Primeiro, vêm as entradas
Primeiro, vêm as entradas. Simples: Melão com Presunto; Cogumelos Sal-teados; “Cocktail” de Camarão; Rissóis de Atum. De “gourmet”: Camem-bert Frito, Compota Picante de Maçã Verde e Salada de Folhas; Salada de Lentilhas com Lascas de Pato; Risoto de Moranga com Mascarpone, Marsa-la e Sálvia. De gama: BMW 316d Touring.
De facto, até poderíamos começar por uns delicados ”amuse bouche”. Mas vá lá: o BMW 316d Touring não está para delicadezas: mesmo co-mo entrada de gama, chega e sobra para as encomendas. Eis alguns dos seus ingredientes.
Estilo e qualidade
A carrinha BMW Série 3 acompanhou a recente evolução da gama, mostrando-se mais jovem, mais apurada de formas e mais interessan-te. O interior, esse, ostenta um desenho já algo desactualizado, o que já lamentámos em anteriores ocasiões. Menos voltado para o condutor do que é habitual na BMW, as suas linhas rectas começam já a exigir um golpe de asa semelhante ao que revitalizou o exterior. Porém, quanto a solidez, qualidade de construção, dos materiais e da sua montagem, nada a dizer: a chancela BMW está lá, bem visível e em grande evidência.
Esta mistura de ingredientes de cozinha “da avó” com refinamento “gourmet” encontra eco no espaço – suficiente à frente, menos atrás, onde apenas dois passageiros adultos conseguem viajar com total conforto. Também, o túnel da transmissão – que é traseira, felizmente – está lá, sempre algo intrusivo.
A traseira de linhas bem aprimoradas e elegantes, esconde um espaço de carga de fácil acesso, onde a família pode depositar as malas para um fim-de-semana, sem se preocupar com excesso de volume. O que é mesmo feia, é a rede que separa esta parte do habitáculo dos passa-geiros – mas, quanto a isso, todos nós sabemos que as leis não são, nunca, bonitas.
Dinâmica e economia
Mas que é que deu no “chef” para propor uma Série 3 Touring com o mesmo motor de dois litros e quatro cilindros em linha, igualzinho ao das outras duas existentes no mercado, mas só com apenas 115 cv de potência? Nada mais simples: é a economia est… perdão! É a econo-mia: a BMW 316d Touring traz na ementa uma coisa chamada “siste-ma start/stop” (sim, sabemos: na língua de Voltaire sabia mais a mesa fina, assim cheira mesmo a maluquice dos mecânicos…), que desliga o motor no trânsito, quando o carro se imobiliza; e, também, uma coisa que nem se vê, nem se sente, mas que todos os “chefs” garantem dar pimenta ao resultado final: a recuperação efectiva de energia, em travagem ou desaceleração.
Os especialistas da cozinha bávara garantem que, com isto, se ga-nham alguns decilitros de “pitroil” e algumas gramas de CO2 a menos são lançadas para a atmosfera. Nós acreditamos que sim, ainda para mais gostando tanto da cozinha bávara (é verdade, não é figura de estilo) como gostamos: o motor lá se desliga obedientemente nas portagens e nas filas da Avenida da República e, embora não tenha-mos atingido sequer as proximidades dos valores anunciados pela BMW (conseguidos em situações muito controladas e específicas), sempre ficámos satisfeitos por pouco termos passado a fasquia dos seis litros aos 100.
Agora, vamos a outra parte da ementa: será que o sabor é o mesmo das outras Touring, com o mesmo motor mas mais sal, pimenta e ou-tras coisas afins? Bom, o mesmo não é, com certeza – nem podia ser. Mas não deslustra nada em relação à versão de 143 cv – não é fulmi-nante nos arranques, as recuperações em quinta e sexta velocidade são apenas (muito) competentes, mas o “chef” que cozinhou esta 316d Touring fê-lo com esmero digno de um restaurante com estrelas Michelin. A caixa manual de seis velocidades foi feita mesmo à medida das necessidades dinâmicas do motor, promovendo alegria certa em todas as viagens, bem acompanhada pela suspensão bem firme e pela direcção precisa e informativa. O toque final está na tracção traseira, mais exigente no controlo do volante e dos pedais, mas mais apaixo-nante – pelo menos, para alguém que aprendeu a conduzir neste tipo de carros, numa época em que a tracção à frente era tão rara como hoje a traseira. Okay, não foi na Idade da Pedra, nem antes da roda ser inventada, mas sim quando o que dava mesmo gozo era ter o con-trolo e não ser controlado.
Esgaravatado tudo isto, fiquemos a olhar para o prato, em cima da toalha de linho branco: a ementa dizia que o seu preço era de 38.750 euros, sem explicar mais nada. Expliquemos nós. Ingredientes de sé-rie, há bastantes – volante multifunções em pele; tapetes em alcatifa aveludada; pernos de segurança nas rodas; faróis de nevoeiro; aca-bamentos exteriores na cor da carroçaria; estofos em alcantara/tecido. Porém, é tradição na BMW os “chefs” proporem iguarias para melhora-rem o aspecto e o sabor dos pratos. Assim, a um primeiro olhar, sem-pre podemos falar nas jantes em liga leve de 17”, de raios múltiplos (1.060 euros) ou da bela pintura Azul Montego Metalizada (880 euros). Mas, como um bom garfo é sempre exigente, apreciando uma boa colheita ou uma sobremesa agridoce, a cozinha da BMW tem algumas propostas interessantes e completas q.b. para… completar o seu desejo. Claro que isso vai encarecer o preço final, que pode ir quase aos 43 mil euros, mas enfim: você quer, você pede, o “chef” tem, você paga. Quanto a isso, nada a dizer: gostos não se discutem.
CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS
Motor: Diant. transv., 4 cil. em linha, 1995 cc, turbo-Diesel, turbo-compressor c./”intercooler”, inj.dir. múltipla “common rail”, 16 válvulas
Potência (cv/rpm): 115/4000
Vel. Máx. (km/h): 201
Acel. 0-100 km/h (s): 11,2
Consumos (l/100 km): 4,5
Emissões CO2 (g/km): 119
Preço (euros): 38.750

