MINI Cooper D Countryman 112 cv

Muito maior do que imagina

Olhando para ele, parece saído do Car Town. Mas, pelo nome, o MINI Countryman tem um cheirinho a Farmville. Na realidade, ele é muito maior do que imagina.

Um MINI com quatro portas? Pois é: nestes tempos de mudança, em que nada é como era antes, a ousadia já não surpreende. Mas, bem vistas as coisas, este MINI maior, mais inchado, mais alto, mais forte, acaba por não fugir aos genes mais antigos – afinal, a tradição ainda é o que era. Passamos a explicar.

O valor da imagem
Uma imagem vale mais que mil palavras. Apesar disso, vamos tentar seduzir, através de talvez não tantas palavras, da mesma forma que o MINI de quatro portas, tão apropriadamente chamado de Countryman, consegue seduzir.
Seduzir, dirão vocês, com palavras, mil palavras? Afinal, presunção e água benta, cada um toma a que quer. Mas, garantimos nós, não é presunção nossa – é uma forma de aproximar, o mínimo que seja, a pálida descrição que vos oferecemos, àquilo que o MINI Countryman, a um primeiro olhar, também vos oferece. Confusos? Talvez – mas depressa perceberão que, ao cabo e ao resto, de confusão nada há.
O MINI Countryman possui uma imagem, de facto, poderosa, dando uma perfeita continuidade à família MINI, toda ela prenhe de carisma cintilante, até agora. E, aliando esta necessidade imagética a uma premente necessidade de afirmação e utilidade constantes, nada melhor que promover a criação de um MINI, não apenas dentro da mesma estrada de hedonismo, até agora trilhada, como lançado em direcção… à família. Mais precisamente, a uma família de Lineu, com os seus filhos, ou necessidades básicas de espaço e versatilidade acrescidas. Que é isso, exactamente, que o MINI Countryman oferece, em doses mais generosas que os seus primos, irmãos, ou lá o que forem, têm oferecido.
E essas doses encontram-se, claramente, esculpidas na sua imagem. O MINI Countryman, como é bom de ver e o seu nome tão apropriadamente apregoa, dá bem para um… homem ir para… o campo! Um homem, mais a sua família: quatro pessoas, é o ideal, pois apesar de poder ter cinco lugares, o do meio, atrás, pode resultar num pequeno acanhamento de mobilidade. Depois, a bagageira está maior, leva mais coisas e, embora não seja uma referência na classe, já resulta num espaço útil e bem mais desafogado que no MINI da cidade.
Apesar de tudo isso, este MINI do… “campo” não abdica da mesma veia retro e do amor aos pormenores, herdado do resto da família. No interior, lá está o enorme velocímetro, à boa maneira antiga; e se se pode criticar um pouco a ergonomia de comandos como o dos elevadores dos vidros, não se pode passar sem elogiar a existência dos ventiladores redondos, como dantes; dos curiosos botões para descer os vidros traseiros; da consola central, côncava e com porta-óculos de sol integrado, que se junta aos bancos de trás na versão com apenas quatro lugares; da alavanca do travão de mão com clara inspiração na aviação.
Mas há diferenças: a posição de condução é elevada, ao contrário do MINI mini; o espaço é maior, mas pode ser alterado de acordo com a posição dos bancos traseiros, que avançam ou deslizam sobre calhas 12 cm, permitindo também aumentar o volume da bagageira.
No resto, todo ele é verdadeiramente MINI. E, voltando a falar da imagem, a do Countryman respira mesmo um pleno ar de MINI: cavas das rodas abauladas, com limites de cor preta; os faróis dianteiros recortados no “capot”; a superfície vidrada lateral mais estreita, embora aqui claramente maior; os espelhos retrovisores salientes, aqui pintados na cor do tejadilho e das jantes; os grupos ópticos em posição vertical, limitando a traseira nitidamente familiar. Só que, no Countryman, todas as superfícies estão maiores, existem quatro em vez de duas portas, o portão traseiro é maior e, na frente e atrás, os pára-choques são diferentes, mais encorpados e envolventes. No resto, é mesmo um MINI – o de sempre.

