Ultrapassar as dificuldades
Ultrapassar as dificuldades: é esse o grande desafio do futuro da nossa sociedade. Ultrapassá-lo com eficácia, com parcimónia, sem grandes luxos. E, até, com uma certa elegância – sem descurar um mínimo de qualidade de vida, mas sem jamais passar os limites do bom senso. A Dacia tem a solução para a crise no Duster com tracção às quatros rodas. Tem dúvi-das? Não tenha, é o nosso conselho!
O Dacia Duster 4×2, com motor 1.5 dCi de 110 cavalos, já tinha sido uma boa surpresa. Em termos dinâmicos e de qualidade de equipa-mento, por 20 mil euros, não se podia pedir mais. Claro que o Duster não apresenta acabamentos “Premium” e possui soluções que não lembram ao diabo, como os comandos dos vidros eléctricos a meio da consola central – fazendo-nos recuar uma década… – mas, principal-mente, o regulador dos espelhos retrovisores exteriores… debaixo do travão de mão!
Imagine-se a seguinte cena: auto-estrada, 140 km/h (que o Duster atinge com alegria, graças às boa qualidade do bloco 1.5 dCi, declina-do na sua máxima extensão). De repente, opps! Não vejo nada pelo meu retrovisor! Deixa-me lá pô-lo bem! Mas onde está o botãozinho? Após longos segundos e um quilómetro mais tarde, ei-lo! Mas… como chegar lá? Encosto à berma? Puxo a alavanca do travão para cima, mesmo em andamento? Bom, se calhar o melhor é ligar ao Mãozinhas de Veludo – ele, com a sua sapiência no gamanço, é de certeza capaz de meter lá os dedos e regular a coisa. Ou, em alternativa, a um dos nossos miríficos banqueiros, políticos ou quejandos, autores encapu-zados e em permanente negação, da tão convenientemente chamada “crise económica global”.
E por falar em crise, ironias à parte, convenhamos que o Dacia Duster é uma boa metáfora contra o sanguinolento OE: com ele, desde que tenhamos a tracçãozinha às quatro rodas, conseguimos ultrapassar os problemas. Conforme já disse, com alguma elegância, sem nos perder-mos nos bolsos vazios e com uma qualidade de vida aceitável. Passe-mos aos esclarecimentos
Ultrapassar a crise
Ponto um: o Dacia Duster é um SUV, nas formas e nas intenções. Em estrada, tirando alguma tendência em fugir de frente, mantém-se efi-caz e amigo. Não cansa, não nos deixa mal, não é ruidoso em termos de motor (a excepção é a passagem do vento nas barras do tejadilho), a suspensão gere bem as curvas – com algum adornar da carroçaria, é certo, fazendo-nos recuar outra vez alguns anos, até aos tempos das primeiras Scénic. No resto, nada de negativo a assinalar: a caixa de velocidades, se bem que nem sempre muito exacta, cumpre com ho-nestidade a missão que lhe é confiada – recuperações prestativas, consumos sem excesso, ultrapassagens sem grandes rasgos, mas também sem comprometer.
Ponto dois: o Dacia Duster, na sua versão melhor equipada, tem qua-se tudo. Desde os bancos em pele, às jantes em liga leve de 16” e desenho específico, sem esquecer o ar condicionado, vidros eléctricos ou comando à distância do fecho centralizado das portas, está lá uma boa parte da qualidade de vida necessária para ultrapassar a crise. Curiosamente, o controlo de estabilidade (ESP) não é de série e custa 310 euros. A pintura metalizada também é um extra e custa o mesmo. E a unidade por nós ensaiada trazia o sistema áudio que não é o de origem, mas sim uma versão mais avançada, com leitor de CD e MP3 e que custa 360 euros. Com tudo isto, o Duster fica em menos de 25 mil euros – e digam-me lá se sabem de outro SUV, com características se-melhantes e equipamento a condizer, por este preço? É ou não uma boa forma de mostrar como ultrapassar a crise – sem galhardetes, mas com eficácia e até qualidade?
Ultrapassar obstáculos
Pontos três e último: na consola central, lá em baixo, existem três bo-tões redondos. Um diz “2WD” e permite apenas tracção às rodas da frente; o do meio, diz “Auto” e gere a tracção instantânea em cada roda, equilibrando-a e promovendo tracção imediata, em caso de ne-cessidade – como lama, areia, piso molhado – às rodas traseiras; o da direita, bloqueia a tracção nas quatro rodas, em permanência – mas este não é aconselhado em asfalto ou em terreno pouco exigente.
O Dacia Duster possui, de origem, uma altura ao solo pouco elegante é certo, mas perfeita para a transposição de obstáculos ou incursões fora de estrada – já tínhamos tentando esse caminho com a versão apenas com tracção dianteira, verificando a boa capacidade de rodar em terrenos mais difíceis, desde que não se exigisse muito da tracção ou da embraiagem.
Mas agora, com a possibilidade real de termos tracção também nas rodas de trás, decidimos exagerar um pouco mais e levámos o Duster para as dunas da Foz do Arelho.
E bastou uma distracção, em que a barriga do Duster deixou marca na areia, para percebermos a sua capacidade de sair de uma situação mais crítica: nem sequer foi complicado, apenas, digamos… interessan-te. De novo nos limites do asfalto, para lá do Sítio da Nazaré, sempre com o mar límpido e escuro do nosso lado esquerdo, fizemos a Estrada Atlântica ao longo de mais de uma dezena de quilómetros – estrada boa, arranjada de fresco, nos limites do Pinhal de Leiria. E foi para aí que virámos o volante: altos e baixos, pelo meio da caruma molhada e das urzes escuras, a tracção do Duster mostrou quão fácil é gerir uma crise, desde que não se exagere e não se exijam coisas que, depois, não podemos… pagar! Veredicto final: aprovado!
CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS
Motor: Diant., 4 cil., 1461 cc, turbo-Diesel de geometria variável, inj.directa c./ common rail e intercooler
Potência (cv/rpm): 110/4000
Vel. Máx. (km/h): 168
Acel. 0-100 km/h (s): 12,5
Consumos (l/100 km): 5,6
Emissões CO2 (g/km): 145
Preço (euros): 23.800 (versão ensaiada: 24.780 euros)
Texto: Hélio Rodrigues
Fotos: C.Santos
















