Nissan Juke 1.5 dCi 110 4×2 Tekna Sport

Acção!

O Nissan Juke tem cara de poucos amigos. Possante de imagem, parece um animal de emboscada, pronto a arremeter. Ou, então, prestes a entrar em acção. E, aqui, não desilude, apesar de merecer um coração mais atlético. Mas, afinal, a versão equipada com o motor 1.5 dCi de 110 cv, não é mais que um aperitivo. Saboroso, como é evidente!

O Juke é um dos exercícios de estilo mais brilhantes da Nissan. Surpreendente. Arrojado. Único. As suas linhas não conseguem deixar ninguém indiferente. E se, de frente, a assinatura da família Nissan está lá, bem evidente na grelha a toda a largura, é somente este o traço de união com a marca japonesa. O logótipo em evidência no centro da rede negra da grelha garante estarmos em presença de um Nissan, é certo. Porém, depressa percebemos que este é um Nissan de rotura, talvez não muito consensual. O volume da frente instila poder e, até, uma sedução malévola: a colocação dos faróis, pequenos e redondos, por baixo da grelha, adoçam ligeiramente o conjunto. Mais abaixo, a sob a chapa de matrícula, uma segunda grelha a imitar carbono integra dois ainda mais pequenos faróis de nevoeiro e três ventiladores redondos, prolongando-se para as cavas das rodas dianteiras, inspirando poder e força. Força que, também, se encontra evidente no “capot”, delimitado superiormente pelos indicadores de mudança de direcção, em plástico branco e oblongos, mostrando o caminho para a ampla superfície vidrada do pára-brisas, a maior de todo o veículo.
Visto de trás, o Nissan Juke parece um felino sentado nos quartos traseiros, à espera. A imagem é poderosa, com os ombros largos definidos pelos grupos ópticos truncados, tipo “boomerang”, propondo acção imediata. Embora menos elaborada, a traseira do Juke é a parte mais sedutora do exercício de estilo que é o pequeno “crossover”desportivo  da Nissan – uma designação que, embora alguns considerem duvidosa, tem a sua razão de ser escudada no estilo apelativo, jovem e animado, do exterior e, conforme veremos mais adiante, nas características dinâmicas.

Interior algo acanhado
O perfil “coupé” do Juke tem consequências algo nocivas no espaço interior. Baseado na plataforma do Renault Clio, o Juke consegue ter cotas, em especial atrás, ligeiramente inferiores. Talvez seja pelo facto de, apesar de ter quatro portas – as traseiras escamoteadas no pilar C e, por isso, pouco óbvias ao olhar mais distraído, numa solução excelente em termos estéticos – quem viaje nos bancos de trás ter alguma dificuldade em abandonar uma leve sensação de claustrofobia: o espaço para as pernas não é referencial, mas também não é crítico; duas pessoas não entram em conflito de coabitação, é certo. O conflito, esse, faz-se com o tejadilho, cuja linha descendente pode interferir com estaturas mais elevadas – promovendo a referida sensação de claustrofobia, reflectida ainda por cima numa superfície vidrada lateral que não é muito grande. Concessões à ousadia do estilo… Afinal, não se pode nem ter tudo, nem agradar a gregos e a troianos.
Ainda falando do interior, à frente viaja-se com conforto suficiente, apesar dos bancos duros, embora com apoio lombar e para as pernas q.b. A ergonomia dos comandos não merece reparos – estes vão para os plásticos algo duros, existentes nos forros das portas e em alguns locais do painel dianteiro, bem como no satélite central que agrupa os comandos de controlo do rádio e do ar condicionado. O volante, multi-funções, tem boa pega e só é pena que tenha apenas regulação em altura. Mesmo assim, isso não interfere com a posição de condução, mais alta que o normal num automóvel, mas inferior à praticada num SUV.
Pois é: ao contrário do exterior, em termos estéticos o interior do Juke não acompanha a ousadia extrema dos criadores. A única concessão à diferença está na consola central, metálica e pintada na cor da carroçaria, que a Nissan diz ser inspirada no quadro de uma moto, com o “depósito” de combustível a incluir a alavanca da caixa manual de seis velocidades e o “assento” marcado por dois espaços para acolher objectos, nomeadamente copos ou garrafas. Giro, brilhante, mas que deixa um certo amargo de boca: olhando para o Juke, esperava-se mais ousadia na concepção do interior.

