidade; e se não se importar com o humor da caixa, durante as passagens de velocidade, então tem um bom “cocktail” para se divertir. Mas, no final da tal estradinha de montanha, tenha em atenção o ponteiro do indicador de combustível – e vai perceber uma das razões da nossa escolha. Mesmo se a versão turbo-Diesel custa mais 3.300 euros (23.500 contra 20.200, nível de equipamento Tekna Sport), diferencial dificilmente compensável na vida útil do modelo.
CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS
Motor: Diant. transv., 4 cil. em linha, 1.598 cc, inj.directa multi-ponto, 16 válvulas
Potência (cv/rpm): 117/6.000
Vel. Máx. (km/h): 178
Acel. 0-100 km/h (s): 11,1
Consumos (l/100 km): 6,0
Emissões CO2 (g/km): 138
Preço (euros): 20.200 (base: 18.350, nível Visia)


Entre um Nissan Juke 1.6 e um Honda Civic 1.4 elegance qual escolheriam?