Pequenas subtilezas
A nova geração do Renault Laguna parece quase igual à anterior. No entanto, olhando bem, vêem-se aqui e além pequenas diferenças. Subtilezas de caracterização que a tornam mais desportiva e jovem. No entanto, aquilo que a torna diferente é mesmo o recheio, tecnológico e de equipamento, que a marca entendeu assumir com estandarte, no caminho para a democratização quase Premium da gama.
Olhe-se por onde se olhar, apenas uma sensação de maior vigor e músculo, emanada principalmente pelas jantes negras e pelo fundo antracite dos faróis redesenhados, dão a ideia de que estamos perante um novo Renault Laguna. E é verdade, é apenas uma questão de sensação, a certeza de que houve qualquer coisa que mudou na gama (quase) de topo na oferta da marca do losango: além do já referido, apenas a grelha se encontrou com o traço de desenhador, que a tornou mais envolvente e, em consequência, mais desportiva. Mas é o que chega: de frente ou de perfil, o Renault Laguna ficou mais agressivo, com uma aparência mais dinâmica e poderosa. Lá atrás, não vale a pena procurar, que não existem alterações em relação ao que a anterior geração já trazia.
No interior, também nada de novo a acrescentar, a não ser – e este é um pormenor que não deve ser menosprezado – um incremento na qualidade de construção e, no computador de bordo, novas informações sobre o funcionamento do automóvel – mas, isso, só se descobre depois de procurarmos…
Baseado no nível Dynamique S, há que assinalar que, de série, o Laguna vem agora com sistema de navegação integrado Carminat by TomTom, com novas funcionalidades, entre as quais alertas para radares de velocidade; ar condicionado automático bi-zonal com reciclagem automática por sensor de toxicidade; rádio CD MP3 3D Sound by Arkamis com dupla antena, ligação Bluetooth e oito colunas; e ainda diversas ajudas à condução, nomeadamente o limitador-regulador de velocidade, o travão de parqueamento automático, sensores de estacionamento atrás e na frente, sensores de luz e de chuva, faróis bi-xénon direccionais, sistemas de controlo da pressão dos pneus, anti-patinagem (ASR) e de controlo de estabilidade (ESP).
Na verdade, como opcional a versão ensaiada possuía apenas um Pack Couro, integrando estofos em couro carbono escuro (1000 euros), com aquecimento e memória nos dianteiros (480 euros) e jantes em liga leve de 18” Interlagos (330 euros), aumentando a factura final para pouco mais de 41.500 euros.
Viva a direcção às quatro rodas!
Proposto agora somente com motores turbo-Diesel, o AutoanDRIVE ensaiou, nos caminhos tortuosos da Serra da Estrela, a versão Break do novo Renault Laguna, equipada com o bem conhecido bloco 2.0 dCi, declinado na dose de potência mais suave, 150 cv. Com provas mais que dadas, este motor não deslustra nas performances, mostrando-se suficiente para as longas viagens como a que fizemos – há que dizer da existência de uma versão do mesmo motor, com mais 25 cv, de que já falámos noutra ocasião – e com uma sofreguidão quase de acordo com a crise em que vivemos: ou seja, uma sede aceitável que, sem ser desmesurada, fica contudo algo longe dos 5,2 l/100 km anunciados pela marca.
Porém, o que mais interessava na questão era, não o motor, mas sim a existência nesta versão do sistema 4control, que permite direccionabilidade às quatro rodas, mediante a permissão de, seja em manobras lentas, de parqueamento ou em estrada, a qualquer velocidade, as rodas traseiras ajudarem no controlo direccional do veículo. Dito de outra forma, com o sistema 4control, o Renault Laguna Break ficou mais amigo… das trajectórias. Vivêmo-lo e gozámo-lo nas curvas fechadas, em sequência, das estradas do lado sul da Estrela, onde forçar na saída das curvas permitiu perceber até que ponto a ajuda das rodas traseiras direccionais era importante.
Sem fugir de frente, ser assertivo com o volante – a direcção eléctrica é informativa e bastante precisa – permite retirar um prazer da condução que a volumetria, em especial o comprimento da carroçaria, dificilmente deixaria imaginar. Por vezes, relembrámos o gozo dos carros de tracção traseira do passado, embora sem as consequentes e vistosas derrapagens controladas – num tempo em que as ajudas à condução se limitavam a um par (ou mais…) de mãos e um bom jogo de cintura, perdão!, de pés… Outros tempos.
Estranhamente, não conseguimos retirar o mesmo prazer e a mesma precisão de controlo nas longas curvas em auto-estrada, a velocidade acima do permitido por lei e em especial quando a qualidade d o piso deixava a desejar. Aí, fica a ideia de que a suspensão tem uma taragem algo “flutuante”, ou então é a direcção que se torna mais sensível perante a agressividade do asfalto desigual. Talvez uma maior firmeza de amortecimento resolvesse o assunto… ou então isso seria da peça por trás do volante! Mas o facto é que, sem irregularidades, a Laguna Break manteve uma atitude imperturbável nas porções, infelizmente raras, em que a A23 se aproxima de uma mesa de bilhar. Seja como for, e em jeito de conclusão, viva o 4control, viva!
CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS
Motor: Diant. transv., turbo-Diesel, 4 cil., duas árvores cames à cabeça, 1995 cc, turbo-compressor de geometria variável, inj.directa múltipla c./ common rail e intercooler
Potência (cv/rpm): 150/4.000
Vel. Máx. (km/h): 210
Acel. 0-100 km/h (s): 9,7
Consumos (l/100 km): 5,2
Emissões CO2 (g/km): 136
Preço (euros): 39.850