Muito divertido
O AutoanDRIVE ensaiou a versão do Juke equipada com o bem conhecido bloco turbo-Diesel 1.5 dCi, declinado na sua máxima potência, 110 cv. E, embora não seja um portento de pujança, a sua disponibilidade desde baixos regimes, ajudada por uma caixa bem escalonada e eficaz nas subidas de relação – embora o contrário não seja um exemplo de exactidão… – até fazem esquecer a volumetria da carroçaria. Mais leve que um Qashqai, não é curiosamente tão ligeiro. No entanto, apesar de um centro de gravidade mais alto, pisa firme e até chega a ser entusiasmante, na forma como aborda troços mais sinuosos, muito graças a uma suspensão durinha, mas sem penalizar o conforto e a uma direcção que coloca a frente de forma decidida nas curvas, em especial quando escolhemos o modo “Sport” de condução (os outros dois são o “Normal” e o “ECO”, este decididamente o mais lento e, claro, menos entusiasmante dos três), que a torna mais assertiva. Claro que sair delas em beleza é um exercício de poder – e este apenas está patente nas formas e não no conteúdo mecânico – apesar do tal modo “Sport” tornar, alegadamente, o motor mais agressivo e disponível. Mesmo assim, resulta agradável fazer uma viagem mais longa a bordo do Juke, deixando a boca cheia de água a pensar na versão mais musculada, com motor 1.6 turbo a gasolina de 190 cv.
O equipamento da versão ensaiada era o intermédio Tekna Sport que incluía o ar condicionado automático, vidros traseiros escurecidos e jantes em liga leve de 17”. O seu preço de 23.150 euros aproxima-o de um Qashqai 1.6i Acenta o que, para quem tem famílias mais numerosas e não se orgulha de um espírito de diferença e quase exclusividade, poderá não ser uma boa opção de compra. E a maior capacidade de “economia” de um carro com motor turbo-Diesel cada vez tem menos razões de ser, nos dias que correm – basta ver que a diferença de preço entre o gasóleo e a gasolina diminui a olhos vistos… já para não falar nas facturas mais elevadas resultantes da manutenção de um carro “a gasoil”. Isso era dantes!

CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS
Motor: Diant. transv., 4 cil. em linha,  1461 cc, turbo-Diesel de geometria variável, c./”intercooler”, inj.dir. múltipla “common rail”, 16 válvulas
Potência (cv/rpm): 110/4000
Vel. Máx. (km/h): 175
Acel. 0-100 km/h (s): 11,2
Consumos (l/100 km): 5,1
Emissões CO2 (g/km): 134
Preço (euros): 23.150

Texto: Hélio Rodrigues
Fotos: C.Santos

2 respostas a Nissan Juke 1.5 dCi 110 4×2 Tekna Sport

  1. joao lampiao diz:

    Tenho um Juke Tekno-Premiun… cuidado com os consumos, que rondam o mínimo os 6.3 e não baixam daí, mesmo nas vias rápidas (A1 e outras). Também é rápido o motor está de acordo com o carro… Gosto, mas devia consumir menos….

    • Diogo diz:

      Qual é a média de velocidade de que está a fazer? Eu tenho um igual, em preto. Também tenho que ter algum cuidado com os consumos, mas deve-se a que queria que ele atingesse os 195, o que foi dificil, mas já consegui. Daí que a média aumentou. Boa condução.

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