Uma gaivota voava, voava…
Um “cabriolet” é sinónimo de liberdade. Poder viajar com o vento nos cabe-los, sentir a calidez do ar e olhar o azul profundo dos céus, são sensações únicas. A BMW definiu agora uma nova segunda noção de liberdade, com o novo Série 3 Cabrio, num equilíbrio incomparável entre uma imagem mar-cante e performances entusiasmantes.
O novo Serie 3 foi objecto de uma revolução – mais que de uma reno-vação, provocando a criação de uma identidade mais sofisticada e ele-gante. Depois de oferecer este novo visual à Berlina e à Touring, a marca bávara lançou a nova assinatura no Cabrio.
As linhas mantêm a mesma imagética pura e sensual, com laivos quase perfeitos de uma desportividade em que a fluidez do traço se refugia no horizonte descoberto no momento exacto em que a capota metálica se recolhe no porta-bagagens. Fica então o equilíbrio total, que não existe quando o corpo do BMW 320 fica coberto e permite que a zona que percorre a linha de cintura até à traseira pareça menos limpa, um pouco à imagem do Série 1 Cabrio. Porém, desvendado o interior claro e de grande bom gosto, fica a silhueta precisa e completa de um auto-móvel em que o estado de “cabriolet” é somente o mais puro da sua existência. Dito de outro modo, para andar de BMW sem ter os cabelos ao vento, então escolha outro modelo: o Serie 3 Cabrio foi feito para isso mesmo – as amplas liberdades, os ares extremos, onde as gaivo-tas traçam rotas instintivas, faiscando no limbo do vento, imóveis no seu deslizar perene.
Para isso, basta carregar no botãozinho apropriado e esperar que a capota recolha no compartimento para isso reservado na bagageira: são escassos segundos da mais pura técnica, com o inconveniente de ser permitida apenas com o Cabrio imobilizado, ao contrário de alguns dos seus rivais ou, mesmo, do que sucede no Série 1 Cabrio. Mas não faz mal… excepto se, como nos sucedeu na zona de Peniche, um breve aguaceiro resolver orvalhar-nos os cabelos, em pleno IP6.
Centro de emoções
A BMW associou ao seu novo Série 3 o renovado bloco de quatro cilin-dros e dois litros de cilindrada. Agora, com a potência aumentada em sete cavalos (dos 177 para os 184 cv), não faz ter saudades dos mo-tores de seis cilindros, a tradicional alma BMW. Bem ajudado pela caixa manual de seis velocidades, permite gozar bem os prazeres que a sensualidade das suas linhas evoca. Todos sabemos que a BMW não “brinca em serviço” – e que a dinâmica é a peça-chave de toda a efi-cácia das suas criações. Ora este BMW 320d Cabrio não poderia nunca ser a excepção que confirma a regra.
O BMW 320d Cabrio consegue ser um centro produtor de emoções for-tes. Mesmo com a capota recolhida no seu esconderijo, o comporta-mento é quase irrepreensível. Seja nas grandes curvas das auto-es-tradas – onde se pode circular de capota aberta, e conversar com o parceiro do lado sem ser aos gritos, mesmo a uns simpáticos 160 km/h… – seja nas sequências de curvas mais empenhativas, a dinâ-mica do chassis mantém-se… para as curvas, literalmente. As ligações ao solo traçam carris para o Cabrio circular e, além disso, o trabalho efectuado na estrutura do chassis permite algumas ousadias, sem que o conjunto denote qualquer falta de rigidez. A excepção – muito ligeira, de facto – poderá suceder em troços mais degradados, onde a dureza da suspensão provoca reacções mais melindrosas do BMW 320d Ca-brio, mas sem jamais comprometer a eficácia natural do conjunto.
Porém, se na questão da rigidez torsional nada há de mais a dizer, já o mesmo não se pode assinalar quanto à agilidade. Os 184 cv do mo-tor turbo-Diesel de quatro cilindros não precisam de ser constante-mente espicaçados, para deles se retirar um saborzinho a adrenalina. Aliás, juntando-lhes a capacidade de diversão apenas produzida por um carro com tracção traseira, como o é (felizmente!) o BMW, ficamos com um sorrizinho idiota estampado na cara depois de uma dezena de quilómetros feitos com os dentes cerrados. Mesmo se, naquelas mes-mas sequências de curvas rápidas lá de trás, há que contar com uma leve tendência da frente se afastar em demasia do raio ideal de saída – provavelmente, por causa das diferentes medidas dos pneumáticos (jantes de 18”, tecnologia “run flat”, em nome de uma maior seguran-ça) atrás e na frente. A agilidade não chega a ficar comprometida (afi-nal, a disponibilidade dos 184 ocupantes do “estábulo” sempre serve para alguma coisa…), mas lá que o 320d Cabrio fica um pouco menos, digamos, amigo do condutor, lá isso fica. Mas, é preciso dizê-lo com frontalidade, para grandes doses da mais pura adrenalina, a marca bávara tem outras ofertas na sua ementa; registe-se, portanto, que esta versão do Série 3 Cabrio é “apenas” um automóvel de charme, para fazer charme e desfrutar do mais prazeiroso hedonismo deste mundo.
Qualidade, pois claro!
Vem agora a apreciação da qualidade que se respira a bordo; da ergo-nomia; do espaço; e do equipamento. E, para todos estes parâmetros, apenas uma frase: nada de novo assinalar. A BMW nunca deixou os seus créditos, nestes mesmos itens, por mãos alheias – aliando crité-rios invioláveis quando se trata de promover o conforto e a segurança dos seus clientes.
O equipamento opcional vem completar o ramalhete. Mas, como é há-bito da casa alemã, você quer, você tem – mas tem que pagar à parte, o que encarece um pouco a factura final. Porém, apesar da extensa lista de condimentos disponível, há que assinalar que a versão Exclu-sive disponibiliza de série um conjunto admirável (para um BMW) de itens, incluindo o controlo de estabilidade e tracção, “airbags” dian-teiros e laterais, ar condicionado automático, computador de bordo, equipamento áudio completo, ou sistema anti-capotamento – situado por trás dos encostos de cabeça dianteiros.
Mas, na hora de assinar o contrato com a financiadora, impõe-se uma reflexão, sobre o valor da dita cuja factura final: “who cares?” Ter um Série 3 Cabrio é sempre um privilégio, ao alcance dos verdadeiros amantes da qualidade, ousadia e perspectiva sensorial que só um verdadeiro “cabriolet”, de honrosa estirpe como este, proporciona. Por isso, goze a vida enquanto ela existe! Uma gaivota voava, voava – o poema falava de liberdade; o BMW Série 3 Cabrio também.
CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS
Motor: Diant., 4 cil. em linha, 16 v, 1995 cc, turbo-Diesel, turbo-com-pressor de geometria variável c./”intercooler”, inj.directa múltipla “common rail”
Potência (cv/rpm): 184/4.000
Vel. Máx. (km/h): 237
Acel. 0-100 km/h (s): 7,5
Consumos (l/100 km): 5,1
Emissões CO2 (g/km): 135
Preço (euros): 57.930
Texto: Hélio Rodrigues
Fotos: C. Santos
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