Alma de MINI
Até na estrada! O MINI Countryman ensaiado pelo AutoanDRIVE utilizava o pequeno bloco de quatro cilindros 1.6 turbo-Diesel “made by BMW”, com 112 cv e função “overboost” – que quer dizer que, quando se calca o pedal do lado direito a fundo, as costas se colam de repente ao banco, pois a potência do motor aumentou percentualmente em – e durante – fracções de segundo. Porém, isso não quer dizer penalizações nos consumos – obrigado sistema Efficient Dynamics, que inclui função Start/Stop! –  mas tão simplesmente uma notável agradabilidade dinâmica, realçada pela excelência original do chassis, que mantém a mesma irreverência da versão mesmo MINI. Contudo, no Countryman, graças às maiores dimensões, distância entre eixos e altura ao solo, a agilidade sai um pouco diminuída, embora o gozo natural de enfrentar percursos sinuosos não se mostre em nada beliscado. Afinal, um MINI é um MINI – e o Countryman não é excepção, muito embora não se mostre tão “brincalhão” quando a estrada exige mais trabalho do condutor. Trajectórias tipo carris de eléctrico são possíveis, mas também dá para fazer soltar um pouco o prazer de andar depressa e, digamos, bem. Repito: afinal, o Countryman é um MINI. Maior, mas é um MINI!
O motor está associado a uma caixa de velocidades manual com seis relações, exacta e de fácil engreno, rápida se for preciso. A direcção é informativa q.b., sem ser um relógio suíço de precisão. Enfim, a posição de condução, elevada, é reforçada pela boa posição e tamanho do volante, certinho para as nossas mãos e com a medida exacta. E, claro está, também reforçada pelos bancos desportivos desta unidade, de bom encosto e não pior apoio lombar e para as pernas.
Aliás, eram um dos opcionais existentes a bordo, aumentando a fasquia original de menos de 29 mil euros, para uns mais desconfortáveis 33.600. Querem saber porquê? Então, aqui vai: os tais bancos surgem incluídos no denominado Pacote Chili que, por 2.528,93 euros, oferece, para lá dos ditos cujos, também o volante desportivo multifunções em pele, com cruise control; “chrome line” exterior; tapetes em alcatifa aveludada; pacote de arrumação; superfícies do interior e “cockpit” Piano Black; ar condicionado automático; computador de bordo; pacote de iluminação interior; indicadores de mudança de direcção brancos; e rádio MINI Boost com leitor de CD. Acresce a isto ainda as jantes Fan em liga leve de 18” (595,04 euros), equipadas com pneus Runflat (82,64); o alarme anti-roubo (280,99); o “spoiler” traseiro (157,02); o forro do tejadilho em antracite (148,76); o fundo plano da bagageira removível (157,02); os sensores de estacionamento traseiros (305,79) e de luz e chuva (115,70) e temos a factura final. Alta ou baixa, até acaba por interessar de somenos: afinal, não é toda a gente que quer um MINI – e, hoje, continua a ser tão giro ter um! Mesmo que seja maior, tenha quatro portas e até espaço!

CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS
Motor: Diant. transv., 4 cil. em linha, 1598 cc, turbo-Diesel, turbo-compressor c./”intercooler”, inj.dir. múltipla “common rail”, 16 válvulas
Potência (cv/rpm): 112/4.000
Vel. Máx. (km/h): 185
Acel. 0-100 km/h (s): 10,9
Consumos (l/100 km): 4,4
Emissões CO2 (g/km): 115
Preço (euros): 28.277,29 (unidade ensaiada, 33.654,72)

Texto: Hélio Rodrigues
Fotos: C.Santos

Deixar uma resposta

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Modificar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Modificar )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Modificar )

Connecting to %s

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.